Arquivo
MERCOSUL impõe condições à UE para liberalizar indústria automotiva
O MERCOSUL exigirá transferência de tecnologia e mecanismos de monitoramento do comércio, com a previsão de salvaguardas, para garantir a entrada de veículos e autopeças da UE sem tarifa de importação. Pode haver até mesmo a inclusão de algum tipo de compromisso de investimento pelos fabricantes europeus, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, que exerce a presidência temporária do MERCOSUL.
A grande aposta do MERCOSUL para avançar nas conversas com a UE é fazer concessões no setor automotivo e de autopeças. Com isso, espera-se chegar mais perto dos 90% de cobertura dos bens que devem ter tarifas de importação reduzidas, até alcançar alíquota zero. Quando as negociações foram interrompidas, em 2004, o bloco sul-americano havia proposto liberalizar menos de 80% do comércio - percentual rejeitado pelos europeus.
De acordo com o embaixador, o MERCOSUL poderá finalmente aprovar um código aduaneiro comum em julho, na próxima reunião de cúpula dos presidentes. O código é harmonizaria as normas alfandegárias entre os quatro sócios - de requisitos gerais que devem ser cumpridos por despachantes aduaneiros à valoração de produtos nas fronteiras. Desde meados da década os países do bloco tentam, sem sucesso, chegar a um acordo.
"Há posições intermediárias que serão analisadas politicamente", disse Sigal, sem revelar detalhes. O código aduaneiro é um primeiro passo para eliminar a dupla cobrança da Tarifa Externa Comum (TEC) a produtos de fora do MERCOSUL que circulam dentro do bloco. "Há um momento em que se chega ao limite técnico e se requer uma decisão política."
Indústria agora projeta crescimento de 8%
O setor industrial, na comparação entre abril e março, teve retração de 4,9% na receita, de 3,4% nas horas trabalhadas, e ligeiro aumento de 0,1% no emprego, num indício de acomodação em relação ao mês anterior.
Já na análise do primeiro quadrimestre, os indicadores refletem uma recuperação do setor industrial em relação à perda de 5% em 2009, como, também, uma expansão sustentada no consumo interno. De janeiro a abril o setor industrial apurou, além da alta no faturamento, acréscimos de 7% nas horas trabalhadas na produção, de 3,3% no emprego, de 3,8% na massa salarial. Cresceram também o rendimento (0,6%) e o uso da capacidade instalada (3%).
Ao comentar o efeito-preço, o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, disse que a pressão sobre a inflação não está partindo dos preços industriais, mas dos alimentos e dos serviços.
Castelo Branco comentou que o dado relevante do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que segundo informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior, e de 2,7% em relação ao trimestre anterior, foi a evolução do investimento. Segundo ele, independentemente da taxa, o ideal seria obter crescimento sem altos e baixos. "O investimento crescendo de forma robusta e o consumo em acomodação são dados positivos. A indústria vai continuar em expansão, sem pressionar a inflação", afirmou. "O importante é que haja uma sintonia fina, moderação do Banco Central em relação aos juros, para não arrefecer o crescimento em si", disse.
Castelo Branco espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) não sancione a alta de 0,75 ponto percentual na taxa Selic, hoje, conforme a média das apostas do mercado financeiro. Isso elevaria a Selic para 10,25% ao ano. Ele também quer que o ciclo de ajuste da Selic seja concluído no início do segundo semestre.No Brasil, expectativa de resultados positivos
Na opinião de dois analistas do setor aéreo, este ano será o de recomposição de margens, após perdas com a intensa guerra tarifária travada no ano passado. "Acredito em lucros em 2010, mas o momento melhor é o da Gol, que desde meados de 2009 tem um melhor posicionamento para captar o crescimento da classe média", afirma o analista de setor aéreo da Link Investimentos, Felipe Rocha.
O especialista em aviação da Planner Corretora, Brian Moretti, destaca que para o acionista das empresas aéreas não é primordial o lucro ou prejuízo, mas a sua rentabilidade. "As companhias estão aumentado sua frotas de maneira geral, mas o entrave são os gargalos de infraestrutura."
A TAM, por exemplo, revisou para cima seus planos de aumento de frota em 2010. Inicialmente, planejava um aumento líquido de cinco aviões, ou frota de 137 unidades, mas ampliou esse número para 11, para ter 148 aeronaves, um investimento adicional de US$ 200 milhões.
No primeiro trimestre, a Gol teve lucro líquido de R$ 23,9 milhões. A TAM, por sua vez, teve prejuízo de R$ 58,1 milhões no mesmo período.



