18.09.09 - sex

Negócios: O salto da JBS

Empresa será a terceira em receita líquida no Brasil e a maior de proteínas no mundo, ultrapassando a Tyson. Em uma só tacada, a JBS S.A anunciou ontem (16.09) a fusão com a Bertin S.A e a aquisição da Pilgrim`s Pride, uma das maiores empresas de frango dos Estados Unidos.
Com as duas operações, a JBS torna-se a terceira maior empresa brasileira não financeira de capital aberto em receita líquida, conforme cálculos do Valor Data baseados em números de 2008. O resultado é uma receita líquida de R$ 51,6 bilhões, atrás apenas de Petrobras, com R$ 215,1 bilhões, e de Vale, com R$ 70,5 bilhões. A empresa também ficará muito à frente da BRF - Brasil Foods, resultado da compra da Sadia pela Perdigão, cujo faturamento líquido alcança R$ 22 bilhões (dados de 2008).
Os negócios também fazem a JBS tornar-se a maior empresa de proteínas do mundo, ultrapassando a americana Tyson Foods. A receita líquida da JBS, incluindo Bertin e Pilgrim`s, chega a US$ 28,725 bilhões, acima dos US$ 28,130 bilhões da Tyson, de acordo com cálculos da companhia brasileira baseados em resultados do ano passado.
A aquisição da Pilgrim`s Pride, que pediu proteção contra a falência em dezembro de 2008, significa nova diversificação da JBS, que estreia em aves. No Brasil e na Argentina, a empresa atua apenas em bovinos. Nos Estados Unidos e na Austrália, onde entrou por meio de aquisições, tem carne bovina e de suínos.
As duas transações são mais um capítulo da consolidação do setor de proteínas animais no Brasil, movimento que foi acelerado pela crise financeira internacional. Esta semana, a Marfrig, que chegou a negociar uma fusão com a Bertin, anunciou a compra da Seara, unidade de carnes da americana Cargill. Em maio deste ano, Perdigão e Sadia se juntaram para formar a Brasil Foods.
Na negociação com a Bertin, a JBS incorporará a empresa. Pelo acordo anunciado, os controladores do JBS transferirão todas as suas ações para uma holding, batizada de "Nova Holding", que reunirá ainda 73,1% do capital social da Bertin mediante aporte de seus atuais controladores. A estimativa é de que o peso da JBS na holding será de 60%, ficando a Bertin com 40%.
A JBS não divulgou os números para mostrar como chegou a tal participação na operação de troca de ações, mas analistas estimam que o valor da Bertin seja de pelo menos R$ 5,3 bilhões.
A fusão com a Bertin também marca a entrada da JBS em lácteos, já que a primeira comprou a Vigor em 2007. Assim, além de concorrentes em carnes e derivados, a JBS e a Brasil Foods vão competir também em leite, uma vez que a Perdigão já era dona da Batavo e da Eleva.
A aquisição da Pilgrim`s Pride será realizada por meio da JBS USA, subsidiária da JBS. A empresa vai comprar ações correspondentes a 64% do capital social total e votante da Pilgrim`s por US$ 800 milhões, em dinheiro. Os atuais acionistas da companhia americana ficarão com os 36% restantes. O acordo avalia a Pilgrim`s Pride em US$ 2,8 bilhões.
Após a fusão com a Bertin e a compra da Pilgrim`s, a JBS será líder em processamento de carne bovina no Brasil, na Austrália, na Argentina, na Itália e uma das maiores dos EUA, com capacidade de abate de 90,4 mil bovinos por dia. Será a terceira em suínos nos EUA, com capacidade de abate de 48,5 mil cabeças por dia, e uma das maiores em aves naquele país e globalmente, com capacidade de abate de 7,2 milhões frangos por dia.

Fonte:Revistaglobal


18.09.09 - sex

Negócios II: Fusão entre JBS-Friboi e Bertin preocupa produtores e rivais menores

Os produtores pedem que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) analise os efeitos sobre o mercado interno de carne bovina antes da aprovação da fusão. O anúncio da fusão entre JBS-Friboi e Bertin, dois gigantes do setor de carnes do Brasil, trouxe preocupação a produtores e pequenos frigoríficos. A concentração do setor é vista com apreensão no segmento.
Os produtores pedem que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) analise os efeitos sobre o mercado interno de carne bovina antes da aprovação da fusão.
"Vemos o surgimento de um oligopólio com características de monopólio, o que desequilibra ainda mais a relação entre produtores e indústria, que já não é equilibrada", afirma a presidente da Sociedade Rural do Paraná, Alexandre Kireeff.
A falta de organização dos produtores, que negociam individualmente suas vendas, é apontada por José Antônio Pontes, presidente da ANPBC (Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte), como um dos principais fatores de apreensão com o negócio.
Em Mato Grosso, a fusão pode fazer com que a nova holding seja responsável por 50% do abate no Estado, diz Eduardo Alves Ferreira Neto, tesoureiro da Famato (federação da agricultura e da pecuária do Estado). Segundo ele, essa concentração "acaba com as opções de comercialização por parte dos pecuaristas".
"O fazendeiro, que já está num momento difícil por conta da cotação da arroba e da dificuldade de abater o gado, tem que ficar mais atento ainda para evitar o controle do preço do boi por parte de poucas indústrias", diz o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso, Mário Figueiredo.
O presidente da Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos), Péricles Salazar, pede uma análise séria do Cade, para que se mantenham as condições de competitividade e equilíbrio no mercado interno do setor de carnes.
"Essa junção vai trazer um impacto violento no mercado e vai atingir as duas pontas da cadeia, com prejuízos para produtores e para consumidores."
A notícia também é recebida com apreensão pelas entidades nacionais que representam os produtores. "Tem o lado bom, que é o fortalecimento da indústria, o que, em tese, beneficia o produtor. Mas há a possibilidade de a empresa mandar no mercado, ditar normas, manusear preço", afirma o presidente da comissão de pecuária de corte da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Antenor Nogueira.
A preocupação da Sociedade Rural Brasileira é semelhante. "Com estruturas grandiosas, você ganha em custos, consegue penetrar nos mercados e, teoricamente, tem chance de vender mais e melhor o produto. Mas, se não for uma empresa do bem, ela poderá manipular o mercado com o seu poder de compra", diz o presidente Cesário Ramalho da Silva.
No Rio Grande do Sul, longe da concorrência com a nova holding (os dois grupos não têm unidades no Estado), os pecuaristas são vozes discordantes sobre a fusão.
Carlos Sperotto, presidente da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul), disse serem "normais", após a crise, as fusões de grandes corporações, como já ocorreu com Sadia e Perdigão

Fonte:Revistaglobal

17.09.09 - qui

Exportações brasileiras de suco de laranja terão nova queda este ano

 Com a demanda global ainda retraída, sobretudo em mercados como a União Europeia e os Estados Unidos, e preços em baixos patamares, as exportações brasileiras de suco de laranja deverão encerrar 2009 com novas diminuições tanto no volume quanto na receita dos embarques, como já ocorreu em 2008.
Estimativas apresentadas pela recém-criada Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) apontam para um volume de vendas entre 1 milhão e 1,1 milhão toneladas, ante 1,291 milhão no ano passado, e para um faturamento equivalente da ordem de US$ 1,5 bilhão, uma queda de 25% em igual comparação.
Foram essas as variações negativas apontadas pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) na comparação entre os resultados dos oito primeiros meses deste ano e de 2008, o que sinaliza que o segmento não espera surpresas até dezembro, até porque o comportamento do mercado não dá margens para temores sobre possíveis pioras ou esperanças de melhoras.
Até agosto, os embarques brasileiros somaram 802 mil toneladas, ou US$ 1,051 bilhão. Todos os volumes divulgados incluem as tradicionais exportações de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) e as vendas de suco não concentrado (NFC), que entrou na pauta de exportações em 2003.

Fonte:ConexãoMaritima
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