18.05.10 - ter

Estudo pede investimento em portos

O sistema portuário brasileiro pode entrar em colapso nos próximos anos se não forem realizados mais investimentos na área, relatou a pesquisa Portos Brasileiros: diagnóstico, políticas e perspectivas, divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo o estudo, os investimentos estão abaixo do necessário, principalmente no acesso terrestre aos portos. Foram identificadas 265 obras que precisam ser construídas com urgência, ao custo de R$ 42,88 bilhões, nas áreas de dragagens, aterramentos, acessos terrestres, ampliação, construção, manutenção e novos empreendimentos de infraestrutura portuária. O estudo faz parte da série Eixos do Desenvolvimento Brasileiro, que ainda apresentará, este mês, o diagnóstico das demais formas de transporte.
Cerca de 90% dos investimentos devem ser para a melhoria do acessos terrestres, além de construção, ampliação e recuperação das áreas portuárias. Os investimentos, entretanto, são lentos. Para cumprir o cronograma até as eleições, o governo teria de gastar R$ 37 bilhões em apenas um ano, ou seja, o dobro da soma do efetivamente pago nos anos de 2007 e 2008. Apesar de estar muito aquém do que o crescimento econômico do país demanda, os investimentos portuários têm aumentado. O valor dos investimentos em todas as modalidades de transportes subiu de 0,4% para 1,15% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 1999 e 2008. "O aumento, apesar de significativo, ainda é insuficiente", disse Bolivar Pego, Coordenador de Desenvolvimento Urbano do Ipea
18.05.10 - ter

União Europeia e Mercosul já começam a barganhar por acordo

O Mercosul e a União Europeia começaram ontem mesmo a cobrar concessões recíprocas, logo depois do relançamento da negociação do acordo de livre comércio que até o último minuto sofreu a oposição comandada pela França. Ao anunciar a retomada, o chefe do governo espanhol, José Luiz Rodriguez Zapatero, disse que uma maioria de países é a favor de voltar a negociar com vistas a concluir um acordo "equilibrado e ambicioso" com uma das regiões que mais crescem no mundo.
O governo espanhol estima que os principais beneficiários do acordo serão precisamente os países do Mercosul que mais precisam de desenvolvimento. Segundo ele, o Paraguai pode incrementar em 10% seu Produto Interno Bruto (PIB) como consequência do acordo, o Uruguai 2,1%, o Brasil 1,5%, a Argentina 0,5%, e a UE 0,1%.
Como o Valor antecipou, o comunicado dos dois blocos diz que a primeira rodada de negociação da fase final ocorrerá no mais tardar no começo de julho. Mas nada foi fácil. Pela manhã, o comissário europeu de Comércio, Karel de Gucht, dizia a empresários que "a situação está difícil", com os ministros de Agricultura reunidos em Bruxelas. Mas houve um racha, com vários ministros do setor também manifestando apoio ao acordo, como a Alemanha e a Espanha.
Gucht voltou a advertir que a UE tem "graves obstáculos" para atender as pretensões do Mercosul na área agrícola. Ao mesmo tempo, cobrou do bloco do Cone Sul que faça concessões "suficientes" em produtos industriais, serviços, compras governamentais, proteção de patentes e de investimentos estrangeiros, desenvolvimento sustentável e indicações geográficas de produtos agrícolas.
Ele deu o recado em conversa com os representantes do Fórum Empresarial UE-Mercosul, o brasileiro Carlos Mariani e o espanhol Inaki Urdangarin, engajados na negociação em nome dos setores industriais dois dois blocos.
Por sua vez, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, tem suas duvidas sobre o andamento das "conversas", ainda mais diante da posição da França, que considerou "decepcionante e surpreendente" vindo de um parceiro estratégico.
O ministro sinalizou que o Mercosul está pronto a negociar. Exemplificou que as discussões envolvendo o setor automotivo já giram em torno do prazo de dez anos para a derrubada das barreiras de importação no Brasil para carros europeus, em vez dos 15 anos que o bloco recentemente sugeriu, mas que evidentemente haverá muita divergência até se chegar a um compromisso diante de tantos interesses envolvidos.
O deputado europeu José Salafranca acha que a situação está complicada, mas que o desacordo está basicamente em 10% do comércio, que trata dos produtos sensíveis, e também sobre como compensar os agricultores europeus pela perda que terão na concorrência com os produtos do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A Europa está ainda mais na ofensiva em meio à sua pior crise econômica dos últimos tempos. "Comércio faz parte do plano de recuperação da Europa", disse Gucht. "Nossa economia depende de mercados abertos e integrados", disse.
18.05.10 - ter

Governo investiga dumping na venda de caminhões chineses

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) suspeita que a China está vendendo caminhões com guindastes no Brasil a preços deslealmente baixos e começou a coletar dados para decidir se abre uma investigação antidumping, em mais uma ação refletindo a crescente preocupação do governo com a concorrência de Pequim.
O MDIC constata que os chineses estão exportando para o Brasil veículos com guindaste a um preço, depois do frete e outras despesas, que chega a ser menor do que o custo de um caminhão fabricado no Brasil. O Brasil é um dos grandes produtores de caminhões, com 180 mil unidades por ano, mas a importação procedente da China está aumentando, vitaminada pelos preços.
"O problema (para o Brasil) é a China, com sua vantagem competitiva com custo menor e formação de preços que não tem nada a ver com economia de mercado", disse o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, em Madri, onde segue a Cúpula União Europeia-América Latina. "A China é um problema que tem de se enfrentar, não adianta tapar o sol com a peneira", disse. Segundo ele, o problema não é especificamente a exportação chinesa para o mercado brasileiro, e sim sua concorrência na América do Sul e África, onde o Brasil perde fatias de mercado.
"Em alguns países, as exportações chinesas aumentaram até 400%", disse Jorge. Na mesma linha, Carlos Mariani, representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), disse na Cúpula Empresarial UE-America Latina que o temor brasileiro é com a China e não com a indústria europeia.
Para Jorge, a atenção tem de ser redobrada sobre as importações, como as procedentes da China. Ele disse que o MDIC vai atuar mais em cooperação com o Ministério da Fazenda e Receita, para atacar não apenas dumping, como também subfaturamento e aumentar a fiscalização. A China atualmente é alvo do maior número de investigações antidumping por parte do Brasil, uma situação similar ao que ocorre globalmente.
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