Arquivo de Notícias: julho - 2009

30.07.09 - qui

Por falta de boi, Brasil deixa novamente de cumprir a cota Hilton

 Enquanto a Argentina, onde o governo restringe as exportações de carne bovina, conseguiu cumprir 99,99% de sua fatia da cota Hilton, de 28 mil toneladas, o Brasil, que tem um volume de 5 mil toneladas, só cumpriu 25,32% (1,266 mil toneladas). Os números do volume de cortes nobres destinado ao mercado europeu se referem ao ano-cota 2008/2009, que começou em 1 de julho do ano passado e terminou no último dia 30 de junho.
Novamente, as restrições impostas pela União Europeia à carne brasileira a partir do início de 2008, alegando problemas na rastreabilidade do gado bovino no país, foram a principal razão para o desempenho pífio do Brasil. No ano-cota anterior, o país também não conseguiu cumprir o volume de 5 mil toneladas - exportou 49,62% da cota ou 2.481 toneladas. Mesmo assim o desempenho foi melhor que no último ano, quando além da menor oferta de animais para abate, frigoríficos em dificuldades financeiras deixaram de exportar as suas fatias na cota Hilton, caso do Independência.
A pergunta agora é como o Brasil conseguirá cumprir a cota adicional de 5 mil toneladas de Hilton, que acaba de obter como compensação pelas perdas que registrou depois da entrada de Bulgária e Romênia na UE em 2007, se não foi capaz de exportar nem as 5 mil toneladas que já tinha?
"Tudo depende da flexibilização [das regras] da UE para que haja mais fazendas para exportar", afirma Otávio Cançado, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne Bovina (Abiec). Ele se refere à regra da UE que prevê que só uma lista restrita de fazendas rastreadas e certificadas podem fornecer animais para abate e exportação da carne ao bloco europeu.
Hoje 1.329 fazendas do país estão habilitadas para esse fim. E o número cresce lentamente, já que o sistema de certificação é trabalhoso, rigoroso e burocrático.
O Ministério da Agricultura fala na possibilidade de flexibilização por parte da UE - sem que a segurança do sistema de certificação seja comprometida - há meses. Eventuais mudanças, porém, dependem do resultado da missão da UE que esteve no país para avaliar o sistema de rastreabilidade do gado.
Segundo o presidente do Fórum de Secretários Estaduais, Gilman Viana, a adesão ao processo de rastreabilidade "perdeu velocidade, o prêmio para animais rastreados caiu de R$ 12 para R$ 8 por arroba". Mas o secretário de Minas diz que há "sinais claros" de retomada. "Os frigoríficos demonstram interesse, a UE já começa a pagar melhor e o sinal de retomada é claro, ainda que sem impactos bruscos".
Além da escassez de animais rastreados para abate para a UE, outro fator que pode ter afetado as exportações brasileiras na Hilton no último ano foi a decisão do bloco de suspender as compras de carne bovina congelada dentro da cota, restringindo as importações aos cortes frescos e refrigerados. A medida atrapalhou a distribuição das cotas para os frigoríficos.
"Com pouco animal para abate, ficou difícil formar os lotes de carne resfriada", diz Cançado. Segundo ele, o acordo sobre a compensação pela entrada da Bulgária e Romênia na UE deve revisar a decisão sobre a carne congelada, que voltaria a poder ser exportada dentro da cota.
Apesar de chamar a atenção, os quase 100% obtidos pela Argentina no cumprimento da cota Hilton precisam ser relativizados. Conforme um executivo da indústria brasileira, os argentinos fizeram "um grande esforço" para manter a imagem de quão estratégica as exportações de cortes da Hilton são para o país. Assim, quando perceberam que teriam dificuldade de cumpri-la com cortes nobres, incluíram na cota cortes que normalmente não são contemplados, como coxão mole e coxão duro, de animais que atendem as especificações definidas pela Hilton.
Exportar menos na cota Hilton significa perda de receita. Os cortes vendidos dentro da cota pagam tarifa de 20%, enquanto no extracota há imposto de 12, 8 %, mais € 3.041 por tonelada. Com tarifa menor, é possível obter prêmio de cerca de US$ 3 mil por tonelada sobre o extracota.

Fonte:NetMarinha

30.07.09 - qui

Petrobras: Estatal está entre as dez empresas mundiais que mais se valorizaram no primeiro semestre

 A Petrobras divulgou nota ontem (28) informando que está entre as dez companhias que mais se valorizaram no mundo neste primeiro semestre e única brasileira entre as dez primeiras no ranking das 300 maiores empresas globais, segundo a consultoria Ernst & Young. O estudo teve como base o valor das ações da empresa no fim do primeiro semestre e mostra a recuperação dos papéis da Petrobras depois do momento mais crítico da crise mundial em 2008.
Segundo o estudo, o valor de mercado da estatal brasileira passou de US$ 95,9 bilhões para US$ 164,8 bilhões, possibilitando que avançasse da 37ª colocação para a oitava posição no ranking das maiores empresas globais.
“Apenas três companhias brasileiras foram consideradas na lista das cem maiores empresas da pesquisa. Juntas, as três apresentaram a maior valorização, com um aumento de 101%, percentual bem acima do registrado pelas empresas russas, que acumularam 42% e ficaram com o segundo melhor resultado”, diz a nota.
As informações divulgadas pela estatal brasileira indicam que nos Estados Unidos, os papéis da companhia são negociados na Bolsa de Nova York como recibos de ações (ADRs) e que a valorização dos ADRs no primeiro semestre de 2009 foi de, aproximadamente, 67% e 64% para os recibos PBR (ações ordinárias) e PBRA (ações preferenciais), respectivamente.

Fonte:RevistaGlobal
29.07.09 - qua

Comércio Global: Relação entre EUA e China deve moldar século 21, diz Obama

 A declaração foi feita na abertura do primeiro de dois dias de negociações políticas e econômicas entre os dois países, em Washington. Obama ressaltou a necessidade de “colaboração sustentada e não confronto” entre China e Estados Unidos. "A crise atual tornou claro que as decisões tomadas dentro de nossas fronteiras reverberam na economia global e isto vale não apenas para Nova York e Seattle, mas também para Xangai e Shenzhen", disse.
"Por isso devemos assumir o compromisso de uma coordenação bilateral forte."
Diálogo
As negociações ocorrem em um evento chamado Diálogo Estratégico e Econômico entre Estados Unidos e China, que conta com a presença do vice-premiê chinês, Wang Qishan.
O evento deve discutir uma série de assuntos, entre eles a contenção do avanço de armas nucleares na Coreia do Norte e no Irã e a criação de fontes sustentáveis de energia.
Mas analistas acreditam que o foco das conversas deve ser a colaboração econômica.
Os Estados Unidos devem pressionar a China para que o país fortaleça o mercado interno para depender menos das exportações.
Fabricantes americanos dizem não poder competir em condições de igualdade com os produtos chineses. A China é acusada de desvalorizar deliberadamente sua moeda para baratear suas exportações.
Mas a China não deve ceder neste aspecto já que as vendas externas dos produtos chineses ainda não se recuperaram da crise financeira global, diz o correspondente da BBC em Xangai, diz Chris Hogg.
Já Pequim estaria preocupada com a desvalorização do dólar. O país possui mais de US$ 800 bilhões em bônus do Tesouro americano e a queda no valor da moeda dos Estados Unidos afeta a rentabilidade destes papéis.
Obama disse não ter ilusões "de que Estados Unidos e China vão concordar em todos os assuntos".
"Mas isto só torna o diálogo ainda mais importante."

Fonte:RevistaGlobal



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