08.04.10 - qui

Estudo sugere nova agenda para parceiros do Mercosul

Sem mudanças na relação entre Brasil e Argentina, o Mercosul tende a perder importância e os argentinos assistirão à concentração de novos investimentos e oportunidades de negócios em território brasileiro, alertam dois dos principais centros de estudos internacionais dos dois países, em documento a ser divulgado hoje, em Buenos Aires. Preparado por um grupo de quase 20 ex-integrantes de governo, empresários agrícolas e industriais e acadêmicos, o documento tem a intenção de sugerir uma nova agenda aos governos e influir nos debates para a sucessão presidencial no Brasil.
O documento lembra que, apesar da paralisia na integração institucional entre os dois países, aumentou a "rede de interesses empresariais", que envolve não só comércio, mas investimentos pesados dos dois lados. Calcula-se que os investimentos do Brasil na Argentina ultrapassam US$ 8 bilhões. Na Argentina, mais que duplicaram nos últimos três anos, e já representam cerca de um quarto de todo o investimento estrangeiro direto no país. "Chegamos à conclusão que é preciso escapar da agenda concentrada em comércio, e avançar em pontos onde há potencial de uma agenda positiva", diz o diretor da consultoria Abeceb, Dante Sica, ex-secretário de Indústria argentino.
No documento - resumo dos debates entre os especialistas -, o Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), do Brasil, e o Conselho Argentino de Relações Internacionais (Care) sugerem pelo menos seis pontos novos a serem incluídos na agenda de discussões dos dois países, entre eles uma política comum de "segurança alimentar" e oferta de proteínas para grandes mercados consumidores mundiais, criação de padrões e normas comuns no mercado de energia e integração dos mercados de capital, a começar pelos mercados de futuros.
"Até a desvalorização de 1999, havia canais de integração muito estruturados no setor privado, entre Brasil e Argentina, que desapareceram nos últimos anos", comenta o diretor-executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Augusto Fernandes, um dos autores do documento. Ele comenta que, nos anos 90, havia momentos em que se reunia mais para discutir projetos comuns com representantes da União Industrial Argentina do que com algumas federações estaduais brasileiras. "O Conselho de Indústrias do Mercosul tinha reuniões mensais, hoje não tem nenhuma", diz ele.
Na pratica, as empresas vêm aumentando operações em ambos os países, como no caso dos produtores de soja Los Grobo, empresa de maioria de capital argentina com sócios brasileiros, cujo presidente, Gustavo Grobocopatel, participou das discussões promovidas pelo Cindes e pela Universidad de San Andrés. As barreiras de investimento e comércio e a falta de coordenação entre os dois países elevam custos e reduzem a competitividade, diz o estudo. As empresas que têm se expandido entre os dois vizinhos sentem necessidade de maior estabilidade e previsibilidade nas regras comuns.
Os argentinos resistem, ainda, à pressão, no Brasil para dar maior ênfase à necessidade de eliminar barreiras ao comércio. "Há uma grande preocupação com as chamadas assimetrias entre os dois países, mas não se conhecem propostas para resolver essa questão definitivamente", reconhece Sandra Rios, do Cindes. O documento menciona que as barreiras protecionistas e a hostilidade a soluções de mercado podem proteger a Argentina da competição e da migração de investimentos ao Brasil temporariamente, mas é insustentável a longo prazo. "A distância econômica entre o Brasil e a Argentina tenderia a crescer, fortalecendo as percepções recíprocas que hoje afastam os dois países."
Até os especialistas argentinos concordam que é difícil por em prática projetos comuns, devido à aversão do governo de Cristina Kirchner aos temas internacionais. "O governo argentino só pensa na política externa em termos da repercussão na política interna, nos interesses políticos nas províncias", lamenta Sica. "A Argentina perde presença internacional e o Mercosul vive completa apatia", diz.
08.04.10 - qui

Cuba deve abrir parte de seu setor de açúcar

Cuba já foi sinônimo de açúcar. Nos anos 60 e 70, o então ditador Fidel Castro fazia campanhas para o aumento da produção em prol da revolução. Mas a situação mudou e a ilha caribenha está agora buscando investimentos para reviver o setor.
O Ministério do Açúcar de Cuba será fechado nos próximos meses e substituído por uma corporação estatal, na mais importante reorganização da outrora próspera indústria açucareira do país, desde que ela encolheu drasticamente de tamanho na última década. Segundo fontes do setor, os planos de criação da nova corporação açucareira e revitalização do setor permitirão, entre outras coisas, os investimentos estrangeiros e o fechamento de usinas de açúcar ineficientes. Esses planos devem ser aprovados em breve pelo presidente Raúl Castro. Essas fontes conhecem bem o setor e pediram para não ser identificadas.
O fim iminente do ministério parece ser o último capítulo do declínio dramático da indústria açucareira de Cuba, onde o açúcar já reinou, mas hoje responde por menos de 5% da receita cambial.
A mais nova iniciativa é parecida a outras reformas agrícolas feitas por Castro, que substituiu o irmão mais velho, Fidel, em 2008, e está tentando aumentar a produção de alimentos afrouxando o controle do governo comunista sobre a agricultura.
A queda de Cuba da posição de maior exportador de açúcar do mundo, cuja produção já atingiu 8 milhões de toneladas de açúcar cristalizado anuais, começou com o colapso da União Soviética em 1991. Desde então, o setor declinou incessantemente e a produção da atual safra deverá ficar em apenas 1,2 milhão de toneladas.
Mas, com a reorganização que se aproxima, "no médio prazo eles esperam aumentar a produção para 2,8 milhões de toneladas usando um número menor de usinas", disse uma fonte cubana com grande conhecimento do setor açucareiro. "O rendimento por hectare está atualmente em cerca de 3 toneladas e o objetivo é elevar isso para pelo menos 6 toneladas", acrescentou a fonte. O padrão internacional é de 8 toneladas por hectare.
Cuba consome atualmente um mínimo de 700 mil toneladas de açúcar por ano.
Corporações parecidas com a que está sendo planejada para cuidar da produção açucareira já operam com sócios estrangeiros na produção de níquel (Cubaniquel), e petróleo e gás (Cubapetroleo), sob o Ministério da Indústria de Base
Ainda não está claro se a nova companhia do setor açucareiro ficará subordinada ao Ministério da Agricultura ou a alguma outra autoridade governamental.
"A nova estrutura dará àqueles responsáveis pela tomada de decisões no setor mais autonomia e permitirá a eles manter um porcentual das receitas para reinvestimentos", informou um economista cubano, pedindo, assim como as demais fontes, para não ter seu nome revelado.
Os Estados Unidos, antes da revolução cubana de 1959, e a União Soviética, posteriormente, pagaram preços inflados pelo açúcar cubano para estimular a economia da ilha, de modo que o colapso do bloco soviético atingiu duramente Cuba e sua indústria açucareira.
Hoje, as exportações de serviços técnicos são as maiores geradoras de receitas cambiais para Cuba, seguidas de outros serviços como aviação, turismo e comunicações, níquel, produtos refinados de petróleo, produtos farmacêuticos, charutos e só depois o açúcar.
Em 2002, num encolhimento dramático daquele que já foi o principal setor da ilha, Cuba fechou e desmanchou 71 de suas 156 usinas de açúcar - todas as 71 construídas antes da revolução. Em seguida, transferiu 60% das terras usadas no cultivo da cana para outros usos.
Mais de 200 mil dos 400 mil trabalhadores do setor foram transferidos para outros empregos e muitas cidades rurais que dependiam do açúcar ficaram estagnadas, com suas fábricas fechadas marcando o horizonte. Mais usinas fecharam desde então e, na atual safra, apenas 44 estão operando. Outras 20 vêm sendo mantidas em condições de funcionamento para uso futuro.
Apenas 700 mil hectares de um total de mais de 2 milhões de hectares antes controlados pelo Ministério do Açúcar de Cuba são hoje dedicados ao plantio da cana.
Sob Raúl Castro, antigas plantações de cana já foram transferidas para o Ministério da Agricultura e um grande sistema ferroviário para o transporte da cana das plantações para as usinas, e das usinas para os portos, foi transferido para o Ministério dos Transportes.
06.04.10 - ter

Carga em avião cresce 42% na América Latina

·         A demanda no transporte aéreo de carga na América Latina aumentou 41,9% em fevereiro, a maior alta e quase o dobro da expansão de 26,5% globalmente, comparado ao mesmo mês de 2009, revelou ontem a Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata). Na América do Norte, a expansão foi de 34,1% e na Ásia-Pacífico, de 34,5%. Em fevereiro, o tráfego aéreo internacional de passageiros também continuou a ter mais demanda. Comparado ao mesmo período de 2009, o crescimento foi de 9,5%. Na América Latina, a alta nesse segmento ficou em 8,5%. A expectativa é de que as companhias aéreas na região terão ganho de US$ 800 milhões este ano, segundo ano consecutivo de balanço positivo. "Estamos indo na direção certa. Em dois ou três meses a indústria deve voltar aos níveis de tráfego pré-crise" , afirmou o presidente da Iata, Giovanni Bisignani. Embora tenha comemorado os resultados, ele lembrou que a base comparativa é fraca, uma vez que fevereiro de 2009 marcou o pior momento da recessão para o transporte aéreo. "Esta não é uma recuperação total. A próxima tarefa é nos ajustar a dois anos de crescimento perdido", acrescentou Bisignani. Segundo a Iata, o tráfego de passageiros precisa crescer 1,4% e o transporte de carga subir 3% para retornarem aos níveis pré-crise. A forte alta no transporte de carga é atribuída à restauração de estoques pelas empresas. A taxa vai diminuir no segundo semestre, depois de os estoques terem atingido níveis normais, na expectativa da Iata. A partir daí, o menor crescimento em cargas será liderado pelo consumo e expansão do comércio mundial. Nos Estados Unidos, enquanto o PIB cresceu 5,9% no quarto trimestre de 2009, os gastos em consumo só aumentaram 1,7%. Apesar da alta da demanda pelo transporte aéreo, a Iata nota o fraco desempenho das companhias europeias. A expectativa é de que elas perderão US$ 2,2 bilhões este ano, comparado a prejuízo total de US$ 2,8 bilhoes das companhias.
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