23.09.10 - qui

Brasil e Argentina voltam a negociar aumento de vôos

Após quatro anos de afastamento nas discussões relacionadas ao transporte aéreo, Brasil e Argentina voltam à mesa de diálogo na terça-feira, em paralelo ao encontro da Organização de Aviação Civil Internacional (Oaci), em Montreal. Os dois lados pretendem definir uma agenda de negociações. Para as autoridades brasileiras, uma das prioridades é ampliar o acordo bilateral que regula o número de vôos permitidos às companhias aéreas de cada país. TAM e Gol já ocupam, desde o fim de 2006, todas as 133 freqüências semanais a que o Brasil tem direito.
O interesse das empresas brasileiras é expandir a oferta de vôos, principalmente a Buenos Aires. "Queremos que o acordo seja ampliado", disse o vice-presidente comercial e de planejamento da TAM, Paulo Castello Branco. Segundo apurou o Valor, o governo brasileiro buscará acrescentar pelo menos 30 vôos por semana ao acordo. Isso seria suficiente, na avaliação oficial, para evitar gargalos na alta temporada e permitir a entrada de novos competidores, como Azul e Webjet.
Caso a ampliação não seja possível, teme-se a disparada nos preços das passagens a Buenos Aires, devido às altas taxas de ocupação, principalmente em julho e no fim do ano. Está claro que não será uma negociação fácil. "Não sei se vamos mexer no (acordo) bilateral, mas trabalharemos para intensificar o tráfego de passageiros entre o Brasil e a Argentina", afirmou ao Valor o secretário argentino de Transportes, Juan Pablo Schiavi.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) preparou uma série de argumentos para tentar convencer Schiavi, que se encontrará em Montreal com a presidente do órgão brasileiro, Solange Paiva Vieira. De acordo com pessoas que acompanham de perto o assunto, a Anac vai dizer que a abertura de novos vôos às aéreas brasileiras é fundamental para o cumprimento das metas de turismo receptivo fixadas pelo governo da Argentina. O país espera receber 5 milhões de turistas estrangeiros em 2010, um crescimento superior a 15%, dos quais 1 milhão viriam do Brasil.
A Aerolíneas Argentinas e a LAN, únicas companhias instaladas no país vizinho que fazem vôos ao Brasil, ocupam somente metade de sua cota no acordo bilateral. Em teoria, o crescimento da demanda por passagens a Buenos Aires e outras cidades argentinas pode se dar por essas duas companhias. Mas a experiência internacional, segundo especialistas, indica que apenas um terço dos passageiros aceita migrar às companhias de outros países - eles utilizam menos os programas de fidelização dessas companhias.
A Anac, conforme fontes próximas à agência, tem pelo menos outras duas preocupações nas conversas com os argentinos. A primeira diz respeito às regras e aos prazos de aprovação dos vôos fretados de companhias brasileiras, sobretudo nas férias de inverno. As empresas têm reclamado de "falta de previsibilidade" na avaliação dos pedidos de fretamentos, que não têm limites quantitativos impostos pelo acordo bilateral.
A segunda preocupação é com o Aeroparque, aeroporto central de Buenos Aires, que fica a dez minutos do centro - ao contrário de Ezeiza, localizado a quase uma hora e cujo acesso se dá por duas rodovias pedagiadas. Em março, o governo argentino liberou o uso do Aeroparque para vôos internacionais a destinos do MERCOSUL. Antes, só eram permitidos vôos domésticos e para Montevidéu. Mas, em um primeiro momento, só a Aerolíneas foi autorizada a usar o aeroporto. TAM e Gol se queixaram de discriminação no acesso ao terminal.
A Anac chegou a ameaçar, nos bastidores, com a revogação das autorizações que havia dado à Aerolíneas para vôos do Aeroparque ao Brasil. A TAM teve sua primeira rota a partir de lá (Buenos Aires-Porto Alegre) aprovada. Schiavi antecipou que foram liberados mais dois vôos diários à TAM e três para a Gol. Esses vôos - parte dos quais a Guarulhos - provavelmente serão inaugurados em dezembro, após uma reforma de 28 dias pela qual passará a pista do Aeroparque, a partir de 3 de novembro.
23.09.10 - qui

APM assume berço 2 em Itajaí

A APM Terminals Itajaí (Teconvi), que possui e opera uma concessão de terminal no Porto de Itajaí, assumirá o controle do Berço 2 do complexo, anteriormente administrado pela Autoridade Portuária de Itajaí. A empresa dará continuidade ao processo de reconstrução, com a instalação de infraestrutura elétrica e trilhos para guindaste na área do cais.
Os danos causados pela inundação do rio Itajaí-Açú em novembro de 2008 danificaram boa parte do complexo portuário, atingindo os dois berços e culminando na interrupção temporária das atividades. Espera-se que as obras sejam finalizadas nos próximos meses.
A APM Terminals Itajaí também terá prioridade de atracação no Berço 3 até 2013. Espera-se que as obras de dragagem do canal sejam iniciadas até o final deste ano.
Em 2009, o prejuízo caudado pelas inundações afetou o posto ocupado por Itajaí de segundo maior porto brasileiro, atrás apenas do complexo de Santos, quando chegou a operar um volume de 593 mil Teus no período, em comparação aos 682 mil Teus em 2007 e 694 mil Teus movimentados em 2008.
No primeiro semestre deste ano, a movimentação de contêineres obteve incremento de 78%, com um volume total para o ano projetado em mais de 1 milhão de Teus.
No último dia 13, a SEP (Secretaria Especial de Portos) reinaugurou o berço 1 do complexo, com a presença do Ministro dos Portos, Pedro Brito, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a diretoria do porto, representantes do setor e autoridades locais.
23.09.10 - qui

Santos bate recorde de cargas em agosto

O ministro da SEP (Secretaria Especial de Portos), Pedro Brito, informou ontem que o Porto de Santos superou pela primeira vez a marca de 9 milhões de toneladas de carga num mês, com a movimentação de 9,41 milhões de toneladas em agosto, 13,4% a mais que o registrado no mesmo mês do ano passado. No acumulado de janeiro a agosto de 2010, a movimentação no porto soma 62,88 milhões de toneladas, 17,4% a mais que nos primeiros oito meses de 2009.
"A previsão é que o Porto de Santos movimente 95 milhões de toneladas esse ano e facilmente vamos bater a marca das 100 milhões em 2011", disse o ministro no encerramento do 5º Fórum Brasil de Comércio Exterior, em Santos. Em 2009, o cais santista movimentou um total de 83,194 milhões de toneladas.
Apenas os embarques de açúcar atingiram no acumulado desse ano 12,55 milhões de toneladas, 19,8% a mais que as 10,48 milhões exportadas no mesmo período de 2009. "Nós temos a maior capacidade instalada do mundo para exportação de açúcar. Hoje aqui no Porto de Santos nós temos uma capacidade para exportar 203 mil toneladas de açúcar por dia e isso é a maior do mundo inteiro", disse Brito.
O ministro explicou que as medidas para diminuir as filas de navios açucareiros que ficam na barra aguardando atracar no porto não é uma questão de investimento. "É uma questão muito mais de ordenar esse fluxo de navios".
Segundo ele, as filas se devem principalmente ao fato do aumento na produção e do critério utilizado na exportação - onde o importador é o responsável pela contratação dos navios e pagamentos dos fretes. "Então esses navios que chegam aqui, chegam sem nenhum ordenamento, sem nenhum critério. O que a Autoridade Portuária vai fazer é controlar o acesso desses navios ao Porto de Santos", destacando que hoje o Brasil é o único exportador de açúcar do mundo. "A Índia não está exportando nada, a Rússia perdeu muito, ou seja, toda a exportação de açúcar está sendo feita pelo Brasil e 70% pelo Porto de Santos".
Entretanto, o que mais preocupa o ministro não é o acesso marítimo ao Porto de Santos e sim o acesso terrestre. "A grande prioridade é quanto a acessibilidade terrestre ao porto, hoje o gargalo não é portuário, é o gargalo logístico. As providências dentro do porto foram todas tomadas e nós temos que resolver agora a acessibilidade ao Porto de Santos", destacando a necessidade de ampliação o atendimento ferroviário.
De acordo com Brito, a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) está trabalhando em um plano de acessibilidade ao porto em parceria com os governos da Alemanha e da Espanha. "Temos que explorar toda a capacidade hidroviária, criando zonas de apoio logístico que possam desafogar o porto de Santos em relação aos caminhões que chegam diariamente do porto", disse o ministro, afirmando que esses estudos visam a intermodalidade e deverão ficar prontos até o final do ano.
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