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20.07.09 - seg
Carros brasileiros perdem espaço no cenário externo
Há dez anos, a indústria automobilística desfilava no topo da relação dos maiores exportadores do país. À época, as quatro veteranas ocupavam lugar de destaque entre os dez primeiros colocados - Fiat no quarto lugar, Ford, no sétimo, Volkswagen no oitavo e General Motors no décimo. Hoje apenas a Volks ainda segura um espaço nessa lista. As demais caíram para posições próximas do trigésimo lugar. De maneira súbita, os carros brasileiros começaram a desaparecer das ruas de outros países, um cenário com o qual os próprios executivos das montadoras parecem ainda desabituados.
Nos escritórios da poderosa indústria automobilística ainda parece um pouco estranho deixar de lado o antigo orgulho de puxar o resultado positivo da balança comercial brasileira. Exportação é hoje um tema que desanima o setor. E a falta de perspectivas de mudança do quadro faz com que a maioria dos executivos sequer queira falar a respeito.
O ápice do enfraquecimento das vendas externas surgiu da combinação da valorização do real com a crise nas economias dos principais destinos dos veículos brasileiros. O volume acumulado no semestre diminuiu quase 48% na comparação com os seis primeiros meses de 2008. Dependendo do mercado e do fabricante, a retração foi até maior.
Mas a queda brutal, que culminou com o novo cenário econômico, aparece depois de um processo, que já dura dois anos, de gradativo desvio do foco das montadoras para o mercado doméstico. Esse quadro resulta da estratégia dos próprios fabricantes de veículos, que construíram mais fábricas em novos países emergentes, como o Leste Europeu, para abastecer mercados até então atendidos pelas linhas de montagem do Brasil.
Em 2005, o volume de veículos vendidos no exterior representou mais de 35% da produção brasileira. No ano passado, a participação dos mercados externos caiu para 22,8% e nos seis primeiros meses de 2009 ficou em 13,6%, derrubando a maior parte das previsões para o ano.
A Fiat, grande vedete do mercado externo no passado, foi a maior exportadora entre os fabricantes de veículos até 2004. Chegou a vender no exterior metade da produção. No ano passado, a fatia das exportações ficou em 10,82% e no primeiro semestre deste ano em apenas 4,31%. Este ano, na lista geral das empresas que mais exportam no país, a montadora italiana ocupa a 32ª posição, logo atrás da General Motors, no 31º lugar, e da Ford, no 29º .
A participação das exportações na produção brasileira da GM foi de 6,83% no acumulado do ano. "A queda da venda de veículos nos mercados que compram do Brasil foi dramática", afirma o presidente da GM, Jaime Ardila, ao lembrar que as vendas externas representavam 30% da receita da companhia em 2006 e 2007. Na melhor das hipóteses, o volume que o executivo espera vender este ano equivale a um terço das 100 mil unidades exportadas em 2008. "Vamos ficar entre 30 mil e 35 mil", afirma.
Já faz um bom tempo que a GM do Brasil perdeu contratos nos países da região andina, que substituíram o Brasil pelas fábricas da própria GM na Coreia do Sul. "É difícil competir com esse câmbio", diz Ardila.
No caso específico da Coreia, seu perfil exportador faz com que o país jogue mais pesado na competição global numa crise como a atual, segundo o diretor de importação, exportação e planejamento de vendas da Ford, Dante Marchiori. "Países mais dependentes da exportação baixam os preços, em uma estratégia agressiva que nós não podemos acompanhar", diz.
A Ford reduziu a participação das exportações na produção de carros e comerciais leves de 26% em 2008 para 15,8% no acumulado deste ano. Na crise, o México deixou de ser o principal destino dos veículos Ford. A Argentina passou a ocupar o primeiro lugar, mas com muitas dificuldades também. De janeiro a junho, as vendas da montadora para o mercado argentino somaram 18,6 mil unidades, uma queda de 30%.
A consultora Letícia Costa, vice-presidente da Booz & Company, considera saudável uma participação entre 20% e 25% das exportações na produção de veículos no Brasil. Ela lembra que o setor começou a se voltar para o mercado interno em 2004, mas "pretende ter sempre um pé na exportação".
"Nosso foco maior é o mercado interno", confirma Marchiori, da Ford. "Embora traga divisas, a venda ao exterior é mais sujeita a fatores que fogem do nosso controle", completa. O executivo lembra que a indústria estaria em uma situação muito ruim não fosse o aquecimento do mercado interno, estimulado pelo incentivo da redução do IPI.
Além de menores, os mercados para onde seguem os carros brasileiros são muito mais parecidos com o do Brasil. Na maioria dos casos, o produto que ultrapassa as fronteiras hoje é simples e robusto o suficiente para enfrentar ruas e estradas esburacadas. É por isso que no mapa das exportações destacam-se o cone Sul e América Central, além de África.
Ficaram para trás, portanto, as épocas glomourosas em que navios com carros brasileiros rumavam para mercados exigentes e rigorosos no controle ambiental e nos itens de segurança. Nos anos 80, um tipo de Voyage produzido na época pela Volkswagen do Brasil era vendido nos Estados Unidos com o nome de Fox e saía da fábrica com dezenas de alterações em itens de segurança e conforto em relação ao similar vendido no Brasil. As mudanças feitas pelas montadoras no produto vendido em outros países hoje limitam-se basicamente a calibrações para o carro poder receber combustíveis diferentes dos vendidos no Brasil.
Já se foi o tempo também em a filial brasileira da Fiat enviava grandes volumes de modelo Fiorino para a Itália. O contrato cessou quando a própria Fiat decidiu que o sucessor do veículo, o Dobló, seria feito também na fábrica da Turquia. Hoje, a Fiat do Brasil ainda vende carros para a Europa, mas em pequenas quantidades. O principal destino externo da Fiat é a Argentina, que fica hoje com 76% dos carros exportados pela montadora. O restante da América Latina recebe 16% e a Europa, 8%.
O modelo fabricado pela montadora italiana que circula em território europeu é a picape Strada, que não tem similar produzido na Europa. Graças a esse modelo, os mercados da Itália, Alemanha, Noruega, Portugal e Grécia são importadores de carros feitos em Minas Gerais, embora as participações desses destinos nas vendas externas da Fiat sejam pequenas (4,7%, 0,8%, 0,7%, 0,4% e 0,4%, respectivamente).
Fonte:NetMarinha
Nos escritórios da poderosa indústria automobilística ainda parece um pouco estranho deixar de lado o antigo orgulho de puxar o resultado positivo da balança comercial brasileira. Exportação é hoje um tema que desanima o setor. E a falta de perspectivas de mudança do quadro faz com que a maioria dos executivos sequer queira falar a respeito.
O ápice do enfraquecimento das vendas externas surgiu da combinação da valorização do real com a crise nas economias dos principais destinos dos veículos brasileiros. O volume acumulado no semestre diminuiu quase 48% na comparação com os seis primeiros meses de 2008. Dependendo do mercado e do fabricante, a retração foi até maior.
Mas a queda brutal, que culminou com o novo cenário econômico, aparece depois de um processo, que já dura dois anos, de gradativo desvio do foco das montadoras para o mercado doméstico. Esse quadro resulta da estratégia dos próprios fabricantes de veículos, que construíram mais fábricas em novos países emergentes, como o Leste Europeu, para abastecer mercados até então atendidos pelas linhas de montagem do Brasil.
Em 2005, o volume de veículos vendidos no exterior representou mais de 35% da produção brasileira. No ano passado, a participação dos mercados externos caiu para 22,8% e nos seis primeiros meses de 2009 ficou em 13,6%, derrubando a maior parte das previsões para o ano.
A Fiat, grande vedete do mercado externo no passado, foi a maior exportadora entre os fabricantes de veículos até 2004. Chegou a vender no exterior metade da produção. No ano passado, a fatia das exportações ficou em 10,82% e no primeiro semestre deste ano em apenas 4,31%. Este ano, na lista geral das empresas que mais exportam no país, a montadora italiana ocupa a 32ª posição, logo atrás da General Motors, no 31º lugar, e da Ford, no 29º .
A participação das exportações na produção brasileira da GM foi de 6,83% no acumulado do ano. "A queda da venda de veículos nos mercados que compram do Brasil foi dramática", afirma o presidente da GM, Jaime Ardila, ao lembrar que as vendas externas representavam 30% da receita da companhia em 2006 e 2007. Na melhor das hipóteses, o volume que o executivo espera vender este ano equivale a um terço das 100 mil unidades exportadas em 2008. "Vamos ficar entre 30 mil e 35 mil", afirma.
Já faz um bom tempo que a GM do Brasil perdeu contratos nos países da região andina, que substituíram o Brasil pelas fábricas da própria GM na Coreia do Sul. "É difícil competir com esse câmbio", diz Ardila.
No caso específico da Coreia, seu perfil exportador faz com que o país jogue mais pesado na competição global numa crise como a atual, segundo o diretor de importação, exportação e planejamento de vendas da Ford, Dante Marchiori. "Países mais dependentes da exportação baixam os preços, em uma estratégia agressiva que nós não podemos acompanhar", diz.
A Ford reduziu a participação das exportações na produção de carros e comerciais leves de 26% em 2008 para 15,8% no acumulado deste ano. Na crise, o México deixou de ser o principal destino dos veículos Ford. A Argentina passou a ocupar o primeiro lugar, mas com muitas dificuldades também. De janeiro a junho, as vendas da montadora para o mercado argentino somaram 18,6 mil unidades, uma queda de 30%.
A consultora Letícia Costa, vice-presidente da Booz & Company, considera saudável uma participação entre 20% e 25% das exportações na produção de veículos no Brasil. Ela lembra que o setor começou a se voltar para o mercado interno em 2004, mas "pretende ter sempre um pé na exportação".
"Nosso foco maior é o mercado interno", confirma Marchiori, da Ford. "Embora traga divisas, a venda ao exterior é mais sujeita a fatores que fogem do nosso controle", completa. O executivo lembra que a indústria estaria em uma situação muito ruim não fosse o aquecimento do mercado interno, estimulado pelo incentivo da redução do IPI.
Além de menores, os mercados para onde seguem os carros brasileiros são muito mais parecidos com o do Brasil. Na maioria dos casos, o produto que ultrapassa as fronteiras hoje é simples e robusto o suficiente para enfrentar ruas e estradas esburacadas. É por isso que no mapa das exportações destacam-se o cone Sul e América Central, além de África.
Ficaram para trás, portanto, as épocas glomourosas em que navios com carros brasileiros rumavam para mercados exigentes e rigorosos no controle ambiental e nos itens de segurança. Nos anos 80, um tipo de Voyage produzido na época pela Volkswagen do Brasil era vendido nos Estados Unidos com o nome de Fox e saía da fábrica com dezenas de alterações em itens de segurança e conforto em relação ao similar vendido no Brasil. As mudanças feitas pelas montadoras no produto vendido em outros países hoje limitam-se basicamente a calibrações para o carro poder receber combustíveis diferentes dos vendidos no Brasil.
Já se foi o tempo também em a filial brasileira da Fiat enviava grandes volumes de modelo Fiorino para a Itália. O contrato cessou quando a própria Fiat decidiu que o sucessor do veículo, o Dobló, seria feito também na fábrica da Turquia. Hoje, a Fiat do Brasil ainda vende carros para a Europa, mas em pequenas quantidades. O principal destino externo da Fiat é a Argentina, que fica hoje com 76% dos carros exportados pela montadora. O restante da América Latina recebe 16% e a Europa, 8%.
O modelo fabricado pela montadora italiana que circula em território europeu é a picape Strada, que não tem similar produzido na Europa. Graças a esse modelo, os mercados da Itália, Alemanha, Noruega, Portugal e Grécia são importadores de carros feitos em Minas Gerais, embora as participações desses destinos nas vendas externas da Fiat sejam pequenas (4,7%, 0,8%, 0,7%, 0,4% e 0,4%, respectivamente).
Fonte:NetMarinha
20.07.09 - seg
Exportadores poderão usar crédito-prêmio de IPI para quitar dívidas
O crédito-prêmio do IPI - estimado em R$ 288 bilhões pela Receita Federal e em R$ 70 bilhões pela indústria - poderá ser uma moeda aceita para quitar todo o tipo de débito das empresas exportadoras com o fisco, inclusive para pagar dívidas parceladas, mesmo se relativas a parcelamento de crédito com alíquota zero de IPI, conforme a emenda ao projeto de conversão da medida provisória 460, aprovada dia 7, por unanimidade, no Senado.
Se na apuração dos créditos do IPI - acumulados até dezembro de 2002, conforme autoriza a emenda - sobrar um saldo, a empresa poderá usá-lo para um vasto universo de finalidades: pagar dívidas próprias contraídas com o fisco mesmo depois de 2002; vender a terceiros; usar os créditos como garantia em execuções fiscais ou em operações de financiamento com bancos públicos ou privados; aplicar em fundos de investimento ou de infraestrutura e converte-los em títulos públicos federais remunerados pela Selic. Se, no fim das contas, a empresa ainda tiver débito tributário, ele poderá ser parcelado em 240 meses.
"Vai ser um dinheiro bom", comentou o ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel, ao examinar o texto da emenda nº 5 do projeto de conversão da MP 460, aprovada pelo Senado e que, em agosto, será votada na Câmara. Maciel, ao contrário do Senado, está convencido que a prorrogação do benefício fiscal até 2002 é um enorme equívoco e vê na emenda à MP 460 uma afronta ao Código Tributário. Para obedecer às determinações do código, esta que é uma "transação" tributária só pode ser feita "mediante concessões mútuas" e por lei específica e não pegando carona numa MP que trata do programa habitacional Minha Casa Minha Vida.
A polêmica solução dada pelo Senado a uma demanda jurídica que há décadas perambula pelos tribunais foi muito além do que havia indicado o Superior Tribunal de Justiça (STJ), que admitiu a vigência do crédito-prêmio do IPI até 1990, e o Supremo Tribunal Federal (STF), que em votação ainda não concluída indicou que a validade desse benefício fiscal poderia ser até 1983. O Senado estendeu a vigência do benefício por mais 12 anos, até 31 de dezembro de 2002, se antecipando ao STF.
As negociações do Senado com o governo para tratar da emenda se acentuaram este ano, como uma forma de ajudar os exportadores a se financiarem através do incentivo fiscal, dado que o "crash" de 2008 redundou numa forte contração do crédito externo. Esse foi o cenário onde a ideia prosperou, até ser aprovada por unanimidade.
Depois de aprovada, o Ministério da Fazenda divulgou duas notas oficiais condenando a emenda. Mas até então, segundo parlamentares envolvidos no assunto, as conversas vinham ocorrendo de forma "oficiosa" e não havia aparecido nenhuma objeção por parte do governo.
A solução encontrada na emenda, ao permitir um encontro de contas entre a União e as empresas exportadoras, daria um oxigênio financeiro principalmente às tradings e removeria uma grande incerteza jurídica que paira sobre governo e empresas, na visão de fontes oficiais.
A história do crédito-prêmio do IPI, criado originalmente em 1969, é um enredo em ziguezague recheado de erros. O benefício nasceu do decreto 461/69, sem data para acabar. Ele isentava de IPI os produtos destinados à exportação e permitia que as indústrias se creditassem do imposto pago na compra de matérias-primas. Passados dez anos, sobre pressão do então Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt), o governo editou o decreto-lei 1658, de janeiro de 1979, extinguindo o benefício de forma gradual até junho de 1983.
Em 1979, outro decreto tratou do tema, mas manteve a data de extinção. Se tudo tivesse parado aí, não haveria dúvida: o incentivo acabaria em 83. Em 1979 entrou em vigor, porém, outro decreto (de nº 1.724) com apenas dois artigos, delegando ao ministro da Fazenda competência para "reduzir, aumentar ou extinguir o crédito-prêmio do IPI". Nada mudou sobre o prazo final de vigência.
Passados dois anos, em 1981, mais um ato é assinado pelo governo, reiterando a delegação de competência ao ministro da Fazenda e estendendo o crédito-prêmio às empresas exclusivamente exportadoras. Até então, o benefício valia apenas para empresas que fabricassem e exportassem manufaturados. Este ato também não mudou o prazo de vigência.
A partir da delegação de competência, o ministro da Fazenda editou várias portarias dispondo sobre o benefício fiscal e, em duas delas - as portarias 252, de 1982, e a 176, de 1984, - prorrogou o incentivo até 1º de maio de 1985.
As empresas, através de seus advogados, porém, viram uma brecha para requerer a continuidade do crédito-prêmio do IPI para depois de 1985, a partir da tese de que a delegação de poderes para o ministro da Fazenda "reduzir, aumentar ou extinguir" o estímulo fiscal seria inconstitucional. O STF encerrou essa discussão em 2001, considerando de fato inconstitucional os dois decretos-lei que delegavam competência.
Abriu-se, então, o debate sobre até quando estava em vigor o crédito-prêmio. No entendimento dos defensores das empresas exportadoras, ele poderia ser usufruído até 5 de outubro de 1990, conforme disposições da Constituição de 1988, que deu esse prazo para a renovação dos incentivos setoriais então existentes. Outra vertente do mundo jurídico advogou que, por uma questão lógica, voltaria a valer a data de 1983.
Foi em torno desses prazos - 1983 ou 1990 - que o tema veio sendo tratado pelos tribunais superiores, até que a MP 460 deu de presente aos exportadores a possibilidade de reconhecer os créditos até 2002 e permitiu o uso dos créditos acumulados para a compensação de débitos, numa "transação" tributária. Mesmo as empresas que aderirem ao novo parcelamento criado pela lei 11.941, deste ano, poderão usar esses créditos para pagar as parcelas do programa. Cabe à Câmara, agora, aprovar ou mudar essa proposta.
Fonte:NetMarinha
Se na apuração dos créditos do IPI - acumulados até dezembro de 2002, conforme autoriza a emenda - sobrar um saldo, a empresa poderá usá-lo para um vasto universo de finalidades: pagar dívidas próprias contraídas com o fisco mesmo depois de 2002; vender a terceiros; usar os créditos como garantia em execuções fiscais ou em operações de financiamento com bancos públicos ou privados; aplicar em fundos de investimento ou de infraestrutura e converte-los em títulos públicos federais remunerados pela Selic. Se, no fim das contas, a empresa ainda tiver débito tributário, ele poderá ser parcelado em 240 meses.
"Vai ser um dinheiro bom", comentou o ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel, ao examinar o texto da emenda nº 5 do projeto de conversão da MP 460, aprovada pelo Senado e que, em agosto, será votada na Câmara. Maciel, ao contrário do Senado, está convencido que a prorrogação do benefício fiscal até 2002 é um enorme equívoco e vê na emenda à MP 460 uma afronta ao Código Tributário. Para obedecer às determinações do código, esta que é uma "transação" tributária só pode ser feita "mediante concessões mútuas" e por lei específica e não pegando carona numa MP que trata do programa habitacional Minha Casa Minha Vida.
A polêmica solução dada pelo Senado a uma demanda jurídica que há décadas perambula pelos tribunais foi muito além do que havia indicado o Superior Tribunal de Justiça (STJ), que admitiu a vigência do crédito-prêmio do IPI até 1990, e o Supremo Tribunal Federal (STF), que em votação ainda não concluída indicou que a validade desse benefício fiscal poderia ser até 1983. O Senado estendeu a vigência do benefício por mais 12 anos, até 31 de dezembro de 2002, se antecipando ao STF.
As negociações do Senado com o governo para tratar da emenda se acentuaram este ano, como uma forma de ajudar os exportadores a se financiarem através do incentivo fiscal, dado que o "crash" de 2008 redundou numa forte contração do crédito externo. Esse foi o cenário onde a ideia prosperou, até ser aprovada por unanimidade.
Depois de aprovada, o Ministério da Fazenda divulgou duas notas oficiais condenando a emenda. Mas até então, segundo parlamentares envolvidos no assunto, as conversas vinham ocorrendo de forma "oficiosa" e não havia aparecido nenhuma objeção por parte do governo.
A solução encontrada na emenda, ao permitir um encontro de contas entre a União e as empresas exportadoras, daria um oxigênio financeiro principalmente às tradings e removeria uma grande incerteza jurídica que paira sobre governo e empresas, na visão de fontes oficiais.
A história do crédito-prêmio do IPI, criado originalmente em 1969, é um enredo em ziguezague recheado de erros. O benefício nasceu do decreto 461/69, sem data para acabar. Ele isentava de IPI os produtos destinados à exportação e permitia que as indústrias se creditassem do imposto pago na compra de matérias-primas. Passados dez anos, sobre pressão do então Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt), o governo editou o decreto-lei 1658, de janeiro de 1979, extinguindo o benefício de forma gradual até junho de 1983.
Em 1979, outro decreto tratou do tema, mas manteve a data de extinção. Se tudo tivesse parado aí, não haveria dúvida: o incentivo acabaria em 83. Em 1979 entrou em vigor, porém, outro decreto (de nº 1.724) com apenas dois artigos, delegando ao ministro da Fazenda competência para "reduzir, aumentar ou extinguir o crédito-prêmio do IPI". Nada mudou sobre o prazo final de vigência.
Passados dois anos, em 1981, mais um ato é assinado pelo governo, reiterando a delegação de competência ao ministro da Fazenda e estendendo o crédito-prêmio às empresas exclusivamente exportadoras. Até então, o benefício valia apenas para empresas que fabricassem e exportassem manufaturados. Este ato também não mudou o prazo de vigência.
A partir da delegação de competência, o ministro da Fazenda editou várias portarias dispondo sobre o benefício fiscal e, em duas delas - as portarias 252, de 1982, e a 176, de 1984, - prorrogou o incentivo até 1º de maio de 1985.
As empresas, através de seus advogados, porém, viram uma brecha para requerer a continuidade do crédito-prêmio do IPI para depois de 1985, a partir da tese de que a delegação de poderes para o ministro da Fazenda "reduzir, aumentar ou extinguir" o estímulo fiscal seria inconstitucional. O STF encerrou essa discussão em 2001, considerando de fato inconstitucional os dois decretos-lei que delegavam competência.
Abriu-se, então, o debate sobre até quando estava em vigor o crédito-prêmio. No entendimento dos defensores das empresas exportadoras, ele poderia ser usufruído até 5 de outubro de 1990, conforme disposições da Constituição de 1988, que deu esse prazo para a renovação dos incentivos setoriais então existentes. Outra vertente do mundo jurídico advogou que, por uma questão lógica, voltaria a valer a data de 1983.
Foi em torno desses prazos - 1983 ou 1990 - que o tema veio sendo tratado pelos tribunais superiores, até que a MP 460 deu de presente aos exportadores a possibilidade de reconhecer os créditos até 2002 e permitiu o uso dos créditos acumulados para a compensação de débitos, numa "transação" tributária. Mesmo as empresas que aderirem ao novo parcelamento criado pela lei 11.941, deste ano, poderão usar esses créditos para pagar as parcelas do programa. Cabe à Câmara, agora, aprovar ou mudar essa proposta.
Fonte:NetMarinha
20.07.09 - seg
China: País volta a acelerar e pode cumprir meta de PIB
A economia da China está a caminho de atingir a meta de crescimento de 8% estipulada pelo governo para este ano, como resultado da elevação nos gastos do governo e do forte aumento na concessão de empréstimos bancários no segundo trimestre. A economia chinesa se expandiu a uma taxa anual de 7,9% no trimestre encerrado em junho, segundo informou ontem (16.07) o Escritório Nacional de Estatísticas (ENE), tendo os setores de investimentos, produção industrial e venda no varejo como os que mais contribuíram para o aumento na atividade econômica. O crescimento acelerado da China já elevou os preços de commodities como minério de ferro e cobre, e estimulou a atividade econômica de países exportadores de matérias primas, como a Austrália e o Brasil.
A velocidade da recuperação chinesa, sem estar acompanhada por uma aceleração na demanda vinda das economias desenvolvidas na América do Norte e na Europa, surpreendeu os economistas e obrigou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a revisar mais para cima a sua perspectiva para a economia mundial.
A injeção maciça de dinheiro na economia por parte do governo chinês reanimou ainda as bolhas de preços de ativos nos mercados acionários e imobiliários do país.
Li Xiaochao, porta-voz do ENE, disse que a economia "se estabilizou com mudanças positivas crescentes", depois de mergulhar drasticamente no fim do ano passado e de se expandir a uma taxa anual de apenas 6,1% no primeiro trimestre, o que levou muitos economistas a acreditar que o governo não teria condições de atingir sua meta de crescimento para o ano, de 8%.
Mas a política de estímulos do governo inverteu a rota descendente da economia, provocando revisões velozes por parte de muitos economistas, além do Banco Mundial, para reavaliar para cima a perspectiva da China.
"O montante de 1,530 trilhão de yuan [US$ 224 bilhões] em novos empréstimos concedidos em junho elevou o total de novas concessões de crédito no primeiro semestre do ano a 7,4 trilhões de yuan (US$ 1,08 trilhão, ou quase 25% da nossa estimativa para o PIB de 2009)", disse Wang Tao, do UBS, em Pequim. "Agora esperamos que a concessão de novos empréstimos em 2009 alcance 9 trilhões de yuan, uma velocidade de re-alavancagem sem precedentes na história da China".
Os empréstimos do sistema bancário e os gastos fiscais impulsionaram os investimentos em ativos fixos, o principal propulsor de crescimento, em 33,5% na primeira metade do ano, na comparação com o mesmo período em 2008.
Os incentivos do governo dirigidos para o consumo, como os descontos na compra de carros e na linha branca, ajudaram a sustentar os gastos no varejo, que anotou expansão de 15% no primeiro semestre do ano. Na sua coletiva de imprensa, Li pareceu indicar que o governo ainda não estava pronto para acionar os freios na economia. Apesar da clara intensificação do ímpeto, ele disse que a recuperação estava "desequilibrada".
Os dados trimestrais mais fortes que o esperado, porém, poderão reforçar o argumento que já está sendo postulado internamente pelo banco central e o órgão regulador dos bancos, de refrear a concessão de estímulos.
Fonte:RevistaGlobal
A velocidade da recuperação chinesa, sem estar acompanhada por uma aceleração na demanda vinda das economias desenvolvidas na América do Norte e na Europa, surpreendeu os economistas e obrigou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a revisar mais para cima a sua perspectiva para a economia mundial.
A injeção maciça de dinheiro na economia por parte do governo chinês reanimou ainda as bolhas de preços de ativos nos mercados acionários e imobiliários do país.
Li Xiaochao, porta-voz do ENE, disse que a economia "se estabilizou com mudanças positivas crescentes", depois de mergulhar drasticamente no fim do ano passado e de se expandir a uma taxa anual de apenas 6,1% no primeiro trimestre, o que levou muitos economistas a acreditar que o governo não teria condições de atingir sua meta de crescimento para o ano, de 8%.
Mas a política de estímulos do governo inverteu a rota descendente da economia, provocando revisões velozes por parte de muitos economistas, além do Banco Mundial, para reavaliar para cima a perspectiva da China.
"O montante de 1,530 trilhão de yuan [US$ 224 bilhões] em novos empréstimos concedidos em junho elevou o total de novas concessões de crédito no primeiro semestre do ano a 7,4 trilhões de yuan (US$ 1,08 trilhão, ou quase 25% da nossa estimativa para o PIB de 2009)", disse Wang Tao, do UBS, em Pequim. "Agora esperamos que a concessão de novos empréstimos em 2009 alcance 9 trilhões de yuan, uma velocidade de re-alavancagem sem precedentes na história da China".
Os empréstimos do sistema bancário e os gastos fiscais impulsionaram os investimentos em ativos fixos, o principal propulsor de crescimento, em 33,5% na primeira metade do ano, na comparação com o mesmo período em 2008.
Os incentivos do governo dirigidos para o consumo, como os descontos na compra de carros e na linha branca, ajudaram a sustentar os gastos no varejo, que anotou expansão de 15% no primeiro semestre do ano. Na sua coletiva de imprensa, Li pareceu indicar que o governo ainda não estava pronto para acionar os freios na economia. Apesar da clara intensificação do ímpeto, ele disse que a recuperação estava "desequilibrada".
Os dados trimestrais mais fortes que o esperado, porém, poderão reforçar o argumento que já está sendo postulado internamente pelo banco central e o órgão regulador dos bancos, de refrear a concessão de estímulos.
Fonte:RevistaGlobal



