18.05.10 - mar

União Europeia e Mercosul já começam a barganhar por acordo

O Mercosul e a União Europeia começaram ontem mesmo a cobrar concessões recíprocas, logo depois do relançamento da negociação do acordo de livre comércio que até o último minuto sofreu a oposição comandada pela França. Ao anunciar a retomada, o chefe do governo espanhol, José Luiz Rodriguez Zapatero, disse que uma maioria de países é a favor de voltar a negociar com vistas a concluir um acordo "equilibrado e ambicioso" com uma das regiões que mais crescem no mundo.
O governo espanhol estima que os principais beneficiários do acordo serão precisamente os países do Mercosul que mais precisam de desenvolvimento. Segundo ele, o Paraguai pode incrementar em 10% seu Produto Interno Bruto (PIB) como consequência do acordo, o Uruguai 2,1%, o Brasil 1,5%, a Argentina 0,5%, e a UE 0,1%.
Como o Valor antecipou, o comunicado dos dois blocos diz que a primeira rodada de negociação da fase final ocorrerá no mais tardar no começo de julho. Mas nada foi fácil. Pela manhã, o comissário europeu de Comércio, Karel de Gucht, dizia a empresários que "a situação está difícil", com os ministros de Agricultura reunidos em Bruxelas. Mas houve um racha, com vários ministros do setor também manifestando apoio ao acordo, como a Alemanha e a Espanha.
Gucht voltou a advertir que a UE tem "graves obstáculos" para atender as pretensões do Mercosul na área agrícola. Ao mesmo tempo, cobrou do bloco do Cone Sul que faça concessões "suficientes" em produtos industriais, serviços, compras governamentais, proteção de patentes e de investimentos estrangeiros, desenvolvimento sustentável e indicações geográficas de produtos agrícolas.
Ele deu o recado em conversa com os representantes do Fórum Empresarial UE-Mercosul, o brasileiro Carlos Mariani e o espanhol Inaki Urdangarin, engajados na negociação em nome dos setores industriais dois dois blocos.
Por sua vez, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, tem suas duvidas sobre o andamento das "conversas", ainda mais diante da posição da França, que considerou "decepcionante e surpreendente" vindo de um parceiro estratégico.
O ministro sinalizou que o Mercosul está pronto a negociar. Exemplificou que as discussões envolvendo o setor automotivo já giram em torno do prazo de dez anos para a derrubada das barreiras de importação no Brasil para carros europeus, em vez dos 15 anos que o bloco recentemente sugeriu, mas que evidentemente haverá muita divergência até se chegar a um compromisso diante de tantos interesses envolvidos.
O deputado europeu José Salafranca acha que a situação está complicada, mas que o desacordo está basicamente em 10% do comércio, que trata dos produtos sensíveis, e também sobre como compensar os agricultores europeus pela perda que terão na concorrência com os produtos do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. A Europa está ainda mais na ofensiva em meio à sua pior crise econômica dos últimos tempos. "Comércio faz parte do plano de recuperação da Europa", disse Gucht. "Nossa economia depende de mercados abertos e integrados", disse.
18.05.10 - mar

Governo investiga dumping na venda de caminhões chineses

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) suspeita que a China está vendendo caminhões com guindastes no Brasil a preços deslealmente baixos e começou a coletar dados para decidir se abre uma investigação antidumping, em mais uma ação refletindo a crescente preocupação do governo com a concorrência de Pequim.
O MDIC constata que os chineses estão exportando para o Brasil veículos com guindaste a um preço, depois do frete e outras despesas, que chega a ser menor do que o custo de um caminhão fabricado no Brasil. O Brasil é um dos grandes produtores de caminhões, com 180 mil unidades por ano, mas a importação procedente da China está aumentando, vitaminada pelos preços.
"O problema (para o Brasil) é a China, com sua vantagem competitiva com custo menor e formação de preços que não tem nada a ver com economia de mercado", disse o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, em Madri, onde segue a Cúpula União Europeia-América Latina. "A China é um problema que tem de se enfrentar, não adianta tapar o sol com a peneira", disse. Segundo ele, o problema não é especificamente a exportação chinesa para o mercado brasileiro, e sim sua concorrência na América do Sul e África, onde o Brasil perde fatias de mercado.
"Em alguns países, as exportações chinesas aumentaram até 400%", disse Jorge. Na mesma linha, Carlos Mariani, representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), disse na Cúpula Empresarial UE-America Latina que o temor brasileiro é com a China e não com a indústria europeia.
Para Jorge, a atenção tem de ser redobrada sobre as importações, como as procedentes da China. Ele disse que o MDIC vai atuar mais em cooperação com o Ministério da Fazenda e Receita, para atacar não apenas dumping, como também subfaturamento e aumentar a fiscalização. A China atualmente é alvo do maior número de investigações antidumping por parte do Brasil, uma situação similar ao que ocorre globalmente.
14.05.10 - vie

As oportunidades de investimento em debêntures este ano

Este pode ser o ano das debêntures. Com a aceleração do crescimento e as perspectivas de novos investimentos, a captação de recursos via emissão de debêntures deve estar entre as primeiras opções das companhias de capital aberto. Já podemos trabalhar com a expectativa de manutenção da trajetória de crescimento desse mercado.
No ano passado, as empresas captaram R$ 11 bilhões por meio de debêntures. O volume representou um aumento de 38% ante 2008, ano afetado pela crise mundial. Este ano, até o fim de abril, com 29 operações realizadas, as debêntures emitidas já somavam R$ 14,7 bilhões. O destaque foi a operação da Cemig, que conseguiu captar R$ 2,7 bilhões. O que mais impressionou, no entanto, foi a forte demanda pelo papel. Ao todo, a procura pelos títulos chegou a R$ 6 bilhões, ou seja, R$ 3,3 bilhões a mais que a oferta inicial.
A movimentação deste início de ano indica um grande apetite dos investidores por títulos de dívida de empresas e apenas reforça a expectativa de cenário positivo para o mercado de debêntures. Um exemplo é o programa de emissão da empresa de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que prevê a emissão de até R$ 6 bilhões. Registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 2008, o programa até agora emitiu cerca de R$ 3,3 bilhões, ou seja, ainda pode haver emissões de até R$ 2,7 bilhões.
Antes de investir nesses papéis, porém, é preciso entender como eles funcionam. De modo geral, as debêntures são títulos de renda fixa, emitidos por empresas de capital aberto para captação de recursos. Funcionam como um empréstimo dado à empresa emissora, com taxas de juros muito mais atrativas que as de outros títulos de dívida, como CDB ou os papéis públicos. No entanto, é importante ressaltar que se trata de um papel mais arriscado, uma vez que está atrelado diretamente ao risco de crédito da empresa emissora.
Tradicionalmente, as debêntures são adquiridas por investidores institucionais ou fundos de investimentos. Esses agentes, de modo geral, mantêm os títulos na carteira até o prazo final, quando recebem de volta o principal investido já com a correção dos juros totais. Porém, com o novo cenário e a disseminação desse tipo de aplicação, as debêntures têm sido cada vez mais requisitadas também pelo investidor pessoa física.
Ingressar nesse mercado, contudo, não é para qualquer um. Além do fato de as emissões serem divididas e apenas uma pequena parcela ser destinada às pessoas físicas, esse investidor, por sua vez, precisa se enquadrar no que chamamos de "investidor qualificado". Isso significa ter um patrimônio mínimo de R$ 300 mil em investimentos.
Mesmo o investidor qualificado tem que ficar atendo a uma série de fatores. Primeiramente, o investidor deve estar ciente de que, no longo prazo, existe o risco de variação da taxa de juros durante o período de vigência da debênture. Esse quesito pode inibir a troca de posições quando surgem oportunidades de aplicações mais atraentes, dificultando a negociação do papel no mercado secundário de debêntures. Assim, desfazer-se do título ou negociá-lo antes do vencimento pode não ser uma tarefa fácil. Como são títulos de baixa liquidez, caso o investidor deseje resgatar os recursos antes do vencimento, terá de arcar também com a chamada taxa de deságio.
Outro ponto de fundamental importância é a análise da empresa emissora. Entre outros aspectos, é preciso acompanhar os últimos balanços, o potencial de crescimento, a capacidade de endividamento e os motivos que a levaram a realizar a emissão. Também é preciso estar atento a prazos de vencimento, amortização e taxas de juros, quesitos essenciais para escolher um bom papel. Todas essas informações mostram a saúde financeira da empresa e precisam ser levados em consideração no momento de escolher uma debênture que se enquadre no perfil do investidor.
Ao que tudo indica, o ano de 2010 deve trazer ótimas opções de debêntures para os investidores. Essa modalidade é uma excelente alternativa para diversificação de investimentos em renda fixa. Mas é preciso avaliar todas as oportunidades e acompanhar o desempenho das companhias para selecionar as melhores alternativas e aprimorar a carteira de investimento
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