03.09.10 - sex

Dados do Mdic mostram forte importação de bens de consumo pelo Amazonas

Os dados de importação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) mostram aumento muito expressivo da compra de bens de consumo duráveis do exterior pelo Estado do Amazonas em 2010 e um aumento na participação desses bens no total importado pelo Estado. A fatia dos bens duráveis passou de 22%, nos primeiros sete meses de 2008 e 2009, para 31% no mesmo período deste ano. Nas mesmas bases de comparação, pelos critérios de classificação do Mdic, encolheu o peso das matérias-primas e bens intermediários.
Segundo dados do Mdic, as importações do Estado do Amazonas alcançaram US$ 5,98 bilhões de janeiro a julho de 2010. Desse total, segundo a classificação por categoria de uso divulgada pelo ministério, as matérias-primas e bens intermediários alcançaram US$ 2,2 bilhões. Esse valor é bastante inferior ao total informado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) como gasto na aquisição de insumos do exterior, que somou US$ 4,7 bilhões até junho (último dado disponível).
Um olhar mais detido para os principais itens importados pelo Estado do Amazonas e classificados por categoria de uso, segundo os critérios do Mdic, mostra um aumento muito expressivo da compra de bens de consumo. De acordo com o Mdic, a compra desses bens somou US$ 1,88 bilhão nos primeiros sete meses deste ano. Esse valor corresponde a 11,5% do total de bens de consumo desembarcados no mesmo período no país.
O principal item de bens de consumo importados pelo Amazonas foi o de máquinas e aparelhos de uso doméstico. De janeiro a julho de 2008 (ano de forte crescimento), foram comprados US$ 692,59 milhões desses bens no exterior. Nos primeiros sete meses deste ano, essas compras subiram para US$ 1,34 bilhão - quase o dobro da importação de 2008. Mais do que isso, esse valor significa 63,6% das importações desse item em todo o país, no acumulado dos primeiros sete meses do ano. Ou seja, quase dois terços dos itens classificados como "máquinas e aparelhos de uso doméstico" ingressaram no país pelo Amazonas.
Segundo o Mdic, porém, a rubrica inclui não somente os produtos acabados, mas também peças e componentes de máquinas e aparelhos de uso doméstico. Seriam, portanto, peças e componentes importados por indústrias do Amazonas para produzir os bens finais. "Nesse caso, seria um item mais adequado para ser classificado entre matérias-primas e bens intermediários", acredita José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).
Dentro da classificação do Mdic das importações do Amazonas por categoria de uso, no entanto, existe o item "partes e peças para bens de consumo duráveis", o segundo item mais importante dentro da lista de desembarques de bens de consumo pelo Amazonas.
De janeiro a julho de 2008, foram importados US$ 165,7 milhões em partes e peças para bens de consumo duráveis. No acumulado até julho deste ano, esses desembarques aumentaram e atingiram US$ 205,2 milhões, numa elevação de 23,8%. "Esses dois exemplos mostram que talvez a importação de matérias-primas e produtos intermediários esteja maior do que indicam as classificações por categoria de uso", acredita Castro. Ou talvez a classificação de insumos divulgada pela Suframa inclua bens de consumo prontos.
03.09.10 - sex

Exportação perde espaço e representa 3% das vendas

Em 2005, de cada US$ 100 faturados pelo pólo industrial de Manaus, US$ 10,70 vinham das exportações. Essa participação foi declinando ano a ano. Em 2009, baixou para US$ 3,31. De janeiro a junho deste ano, ela caiu um pouco mais, para US$ 3,26. Os dados são da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
O que tem sustentado as receitas das indústrias do pólo são as vendas para o mercado nacional. Tirando o que foi comercializado na própria região da Zona Franca, as vendas para o mercado brasileiro representavam 68,3% do faturamento do pólo industrial em 2005. No ano passado, a fatia já havia avançado para 81,1%, percentual praticamente mantido no primeiro semestre deste ano.
Para José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a queda de 70% nas receitas de exportação nos últimos cinco anos, o aumento nas vendas para o mercado nacional e a forte elevação dos importados no total de insumos adquiridos no pólo industrial de Manaus representam um alerta para estudar a viabilidade da criação de novas zonas de processamento de exportação no país. "O objetivo dessas áreas é a interiorização do desenvolvimento, com produção voltada para as vendas ao exterior", argumenta.
Para Oldemar Ianck, superintendente-adjunto de projetos da Suframa, os números mais recentes são resultado dos efeitos da crise financeira, que afetou de forma mais contundente o mercado internacional do que a demanda doméstica. Ianck acredita que a Zona Franca ainda pode funcionar como plataforma de exportação para os países da América Latina.
Segundo dados da Suframa, entre os principais mercados de produtos do pólo de Manaus destacou-se no primeiro semestre de 2010 a Argentina, com 35% de participação na pauta de exportações local, além de Venezuela e Colômbia. "O importante é que há uma retomada. No ano passado tivemos exportações abaixo de US$ 1 bilhão, mas este ano provavelmente voltaremos a ultrapassar esse patamar."
O economista Gilmar Freitas, assessor da presidência da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), lembra que a produção da Zona Franca contribui para reduzir o volume de importações diretas totais do país. "Isso deve ser levado em consideração para analisar as exportações e a balança comercial da região."
03.09.10 - sex

México é prioridade para governo e companhias do Brasil

Uma missão diplomática brasileira passou a semana no México para discutir a aproximação comercial entre os dois países. O encontro, que se segue a discussões realizadas em junho, em Brasília, termina hoje e serviu para troca de informações em preparação para futuras negociações de um acordo de livre comércio.
"Ainda não estamos prontos para negociar o acordo de livre comércio, mas, quando estivermos, teremos muito mais conhecimento sobre a situação dos dois países", disse ao Valor um dos principais integrantes da missão, o diretor do departamento de Aladi e Integração Econômica no Itamaraty, Paulo França. A missão, abrigada em um acordo "estratégico de integração econômica" firmado entre os presidentes Luis Inácio Lula da Silva e Felipe Calderón, discutiu principalmente temas de investimentos e serviços, e tem integrantes do Itamaraty, dos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A presença das autoridades brasileiras no México demonstra que o mais a onda de violência do México não afetou substancialmente o interesse do governo e do setor privado brasileiros em ampliar as ligações comerciais e de investimentos com o México. O acordo de livre comércio, defendido por Calderón em sua visita ao Brasil, é considerado prioridade pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), mas enfrenta resistência de empresas mexicanas, especialmente as do setor de alimentos, que temem a competitividade dos concorrentes brasileiros.
"Os empresários brasileiros não se sentem desencorajados pela violência urbana", diz a gerente-executiva de Negociações Internacionais da CNI, Soraya Rosar. Ela não vê mudanças na disposição dos empresários brasileiros em ampliar negócios com o México. Ainda em setembro, uma missão de empresários mexicanos virá ao Brasil, para discutir oportunidades de comércio e investimento.
A violência preocupa, porém, alguns empresários com negócios na região, entre eles o diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação de Indústrias de São Paulo (Fiesp), Roberto Gianetti, cuja empresa, a Ethanol Trading, tem negócios com firmas mexicanas interessadas em projetos de etanol combustível no país.
Os negócios envolvem exportações de maquinas no valor de US$ 60 milhões, e não há sinal de que possam ser revistos devido à violência no México. Mas o temor de incidentes é crescente, diz Gianetti. "Quando mando funcionários para lá, fico sempre preocupado, há muita insegurança nas estradas", comenta ele.
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