24.09.09 - qui

BNDES quer ser pioneiro na adoção das novas regras

 O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apoia "com entusiasmo" as normas internacionais de contabilidade e pretende ser pioneiro entre os órgãos públicos na adoção do novo padrão.
"O BNDES se associa aos esforços do Conselho Federal de Contabilidade e das instituições internacionais em favor da introdução do sistema IFRS [normas internacionais de informações financeiras, na sigla em inglês]", disse ontem Luciano Coutinho, presidente do banco, em evento realizado em São Paulo.
Coutinho participou da "3ª Conferência Anual sobre Contabilidade e Responsabilidade para o Crescimento Econômico Regional na América Latina e Caribe (CReCER)", onde falou sobre a parceria do setor público e privado para sustentar o crescimento.
Segundo Coutinho, o banco "tem se engajado nessa questão [da contabilidade], mandamos gente para treinar no exterior", afirmou. "Queremos contribuir para a adoção de padrões de contabilidade de excelência", disse. "Queremos a implantação do IFRS de uma maneira que o próprio BNDES seja um exemplo."
Coutinho lembrou que a adoção do novo padrão, capitaneada pelo Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (Iasb, na sigla em inglês), com sede em Londres, é uma tendência mundial. "É um sistema baseado não em regras, mas em conceitos, ética e fidedignidade", afirmou. É por isso, disse, o esforço pela implantação do IFRS no Brasil, o que aumentará a confiança dos investidores no mercado de capitais do país.
"A minha presença [na conferência] em grande medida está relacionado ao empenho que empregamos na adoção das normas."
A processo de adoção do IFRS no Brasil começou em 2008 para as empresas com ações em bolsa e de grande porte. A previsão é que esteja concluído no fim de 2010.
Coutinho informou ontem que os desembolsos do BNDES somaram R$ 123,6 bilhões nos últimos 12 meses até agosto. No intervalo de um ano até julho, as liberações tinham sido de R$ 121,9 bilhões.
No evento, Coutinho citou ainda um estudo recente do banco que mostra que, passado o pior da crise, os projetos de investimento estão sendo retomados.
Segundo esse levantamento, em agosto de 2008 as empresas que atuam no país planejavam investimentos de R$ 781 bilhões no período de 2009 a 2012, volume que tombou para R$ 688 bilhões em dezembro passado, auge da turbulência financeira. Em agosto deste ano, com a melhora da confiança das empresas, o total de investimentos previstos se recuperou para R$ 731 bilhões.
Na visão de Coutinho, até o fim deste ano o volume de investimentos planejados deve empatar ou passar o total previsto em agosto de 2008. Essa recuperação, segundo ele, está sendo puxada pelos setores de energia e infraestrutura.
Sobre a elevação da nota de crédito do Brasil para grau de investimento pela Moody´s, o presidente do BNDES considerou que o movimento talvez tenha sido "tardio", mas que coroa a percepção vigente no mundo de que o risco do Brasil é menor em comparação com o de outros países emergentes.

Fonte:NetMarinha



24.09.09 - qui

Para o Brasil, Zelaya virou um 'problemão'

 O Brasil foi constrangido a aceitar o pedido do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, de se abrigar na embaixada brasileira em Tegucigalpa, e o considera um "problemão", que só será resolvido com pressão da comunidade internacional sobre o governo golpista. É o que diz um ministro próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo nega que sabia com antecedência da intenção de Zelaya de se abrigar na embaixada. O incidente desagradou ao Palácio do Planalto, dizem ministros e auxiliares de Lula, que, porém, evita críticas abertas a Zelaya por apoiá-lo contra os golpistas no país.
"Isso que aconteceu em Honduras é um sinal muito ruim do que pode acontecer em outros países", disse Lula em Nova York, ao afirmar que espera que os golpistas deixem Zelaya reassumir a Presidência. Lula aproveitou a Assembleia Geral da ONU para pedir uma reunião do Conselho de Segurança dedicada à crise hondurenha e conversar sobre o tema com o presidente dos EUA, Barack Obama.
Em seu discurso de quase 70 parágrafos, Lula inseriu um, entre uma referência ao embargo contra Cuba e a defesa do ambiente, para falar da necessidade de vontade política para mudanças. "Sem vontade política continuarão a proliferar golpes de Estado como o que derrubou o Presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, que se encontra, desde segunda-feira, refugiado na embaixada do Brasil em Tegucigalpa", lembrou. "A comunidade internacional exige que Zelaya reassuma imediatamente a Presidência de seu país e deve estar atenta à inviolabilidade da missão diplomática brasileira na capital hondurenha."
"Não criamos essa situação: ele é o presidente constitucional, estava no país e pediu abrigo", argumentou ontem o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia. "Estávamos obrigados a ajudá-lo, somos signatários da Convenção de Viena." Quem diz que o Brasil deveria negar a entrada de Zelaya na embaixada "nunca se viu na situação de pedir asilo em uma embaixada", comentou. "O impasse não é com a Embaixada do Brasil, é com os golpistas que não querem deixar o poder."
Reservadamente, membros do governo dizem que incomodou o uso feito por Zelaya das dependências diplomáticas do Brasil, transformadas em escritório político, com recepção de simpatizantes e jornalistas. Há dois dias, Lula pediu, por telefone e publicamente, que Zelaya fosse discreto, para "não permitir nenhum pretexto para que os golpistas resolvam praticar violência". Ontem, os apelos de discrição ao presidente deposto foram repetidos pelo Itamaraty. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse à BBC, que "não vai acontecer" o uso político da embaixada por Zelaya.
Também à BBC, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Inzulza, defendeu a atuação brasileira. "O governo do Brasil está atuando bem e atuou com o respaldo de toda, toda com letras maiúsculas, a comunidade internacional", disse.
Diferentemente do que havia acontecido na véspera, quando Zelaya chegou com dezenas de simpatizantes e a manifestação à porta da embaixada levou a repressão violenta das autoridades, o presidente deposto de Honduras limitou sua atuação ontem. O governo brasileiro evita oficializar o asilo político a Zelaya por avaliar que isso representaria um reconhecimento da grupo no poder, cuja legitimidade foi condenada unanimemente pelos países da OEA, inclusive os EUA.
Segundo país mais pobre da América Central, com um Produto Interno Bruto inferior a US$ 15 bilhões e exportações concentradas na venda de produtos básicos, Honduras tem menos de nove milhões de habitantes e taxa de desemprego de quase 30%. Um de seus programas sociais mais bem sucedidos é a distribuição de fogões a lenha para a população mais pobre. Esse é o país em que Zelaya, um grande fazendeiro beneficiário da extrema desigualdade de renda, chegou ao poder.
Contra elites políticas, bem situadas no Congresso e na Suprema Corte do país, Zelaya tentou fazer uma consulta sobre a possibilidade de reeleição, algo proibido na Constituição hondurenha. A tentativa foi identificada pelos opositores como um esforço de levar ao país ao modelo adotado por Hugo Chávez na Venezuela. Segundo um ministro de Lula, Zelaya é um "trapalhão político", que nem sequer teria segurança de que a consulta sobre a reeleição seria aceita.
Diplomatas experientes, que trabalharam no governo Fernando Henrique Cardoso, desconfiam da garantia do governo de que Lula foi pego de surpresa com a chegada de Zelaya à embaixada, onde entrou depois de contato telefônico da esposa, que o acompanhou. Semanas atrás, o próprio Zelaya foi recebido por Lula em Brasília, por onde passou também, há duas semanas, o presidente de El Salvador, Maurício Funes, que deu apoio logístico à viagem de retorno de Zelaya a Honduras. A mulher de Funes, Vânia, é filiada ao PT.
"Acredito que o governo brasileiro não teve nada com a situação, mas é difícil que não estivessem sabendo antes que Zelaya iria bater na porta da embaixada", comentou o embaixador Rubens Barbosa, diretor da Federação das Indústrias de São Paulo. "Acho muito difícil acreditar na versão de que tudo foi feito sem que o governo brasileiro soubesse antes", concorda o embaixador Luiz Felipe Lampreia, ex-ministro das Relações Exteriores.
Lampreia e Barbosa afirmam que Honduras é um país alheio à área de influência do Brasil, e que a acolhida a Zelaya cria riscos sérios de desmoralização para a diplomacia brasileira. "Uma coisa é dar apoio a Zelaya, o que foi correto; outra é assumir protagonismo", argumenta Lampreia. "O Brasil estava bem na foto, mas agora assumiu um risco com possibilidade restrita de retorno positivo", endossa Barbosa.

Fonte:NetMarinha
24.09.09 - qui

Investidor teme que dólar perca espaço na economia

 As possíveis propostas dos líderes mundiais reunidos esta semana na reunião do Grupo dos 20 em Pittsburgh, Estados Unidos, serão acompanhadas de perto por investidores temerosos de que a reestruturação da economia mundial possa corroer o papel dominante do dólar nas finanças e comércio internacionais. Questões cambiais não estão na agenda oficial da reunião, mas líderes das 20 maiores economias do mundo estão finalizando um plano que, se colocado em prática, encorajará mais poupança e disciplina fiscal nos EUA, ao mesmo tempo em que incentivará a China a reduzir sua grande dependência das exportações e se voltar mais ao consumo interno.
Se o plano ganhar fôlego, os investidores acreditam que o dólar pode ser pressionado à medida que a China e outros países asiáticos permitam que suas moedas se valorizem. Os esforços para corrigir os desequilíbrios mundiais ocorrem num momento difícil para o dólar americano, que caiu bastante com a migração de dinheiro dos investidores para aplicações de maior risco e melhores retornos que as taxas de juros dos EUA, de quase zero.
Os críticos, especialmente na China e na Rússia, trouxeram à tona a ideia de se criar uma alternativa ao dólar como principal divisa de reserva, e investidores como Warren Buffett e a Pacific Investment Management Co. (Pimco, uma grande administradora de recursos) expressaram preocupação sobre o vigor da moeda americana no longo prazo.
"A China e os EUA querem ambos reequilibrar a economia mundial, e permitir que haja um yuan mais forte ao longo do tempo ajudaria a se alcançar isso", diz Rebecca Patterson, diretora mundial de câmbio e commodities do JPMorgan Private Bank. "Menos intervenção chinesa para prevenir o fortalecimento do yuan faria com que a China, gradualmente, acumulasse menos reservas em dólar."
As vendas de mercadorias da China aos Estados Unidos a ajudaram a acumular a maior reserva internacional do mundo, de cerca de US$ 2,1 trilhões, parte deles aplicada em títulos do Tesouro americano. Essa enorme demanda por dívida dos EUA, por sua vez, ajudou a alimentar os booms imobiliário e de crédito nos EUA ao manter o custo do dinheiro a níveis extraordinariamente baixos.
O Índice do Dólar da ICE Futures, uma medida da divida americana em relação a seis de suas principais rivais, está em queda de quase 15% desde o pico mais recente, atingido em março de 2009, o que o devolve ao patamar de antes da crise financeira, que ganhou força em setembro do ano passado.
O plano na reunião do G-20, chamado de "Bases para Crescimento Equilibrado e Sustentado", iria essencialmente avalizar a ideia de um dólar mais fraco.
Permitir que o dólar afunde é uma estratégia de "negligência benigna", diz Stephen Jen, um diretor-gerente da BlueGold Capital Management LLP, de Londres. Em outras palavras, as autoridades americanas podem estar se concentrando nos benefícios de um dólar mais fraco - um empurrão econômico para as exportações e um reequilíbrio da economia mundial - em vez de se preocupar com um declínio radical da divisa. Mas se o dólar cair demais, pode amedrontar credores dos EUA e possivelmente aumentar o custo do crédito para o país.
A China comprou uma quantidade enorme de dólares para garantir que o yuan não se valorize e, em consequência, impulsionou sua economia, movida a exportações. Os analistas dizem que a China aguarda sinais mais claros de recuperação das exportações e da economia mundial antes de permitir que o yuan se valorize, o que seria um passo rumo a uma economia mais diversificada.
O possível afrouxamento da política monetária chinesa já é levado em conta por alguns investidores: o mercado de swaps sem entrega física em dólares e yuans - ou "non-deliverable swaps", uma forma de se apostar nas potenciais flutuações entre moedas pouco conversíveis - se movimentou em favor do yuan nas últimas semanas, indicando que os investidores preveem que ele se fortalecerá em relação ao dólar.
Os analistas acreditam que isso pode ocorrer nos próximos seis meses. Essa alta pode ser acompanhada pela valorização das moedas de países como Coreia do Sul, Taiwan e Cingapura.
O declínio recente do dólar também reacendeu os debates sobre o uso do dólar como a reserva preferida pelos bancos centrais do mundo - especialmente o da China. Os maiores nomes emergentes do G-20, o chamado Bric - Brasil, Rússia, Índia e China - já declaram este ano que o mundo deveria no futuro abandonar o dólar como reserva monetária, citando preocupações com o alto endividamento americano.

Fonte:NetMarinha
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