15.04.10 - qui

Brics ganham importância significativa no comércio internacional, diz Ipea

Países do bloco reforçaram sua presença mundial em 12 anos, apesar das 'diferenças comparativas'
Unidos por características em comum como vasto território, grande população e altas taxas de crescimento econômico, os países que formam o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) têm perfis bem distintos quando o assunto é vantagem comparativa. A observação foi feita em estudo apresentado nesta quarta-feira, 14, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), destacando que o bloco apresentou aumento significativo de importância quando o tema é o comércio internacional.
De acordo com o levantamento, apesar do crescimento da corrente global entre 1996 e 2008 ter praticamente dobrado nesses 12 anos, os Brics reforçaram a sua importância no mercado mundial, apresentando taxas de exportação ainda mais elevadas. "Ainda assim, os Brics possuem grandes diferenças", resume o documento.
O comunicado 43 do Ipea, intitulado "Rússia, Índia e China: Comércio Exterior e Investimento Direto Externo", salienta que o Brasil apresenta elevada vantagem comparativa em produtos intensivos, em recursos naturais e primários agropecuários. "Neste último, a vantagem é crescente", afirma o estudo.
A Rússia, de acordo com o levantamento, possui competitividade "muito acima dos demais" no comércio de primários minerais, ainda que o Brasil apresente uma leve tendência e aumento na vantagem desse tipo de bem. Já a Índia sustenta a sua elevada vantagem comparativa em produtos intensivos em trabalho. "Além disso, tem aumentado consistentemente sua competitividade em bens intensivos de recursos naturais." A
China, por sua vez, continua com elevada vantagem em produtos intensivos de mão-de-obra. "Contudo, ela foi a única economia, entre os Brics, que conseguiu atingir uma situação de elevada competitividade em bens intensivos em tecnologia", afirmam os técnicos do Ipea.
Para fazer as comparações, o Instituto utilizou o Índice de Vantagens Comparativas Reveladas (IVCR) - um país não pode ser considerado como detentor de vantagens comparativas no comércio de um determinado produto quando o IVCR apresentar valores inferiores a 1. No comunicado 43, o Ipea registra os 10 produtos com maior IVCR de cada país. No caso do Brasil, os três primeiros colocados são minério de ferro (IVCR de 25,36), óleo de semente (18,13) e tabaco não-manufaturado (18,02). Na China, os destaques são seda (11,49), coque (produto derivado do carvão), semi-coque (6,06) e cerâmica (4,62). Entre os produtos com maior IVCR da Índia estão gás de carvão, gás d'água (44,05), arroz (15,14) e pérolas e pedras preciosas (14,23). Por fim, a Russia: níquel (12,02), madeira bruta (11,31) e gás natural (10,64).
O documento revela ainda que, do ponto de vista econômico, os quatro países possuem modelos de desenvolvimento distintos. O Brasil se caracteriza como uma economia com elevada participação do consumo e mercado doméstico forte. A Rússia, segundo o Ipea, tem seu desenvolvimento baseado nas vendas externas de commodities energéticas. A Índia aproveitou a disparada das exportações de serviços para crescer a taxas elevadas. "E tem aumentado sua competitividade em diversos outros setores", considera o levantamento. Já o desenvolvimento chinês, segundo o Instituto, é dirigido pelas exportações de manufaturas e por elevadas taxas de investimento. Além disso, destaca que o mercado consumidor externo está se expandindo rapidamente.
O estudo traz ainda um detalhado panorama da internacionalização das empresas russas, indianas e chinesas e o papel desses países em relação aos investimentos fora de seus territórios. Destaca, por exemplo, que a Rússia se tornou a maior fonte de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) dentro dos Brics, após a valorização das commodities minerais na década de 2000. O país ocupa a 14ª posição entre os maiores investidores externos em âmbito global, com a soma de US$ 203 bilhões em IDE em 2008.
Em relação à Índia, o Ipea identificou que o país respondia por menos de 1% dos investimentos originados nos países em desenvolvimento em 2000 para mais de 6% ao final de 2008. "A saída de IDE da Índia é uma das dimensões mais notáveis da crescente integração desse país com a economia mundial, sobretudo após 2006".
Sobre a China, os autores enfatizaram as taxas de crescimento em torno de 10% nos últimos 30 anos. Com isso, além da importância obtida para o continente asiático, o país passou a exercer influência sobre outros mercados. "Essa internacionalização, que ganhou mais força somente na década de 2000, fez com que a China, já no final de 2008, se transformasse num importante investidor estrangeiro entre os países em desenvolvimento."
15.04.10 - qui

TAM foi a empresa aérea mais lucrativa da AL e EUA em 2009, diz Economatica

Segundo estudo, companhia lidera ganhos na região, com US$ 771 milhões; Gol é a segunda colocada (US$ 493 milhões)
A TAM fechou 2009 com lucro de US$ 771 milhões, o maior entre as 11 companhias aéreas de capital aberto da América Latina e dos Estados Unidos, segundo estudo da consultoria Economatica. A empresa é seguida pela Gol, com US$ 493 milhões e pela Lan Chile (US$ 231,4 milhões). As demais companhias são dos EUA, sendo que as últimas cinco colocadas apresentaram prejuízo no período - US  Airways (-US$ 205 milhões), Continental Airlines (-US$ 282 milhões), Ual Corp (-US$ 651 milhões),  Delta Air lines (-US$ 1, 237 bilhão) e AMR (-US$ 1,468 bilhão).
Um ano antes, a Lan Chile havia alcançado a maior lucratividade, com ganho de US$ 339,6 milhões. As brasileiras Gol e TAM apareciam na quinta e sexta colocações, respectivamente.
O estudo leva em conta os relatórios encaminhados à CVM, convertidos pelo dólar de 31 de dezembro de 2009 e 2008.
14.04.10 - qua

Brasil é o segundo mais atrativo entre emergentes

Os investidores dão sinais de maior otimismo e estão mais confiantes num crescimento robusto da economia mundial. É o revela pesquisa realizada pelo Bank of American Merrill Lynch com 282 gestores globais entre os dias 1º e 8 de abril.
Com a redução das tensões com a Grécia, os administradores de recursos puderam se concentrar na análise do comportamento da inflação, expectativa de expansão econômica e no resultado das empresas, diz o relatório.
Os mercados emergentes se mantêm como a região mais atrativa para os gestores. Entre os consultados, 31% têm expectativa de desempenho acima da média ("overweight") para esses países. As posições mantidas pelos gestores nos emergentes, no entanto, se mostraram menores pelo terceiro mês consecutivo.
Na lista de países emergentes preferidos pelos investidores no mês de abril, o Brasil aparece na vice-liderança, atrás apenas da Rússia. Na terceira colocação está a Tailândia. Os números mostram, no entanto, que os investidores reduziram suas posições em Rússia. Em contrapartida, elevaram o posicionamento em Brasil e Coreia. As apostas acima da média no México atingiram 24%, um sinal de confiança na recuperação da economia americana, ressalta o relatório. As posições defensivas se mantêm nos mercados de Israel, Malásia e Chile.
O maior otimismo dos gestores se reflete numa queda significativa na percepção de risco de crédito - apenas 37% dos executivos acreditam que ele está acima do normal em abril. Na pesquisa realizada no início de março, esse percentual era de 54%. Os investidores também reavaliaram a expectativa de alta de juros. A maior parte dos gestores (39%) acredita que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai elevar os juros no quarto trimestre do ano.
Mais do que o aumento dos lucros, os gestores listaram os dividendos e os investimentos das empresas como as prioridades a serem observadas nos balanços. É a primeira vez que isso ocorre desde dezembro de 2007. Os dividendos foram colocados em primeiro lugar por 27% dos respondentes e os investimentos, por 43%.
As aplicações dos gestores continuaram se revezando em títulos de renda fixa e ações. Entre os consultados, 52% estão com expectativa acima da média de mercado em ações. Mesmo com relação aos bancos, o pessimismo caiu. O total de investidores que esperam que os papéis das instituições financeiras tenham desempenho abaixo da média ("underweight") somou 10% em abril ante 24% em março.
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