19.10.10 - ter

Baixa na infraestrutura atrasa recuperação econômica

Um estudo da Câmara de Comércio dos EUA, denominado Transportation Performance Index, mostrou um declínio significativo na infraestrutura de transporte norte-americana nos últimos cinco anos. O índice anual aponta a carência de estrutura para atender demanda interna e internacional da economia dos EUA.
"O desempenho do sistema de transporte do país não está mantendo o mesmo ritmo que a taxa de crescimento da demanda", disse o presidente e CEO da Câmara de Comércio dos EUA, Thomas J. Donohue. "À medida que nossa economia se recupera, o transporte do país deve estar preparado para atender ao aumento da carga e também da população".
Segundo o executivo, uma melhoria de 10 pontos no índice de transporte nacional poderia gerar um crescimento de 3% a mais no PIB do país. "No entanto, nosso índice mostra que a partir de agora até 2015, haverá um rápido declínio no desempenho do sistema, se continuarmos como está. Estamos em um caminho insustentável", atesta Donohue.
O Índice de Desempenho anual do transporte combina indicadores de oferta (disponibilidade), qualidade de serviço (confiabilidade, previsibilidade, segurança) e utilização (potencial de crescimento futuro) em todos os modos de transporte de passageiros e mercadorias - auto-estrada, transportes públicos, ferrovias, aviação, marítimo e intermodal - para mostrar o quanto o sistema de transporte dos EUA atende às necessidades das empresas e da economia americana em geral.

Comparação anual

O índice nacional foi de 51,24 em 2008, o que é uma ligeira melhoria a partir dos 50,74 obtidos em 2007. No entanto, a média suaviza as variações anuais e revela uma clara tendência descendente entre 2003 e 2009, demonstrando que o desempenho do sistema de transporte dos EUA não está acompanhando o ritmo da demanda nesse sistema.
"O limite é este: a deterioração da infraestrutura da nossa nação está colocando um obstáculo importante em nosso crescimento econômico", afirma Donohue. "Devemos nos concentrar em melhorar a forma de transporte para as empresas, eliminando os obstáculos para a manutenção, modernização e expansão da infraestrutura da nossa nação, com o aumento do investimento público e privado".
O déficit comercial, que já havia duplicado de US$ 100 bilhões para US$ 200 bilhões ao longo da década de 1990, avançou para a casa dos US$ 900 bilhões em 2008, com a participação da China já superando 35% desse montante. Mas o fator mais marcante foi o fato de que em 2001, pela primeira vez, o país tornou-se deficitário na balança comercial de bens de alta tecnologia, e desde então, o percentual negativo só tem aumentado, alcançado a casa dos US$ 50 bilhões em 2009.
18.10.10 - seg

Aeroportos ineficientes

São conhecidos, e cada vez mais graves, os gargalos da aviação civil no Brasil. Enquanto o crescimento da economia leva novos passageiros às salas de espera, faltam vagas nos pátios para comportar a necessária ampliação do número de vôos. O que já não bastaria, de toda forma -pois também faltam novos aeroportos.
Segundo um estudo contratado pelo BNDES, será preciso, até 2030, aumentar em 2,4 vezes a atual capacidade de transporte de passageiros, de 130 milhões para 310 milhões de pessoas por ano -o equivalente a construir "nove Guarulhos", como é conhecido o maior aeroporto do país.
Mesmo a escassa infraestrutura já existente funciona mal. A pedido da Folha, a Associação Internacional de Transporte Aéreo, principal entidade do setor, comparou a eficiência de aeroportos brasileiros e internacionais.
Segundo o levantamento, o tempo de conexão em Congonhas é de pelo menos uma hora. Leva-se em consideração, nessa contagem, os minutos gastos nas tarefas necessárias antes de a aeronave levantar vôo, como liberação de bagagens, acesso aos terminais, filas e manutenção.
No aeroporto central de Chicago, de tamanho e capacidade comparáveis ao paulistano, gasta-se menos da metade do tempo -25 minutos- em solo. Discrepâncias semelhantes foram encontradas na comparação entre Cumbica e o aeroporto de Gatwick, em Londres. Seria possível, com maior eficiência, aumentar a quantidade de vôos e a capacidade de transporte de passageiros.
O governo Lula resiste à idéia de abrir ao capital privado a responsável pela tarefa de gerir os aeroportos, a Infraero -afastando, assim, uma oportunidade de avançar na modernização do setor. Ainda que se mantenha essa opção, nada justifica a ineficiência da empresa, que precisa dizer a que veio neste momento em que a demanda exige respostas.
Ganhos de gestão também podem advir da delegação aos Estados do direito de construir e administrar aeroportos, bem como da concessão administrativa de algumas unidades à iniciativa privada. É preciso aumentar, com urgência, o tamanho e a qualidade dos investimentos no setor.

18.10.10 - seg

Produtos importados respondem por um quinto do consumo nacional

A indústria brasileira está, velozmente, perdendo espaço para as importações, que já respondem por um quinto de tudo que é consumido no País. O processo de substituição de matérias-primas e produtos acabados nacionais por estrangeiros, que vinha em um ritmo controlado, se acelerou nos últimos meses.
A participação dos produtos importados no consumo saltou de 15,7% no início de 2009 para 17,7% no primeiro trimestre deste ano e chegou ao recorde de 20% no terceiro - uma alta total de 4,3 pontos no período, conforme cálculo da LCA Consultores. Entre 2002 e 2008, o ritmo de crescimento era de 1,1% ao ano.
O Brasil se tornou alvo não só dos países desenvolvidos, como os Estados Unidos, que tentam sair da crise elevando suas exportações, mas também de outros emergentes, como a China, que perderam clientes importantes com a recessão nos mercados americano e europeu.
A valorização do real tornou mais fácil a tarefa dos estrangeiros, porque reduziu o preço dos produtos importados. O efeito benéfico das importações para o País é ajudar no controle da inflação, mas o fenômeno também começa a prejudicar as empresas, apesar do forte desempenho do mercado doméstico.
A produção industrial está estagnada desde março, enquanto as importações já ultrapassaram o nível do pré-crise. "Existe uma vazamento de demanda para o exterior", disse Flávio Castelo Branco, economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Os empresários reclamam do governo e pedem proteção, com o argumento de que a invasão dos importados provocou queda nas vendas, elevação dos estoques e redução da rentabilidade. Entre os setores mais afetados estão têxteis, máquinas, eletrônicos, carros e siderurgia.
"Hoje quem se beneficia do crescimento do Brasil não é a indústria brasileira", diz Sérgio Leite, vice-presidente de novos negócios da Usiminas. As vendas da siderúrgica caíram 20% do segundo trimestre para o terceiro (historicamente, o melhor do ano). A empresa informa que opera hoje com 80% da capacidade instalada, o que é considerado abaixo do ideal.

Efeito em cadeia

A substituição de produtos importados por nacionais está afetando toda a cadeia produtiva: máquinas, insumos e produtos acabados. Os carros importados, por exemplo, já respondem por 18% dos licenciamentos no Brasil (comparado com 13% em 2008).
As importações de veículos não estão mais restritas aos modelos de luxo. Também chegam carros médios, que concorrem diretamente com modelos feitos localmente. Segundo Rogelio Golfarb, diretor de assuntos corporativos da Ford, as margens de lucro estão comprimidas e nem mesmo a tarifa de importação de 35% (o máximo permitido ao Brasil na OMC) é suficiente para barrar a importação.
"É claro que o real valorizado também ajuda, mas não dá para colocar tudo na conta do câmbio", disse Golfarb. "Temos de fazer um esforço para aumentar nossa competitividade."
O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, chama a atenção para outro fator que "empurra" as empresas para a importação: o aumento do custo da mão de obra, principalmente por causa da falta de pessoal qualificado no País.
O ciclo se torna vicioso, porque um dos remédios das empresas para reduzir custos é exatamente aumentar a importação de insumos.
É o caso da RTS Válvulas Industriais. A fabricante de máquinas e equipamentos opera hoje com metade da sua capacidade, porque seus clientes evitam investir antes do resultado das eleições e por causa da concorrência dos produtos chineses.
Para reduzir seus custos, a RTS também decidiu aproveitar o câmbio barato e começou a importar aço inoxidável, seu principal insumo produtivo. "Se eu for utilizar o aço local, fico 100% fora do mercado", conta Pedro Lúcio, presidente da companhia.

Descompasso

A invasão de importados e o acúmulo de estoques pela indústria no início do ano provocaram um descompasso significativo entre a indústria e o varejo, que continua apresentando resultados espetaculares. Entre junho e agosto, comparados com os três meses anteriores, o varejo cresceu 7,5% e a produção industrial caiu 4,6%.
Os especialistas acreditam que a produção industrial vai se recuperar nos próximos meses, à medida que os estoques se normalizarem, mas estão preocupados com os efeitos da invasão dos importados.
"Não dá para negar que o setor externo provocou um dreno na economia, mas não dá para saber quanto tempo isso vai durar", disse Júlio Callegari, economista do JP Morgan. "Estamos em uma linha divisória."
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