09.06.10 - mié

Indústria agora projeta crescimento de 8%

O setor industrial, na comparação entre abril e março, teve retração de 4,9% na receita, de 3,4% nas horas trabalhadas, e ligeiro aumento de 0,1% no emprego, num indício de acomodação em relação ao mês anterior.

Já na análise do primeiro quadrimestre, os indicadores refletem uma recuperação do setor industrial em relação à perda de 5% em 2009, como, também, uma expansão sustentada no consumo interno. De janeiro a abril o setor industrial apurou, além da alta no faturamento, acréscimos de 7% nas horas trabalhadas na produção, de 3,3% no emprego, de 3,8% na massa salarial. Cresceram também o rendimento (0,6%) e o uso da capacidade instalada (3%).

Ao comentar o efeito-preço, o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, disse que a pressão sobre a inflação não está partindo dos preços industriais, mas dos alimentos e dos serviços.

Castelo Branco comentou que o dado relevante do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que segundo informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior, e de 2,7% em relação ao trimestre anterior, foi a evolução do investimento. Segundo ele, independentemente da taxa, o ideal seria obter crescimento sem altos e baixos. "O investimento crescendo de forma robusta e o consumo em acomodação são dados positivos. A indústria vai continuar em expansão, sem pressionar a inflação", afirmou. "O importante é que haja uma sintonia fina, moderação do Banco Central em relação aos juros, para não arrefecer o crescimento em si", disse.

Castelo Branco espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) não sancione a alta de 0,75 ponto percentual na taxa Selic, hoje, conforme a média das apostas do mercado financeiro. Isso elevaria a Selic para 10,25% ao ano. Ele também quer que o ciclo de ajuste da Selic seja concluído no início do segundo semestre.
08.06.10 - mar

No Brasil, expectativa de resultados positivos

As companhias aéreas brasileiras, especialmente Gol e TAM, também deverão apresentar resultados positivos em 2010 e já estão investindo em aumento de oferta. A avaliação é de corretoras que acompanham o setor aéreo, mas que ainda não têm uma prévia dos potenciais lucros anuais das duas maiores empresas brasileiras com ações em bolsa.
Na opinião de dois analistas do setor aéreo, este ano será o de recomposição de margens, após perdas com a intensa guerra tarifária travada no ano passado. "Acredito em lucros em 2010, mas o momento melhor é o da Gol, que desde meados de 2009 tem um melhor posicionamento para captar o crescimento da classe média", afirma o analista de setor aéreo da Link Investimentos, Felipe Rocha.
O especialista em aviação da Planner Corretora, Brian Moretti, destaca que para o acionista das empresas aéreas não é primordial o lucro ou prejuízo, mas a sua rentabilidade. "As companhias estão aumentado sua frotas de maneira geral, mas o entrave são os gargalos de infraestrutura."
A TAM, por exemplo, revisou para cima seus planos de aumento de frota em 2010. Inicialmente, planejava um aumento líquido de cinco aviões, ou frota de 137 unidades, mas ampliou esse número para 11, para ter 148 aeronaves, um investimento adicional de US$ 200 milhões.
No primeiro trimestre, a Gol teve lucro líquido de R$ 23,9 milhões. A TAM, por sua vez, teve prejuízo de R$ 58,1 milhões no mesmo período.
08.06.10 - mar

País pode ter crescido a um ritmo entre 10% e 14% ao ano no 1º tri

O crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre deste ano, estimulado pelo consumo das famílias e pelos investimentos, pode ter chegado a uma taxa anualizada próxima a 14%, sobre o último trimestre de 2009, segundo levantamento feito ontem pelo Valor com economistas de várias instituições. A estimativa mais elevada foi feita pelo banco Credit Suisse Brasil, prevendo um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,4% de janeiro a março sobre os três meses anteriores, já livre de efeitos sazonais. Para o ano, as previsões chegaram a 8%, um número considerado unanimemente insustentável dadas as limitações da economia brasileira. Hoje o IBGE divulga os números oficiais do PIB no período.
Para Mônica Baumgarten de Bolle, economista-sócia da consultoria Galanto, o país não tem condições de crescer a uma taxa superior a 5% ao ano, de forma sustentável, por conta de gargalos de infraestrutura, baixo estoque de mão-de-obra qualificada e baixo nível de poupança doméstica. "Se o Brasil insistir em crescer acima de 5% vai afastar-se da meta de inflação de 4,5%, o que já está ocorrendo, e pode gerar um efeito perverso nas expectativas dos investidores. O aquecimento excessivo da demanda pode deteriorar as contas externas", afirmou.
A economista estima que o país vai crescer 7% este ano. Na ponta, em relação ao último trimestre de 2009, ela acredita que o número virá entre 2,5% e 3% - o que representa uma taxa anualizada entre 10% e 12%. Ao contrário de outros macroeconomistas, a sócia da Galanto não vê sinais de desaceleração da economia e considera que a redução da produção industrial em abril foi uma mera acomodação com o fim dos incentivos fiscais ao consumo. Ela avalia que o país vai crescer menos em 2011 e terá que fazer ajustes nas áreas fiscais e monetária para enfrentar um cenário externo mais hostil.
O ex-diretor do Banco Central (BC) Carlos Thadeu de Freitas, chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC), considera que após março houve efetivamente uma desaceleração da atividade provocada pelo "esgotamento" das medidas fiscais de estímulo ao consumo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre automóveis e eletrodomésticos.
Freitas avalia que o crescimento do PIB foi de 3% sobre o trimestre anterior e de 10% sobre o mesmo período do ano passado, mas acredita que no total de 2010 a produção do país crescerá de 6% a 7%. E considera que, nas condições atuais, o PIB brasileiro não pode crescer de forma contínua a taxas superiores a 4% ou 5% sem provocar desequilíbrios na taxa de inflação e nas contas externas do país.
Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, vê o chamado "PIB potencial" (limite de crescimento contínuo e saudável) na faixa de 4,5% a 5% e ressalta que esses números já significam expressivo avanço sobre os 2,5% de alguns anos atrás. Para superar os limites? No longo prazo, mais qualificação da mão de obra. No curto prazo, gastos públicos menores e melhores (mais investimentos e menos custeio), permitindo um ajuste mais suave da política monetária, de modo a não prejudicar os investimentos privados.
O economista-chefe do Banco Schahin, Sílvio Campos Neto, disse que prefere não trabalhar com o conceito de PIB potencial, mas concorda que há limites ao crescimento acelerado que vão das pressões inflacionárias ao aumento do déficit nas contas externas, passando pelas pressões por aumento salariais geradas pela escassez de mão-de-obra qualificada.
O pesquisador Leonardo Carvalho, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), tem uma visão diferente, embora concorde que os "modelos" indicam que o Brasil poderia crescer de 4,5% a 5,5% sem fortes pressões inflacionárias ou de balanço de pagamentos. Mas ele ressalta que, "olhando mais qualitativamente", é possível observar fenômenos que podem estar interferindo positivamente nesses limites, como o crescimento contínuo, exceto na crise, dos investimentos acima do PIB e o aumento da eficiência tecnológica, agregando competitividade à produção do país.
«   246 247 248 249 250 251 252  ›  »