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Quais são os desafios a enfrentar

Quais são os desafios a enfrentar na importação de químicos?

06 de Maio de 2019   |   Mercado

Químicos estão presentes em diversos segmentos: tintas da construção civil, receita em escala de produtos alimentícios, tratamento de tecido do segmento têxtil, agricultura, limpeza, enfim, uma commodity com as mais variadas aplicações.


Mesmo o Brasil não sendo o país industrial que somos capazes de ser, fomos em 2018 o 14º maior importador do mundo, com 2,2% de participação mundial no segmento de químicos orgânicos, distante dos volumes de China, Estados Unidos e Alemanha, porém não irrelevante.


E por ser uma commodity que, dependendo do tipo pode corroer, entrar em combustão, evaporar, explodir e diversos outros efeitos que vimos no seriado Breaking Bad, trata-se de um produto de logística trabalhosa com diversos desafios a enfrentar para realizar a importação.


Vamos conhecer algum deles?


Os custos da importação pesam muito na viabilidade.


Sendo commodity, sabemos que é um produto de baixo valor e desafiante para encontrar preços atraentes mundo afora, pois o transporte rodoviário e marítimo, dependendo da distância e valores, é capaz de inviabilizar a operação.


Assim como os portos brasileiros, se a carga for do tipo perigosa (IMO) é comum cobrarem mais que o dobro de custos com armazenagem e movimentação para justificar procedimentos de segurança. Há casos que a cobrança é exagerada, por isso é importante procurar o porto de destino com antecedência para negociar tais custos.


Sim, porto, eu sei armazenar meu químico com segurança, pode confiar!


É complicado focar apenas em preço com os prestadores serviço, pois infelizmente a logística pesa bastante no valor final, contudo não podemos abrir mão da qualidade dos serviços prestados. Lembre-se também de consultar os benefícios fiscais dos blocos econômicos que pertencemos, como Mercosul e Aladi, além dos acordos bilaterais – todos são capazes de reduzir sua carga tributária.


Despacho Aduaneiro trabalhoso.


Um químico possui diversas aplicações, sendo útil para mais de um mercado, por isso é comum que eles necessitem Licença de Importação (LI) pré-embarque de órgão anuentes como:


• Departamento de Comércio Exterior


• Agência Nacional de Vigilância Sanitária


• Comando do Exército


• Polícia Federal


• Ministério da Agricultura, pecuária e abastecimento.


 


Alguns são fáceis de conseguir a anuência, possuem procedimentos padronizados e celeridade em se manifestar, outros são tão bagunçados, lentos e campeões em contradição, que justificam a criação de novos medicamentos ansiolíticos.


Tem importador que toma Rivotril de canudo só de ver a logomarca da Anvisa.


Seja o órgão anuente eficiente ou o caos na Terra, conseguir a autorização da LI demanda um tempo relevante que precisa ser considerado para definir o momento certo de reabastecer o estoque.


É o tipo de produto mais excluído pelos armadores.


A carga química é uma das mais problemáticas para alocar dentro dos navios, pois o limite máximo permitido por tipo de produto e a existência de substâncias que não podem ser transportadas em uma mesma viagem em razão dos riscos que podem causar para embarcação, tripulantes e demais carga, faz despencar o interesse do armador pela carga, esteja ela ou não enfrentando peak season (alta procura de frete).


“E devido a esses riscos, não raro que cargas com Booking (reserva de espaço no navio) confirmado não embarquem, por quê? Dou um exemplo.”


Digamos que eu queira importar 2 containers de 20` de um ácido que entra em combustão ao entrar em contato com água (como água da chuva ou do mar, que quase não tem no frete marítimo (Contém SARCASMO)), mas dei sorte e consegui uma reserva para embarcar daqui 7 dias.


Cinco dias depois, uma grande importadora de tecidos suplica ao armador que precisa embarcar urgentemente (para variar) 10 containers contendo papel em bobinas.


Adivinha quem vai ficar literalmente a ver navios?


A logística em terra também é sofrida.


Conforme a periculosidade, os caminhões precisarão realizar rotas especificas e com horários pré-determinados para transitar, entrar e sair dos portos. O manuseio da carga para ovar e desovar o container exige cuidados maiores e, consequentemente o tempo é sacrificado em prol da segurança.


E, infelizmente, os acidentes que acontecem nas fábricas são verdadeiras tragédias. Aconteceu agora em março na província chinesa de Jiangsu, 47 mortos, a explosão quebrou o vidro de janelas num raio de 5km.


Também é preciso cuidado com importações para o Brasil que passem pela Europa, os químicos provenientes de outros continentes, em especial da Ásia, são visados quando adentram em portos europeus e podem sofrer vistorias, serem retidos e até exigirem readequação de embalagem antes de seguir para o país de destino final (que sequer pode ser na Europa).


***


Conhecendo todos esses desafios, é natural concluir que importar químicos demanda mais tempo que o normal e inclusive um extra para se proteger dos eventuais atrasos que não somos capazes de controlar e evitar, e sabemos que poderão ocorrer a qualquer momento. E se demanda tempo, é necessário que a logística de armazenagem funcione.


Porém, comércio exterior não está, necessariamente, à mercê da sorte, conhecendo tais riscos e trabalhando com prestadores de serviço experientes nesse segmento, é possível ter um controle maior das variáveis.


Independente do produto ou até profissão, se o cliente contratar um prestador inexperiente apenas por preço, a diferença economizada será gasta para que este contratado aprenda errando o que ainda não domina.


E você, leitora(o)?


Já trabalhou com químicos ou outro tipo de carga perigosa? Que dificuldades passou? Compartilhe nos comentários a sua experiência para ajudar outros colegas.


 

Fonte: Por Jonas Vieira Escritor, e profissional de Comércio Exterior


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