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25.05.10 - mar
Índia se põe meta de crescer como a China
O premiê da Índia, Manmohan Singh, 77, prometeu diminuir a inflação do país pela metade, rivalizar sua economia com a da China e buscar a paz com o Paquistão.
Singh, que fez um balanço de mais um ano de governo, disse estar "confiante de que a inflação vai cair para de 5% a 6% em dezembro". Mas, segundo ele, o país não conseguirá alcançar "seu potencial pleno de crescimento" se não resolver a tensão com os vizinhos paquistaneses.
Economista educado em Oxford, no Reino Unido, o premiê concordou na semana passada a reiniciar as negociações de paz com o Paquistão, suspensas desde o atentado terrorista de 2008 em Mumbai - o qual foi planejado e levado a cabo por terroristas paquistaneses que tiveram seus atos facilitados pelos serviços de inteligência do Islamabad.
Singh disse que seu grande objetivo é sanar o "déficit de confiança" com o Paquistão e, com isso, acelerar o crescimento da Índia para cerca de 10% ao ano e diminuir a pobreza.
A economia da Índia multiplicou-se por seis desde 1991, quando Singh, então ministro das Finanças, introduziu reformas pró-mercado no país
Singh, que fez um balanço de mais um ano de governo, disse estar "confiante de que a inflação vai cair para de 5% a 6% em dezembro". Mas, segundo ele, o país não conseguirá alcançar "seu potencial pleno de crescimento" se não resolver a tensão com os vizinhos paquistaneses.
Economista educado em Oxford, no Reino Unido, o premiê concordou na semana passada a reiniciar as negociações de paz com o Paquistão, suspensas desde o atentado terrorista de 2008 em Mumbai - o qual foi planejado e levado a cabo por terroristas paquistaneses que tiveram seus atos facilitados pelos serviços de inteligência do Islamabad.
Singh disse que seu grande objetivo é sanar o "déficit de confiança" com o Paquistão e, com isso, acelerar o crescimento da Índia para cerca de 10% ao ano e diminuir a pobreza.
A economia da Índia multiplicou-se por seis desde 1991, quando Singh, então ministro das Finanças, introduziu reformas pró-mercado no país
24.05.10 - lun
China planeja 2 mi de chineses nas obras em Angola
Com investimento de US$ 9 bi, asiáticos transferem 100 mil trabalhadores para canteiros de obras no país. Cresce sentimento contra mão de obra chinesa em Angola, onde desemprego pode chegar a 30%
O caminhoneiro Zhang Chun Guang pilota um caminhão carregado de asfalto. Ele espera a vez, enquanto gesticula e balbucia algo que se supõe: "Não falo português". Nem precisava.
Zhang é parte de um grande plano estratégico dos chineses para ocupação econômica e demográfica de Angola, cujo objetivo é obter petróleo e exportar gente.
O governo de Angola não se pronuncia, mas circula no país a informação de que a China, o maior parceiro angolano, pretende colocar, em dez anos, 2 milhões de pessoas na emergente economia africana. Quantidade equivalente a 10% da população.
Estima-se que a China já levou ao país mais de 100 mil pessoas e, diferentemente de outros parceiros comerciais, a grande massa é de trabalhadores como Zhang.
Na letra da lei, Angola não permite que nenhum projetos com capital estrangeiro no país possua mais de 30% de mão de obra expatriada.
A Folha procurou o governo para que comentasse a relação com a China, mas não obteve resposta.
A avaliação é que os US$ 9 bilhões em capital chinês (parte a juros subsidiados) dão aos chineses condição diferenciada em Angola.
"Há projetos em que os chineses representam mais de 50% da mão de obra contratada", diz Raimundo Lima, presidente da Assembleia da Associação de Empresários e Executivos Brasileiros em Angola.
Essa situação tem criado certo mal-estar em Angola, país que, apesar do forte crescimento econômico, ainda convive com grande massa de desempregados.
A taxa oficial de desemprego é de 22,5%, mas estudos apontam pelo menos 30%.
Desemprego
Basta observar a capital, Luanda, para perceber que o desemprego é algo crônico. Em qualquer via congestionada, centenas de angolanos oferecem de tudo no trânsito, de ternos mal cortados a pães dispostos em cestos enormes no meio da poeira.
A presença maciça da mão de obra da China, confinada em canteiros, começa a nutrir a percepção de que trabalhadores chineses com baixa qualificação ocupam espaço de angolanos.
Muitos são ex-guerrilheiros que participaram da luta clandestina contra os portugueses e na guerra civil entre as organizações armadas pela controle do país, no MPLA (que saiu vitorioso), na Unita ou no FNLA.
O caminhoneiro Zhang Chun Guang pilota um caminhão carregado de asfalto. Ele espera a vez, enquanto gesticula e balbucia algo que se supõe: "Não falo português". Nem precisava.
Zhang é parte de um grande plano estratégico dos chineses para ocupação econômica e demográfica de Angola, cujo objetivo é obter petróleo e exportar gente.
O governo de Angola não se pronuncia, mas circula no país a informação de que a China, o maior parceiro angolano, pretende colocar, em dez anos, 2 milhões de pessoas na emergente economia africana. Quantidade equivalente a 10% da população.
Estima-se que a China já levou ao país mais de 100 mil pessoas e, diferentemente de outros parceiros comerciais, a grande massa é de trabalhadores como Zhang.
Na letra da lei, Angola não permite que nenhum projetos com capital estrangeiro no país possua mais de 30% de mão de obra expatriada.
A Folha procurou o governo para que comentasse a relação com a China, mas não obteve resposta.
A avaliação é que os US$ 9 bilhões em capital chinês (parte a juros subsidiados) dão aos chineses condição diferenciada em Angola.
"Há projetos em que os chineses representam mais de 50% da mão de obra contratada", diz Raimundo Lima, presidente da Assembleia da Associação de Empresários e Executivos Brasileiros em Angola.
Essa situação tem criado certo mal-estar em Angola, país que, apesar do forte crescimento econômico, ainda convive com grande massa de desempregados.
A taxa oficial de desemprego é de 22,5%, mas estudos apontam pelo menos 30%.
Desemprego
Basta observar a capital, Luanda, para perceber que o desemprego é algo crônico. Em qualquer via congestionada, centenas de angolanos oferecem de tudo no trânsito, de ternos mal cortados a pães dispostos em cestos enormes no meio da poeira.
A presença maciça da mão de obra da China, confinada em canteiros, começa a nutrir a percepção de que trabalhadores chineses com baixa qualificação ocupam espaço de angolanos.
Muitos são ex-guerrilheiros que participaram da luta clandestina contra os portugueses e na guerra civil entre as organizações armadas pela controle do país, no MPLA (que saiu vitorioso), na Unita ou no FNLA.
21.05.10 - vie
Crise na Europa ameaça as exportações asiáticas
A crise econômica da Europa está tendo um grave efeito sobre companhias asiáticas, à medida que a desvalorização do euro torna as exportações mais caras num dos maiores mercados externos.
O maior temor das companhias, no entanto, é que a convulsão enfraqueça a recuperação da Europa da crise financeira global, o que poderá ter um efeito maior ainda sobre a demanda de importações.
Qi Zhongyi, diretor do departamento de informação da Câmara de Comércio da China para importação e exportação de maquinário e produtos eletrônicos, disse que muitas companhias chinesas sofreram "graves prejuízos" decorrentes da queda de 14,5 % do euro contra o yuan neste ano. "Não temos o número exato, mas as perdas claramente não estão confinadas à exportação de maquinário e de produtos eletrônicos", disse Qi.
A Suntech, listada na Nasdaq, uma dos maiores fabricantes de painéis solares do mundo, disse que espera ter prejuízo de até US$ 25 milhões no primeiro trimestre do ano, sobre um faturamento líquido de US$ 590 milhões.
A União Europeia é o maior mercado de exportação da China, responsável por 19,7%, ou US$ 262 bilhões, das remessas totais no ano passado. As exportações da UE à China estão em US$ 128 bilhões.
Tom Albanese, executivo-chefe da Rio Tinto, o conglomerado do setor de mineração, disse que a "externalidade" da crise europeia era a maior rival ao crescimento da China e, por consequência, das vendas da Rio Tinto à China. Albanese disse temer uma reedição da crise no setor bancário, com a paralisação dos mercados de crédito exercendo um impacto sobre o crescimento chinês, como ocorreu no quarto trimestre de 2008.
A depreciação do euro frente ao yuan poderia levar a China a postergar a esperada valorização do yuan em relação ao dólar até mais adiante no ano, uma ideia amplamente compartilhada por analistas na Ásia, acrescentou.
Por toda a Ásia, grandes exportadores contaram uma história semelhante, de preocupação com o euro. O lucro líquido da Sony previsto para o período até março de 2011, por exemplo, presume uma taxa de câmbio de 125 ienes para o euro, mas a taxa de mercado já havia subido para pouco mais de 113 ienes. Essa taxa poderá custar ao conglomerado de eletrônicos 90 bilhões de ienes neste ano.
Mesmo a Hello Kitty, a mascote mais querida do Japão, está em dificuldades. Sanrio, empresa dona da personagem, reviu sua perspectiva pelo temor de que a economia europeia possa estar apática "devido à prolongada inquietação financeira na zona do euro".
Jerry Shen, executivo-chefe da fabricante de computadores Asustek, de Taiwan, anunciou na semana passada que a receita do terceiro trimestre poderia ser afetada pela queda do euro. "No momento, a moeda é um grande problema", afirmou Shen.
Analistas observam de perto o setor de terceirização de serviços de tecnologia da informação na Índia. O analista Subhashini Gurumurthy, da Ambit Capital, disse que a maioria das empresas ganha entre 15% e 27% de sua receita na Europa. Em dólares, a previsão é de que essas receitas sejam afetadas negativamente entre 1,3% e 2,4% no trimestre a encerrar-se em 30 de junho, em comparação ao primeiro trimestre.
Alguns fabricantes asiáticos estão mais protegidos, por possuírem instalações de produção na Europa. A LG, da Coreia do Sul, tem duas fábricas de televisores na Polônia. A Samsung Electronics possui uma fábrica de TVs na Hungria e uma de telas de cristal líquido na Eslováquia. A Hyundai Motor tem uma fábrica na República Tcheca.
Outras empresas sustentam não estar sendo influenciadas pelas oscilações cambiais. A United Microelectronics, de Taiwan, segunda maior fabricante mundial de circuitos integrados, informou ontem não ter detectado até agora nenhum impacto e mostrou-se otimista quanto à demanda no segundo semestre.
Alguns economistas na Ásia acreditam, porém, que os problemas na Europa provavelmente terão impacto relativamente limitado na região.
O Goldman Sachs, por exemplo, prevê recuperação na cotação do euro, de US$ 1,23 para US$ 1,35, nos próximos três meses, e um crescimento de 1,4% no Produto Interno Bruto (PIB) da região do euro em 2010. "O impacto direto [das turbulências no câmbio e mercado de bônus] será bastante modesto na Ásia", afirmou Michael Buchanan, que trabalha em Hong Kong e é economista-chefe para a Ásia do Goldman Sachs.
Para alguns dos executivos mais experimentados na Ásia, essa visão parece otimista demais. Nobuhiro Endo, presidente da NEC, a fabricante japonesa de produtos eletrônicos, afirmou que o grupo sofreu pouco com a crise europeia. Mas afirmou que o impacto potencial é enorme.
"Não podemos ver nada neste momento, mas se isso se disseminar para outros países e os mercados começarem a encolher, com risco de algo semelhante a uma deflação e com mercados encolhendo cada vez mais, isso seria assustador", disse. "Teria um impacto imenso."
O maior temor das companhias, no entanto, é que a convulsão enfraqueça a recuperação da Europa da crise financeira global, o que poderá ter um efeito maior ainda sobre a demanda de importações.
Qi Zhongyi, diretor do departamento de informação da Câmara de Comércio da China para importação e exportação de maquinário e produtos eletrônicos, disse que muitas companhias chinesas sofreram "graves prejuízos" decorrentes da queda de 14,5 % do euro contra o yuan neste ano. "Não temos o número exato, mas as perdas claramente não estão confinadas à exportação de maquinário e de produtos eletrônicos", disse Qi.
A Suntech, listada na Nasdaq, uma dos maiores fabricantes de painéis solares do mundo, disse que espera ter prejuízo de até US$ 25 milhões no primeiro trimestre do ano, sobre um faturamento líquido de US$ 590 milhões.
A União Europeia é o maior mercado de exportação da China, responsável por 19,7%, ou US$ 262 bilhões, das remessas totais no ano passado. As exportações da UE à China estão em US$ 128 bilhões.
Tom Albanese, executivo-chefe da Rio Tinto, o conglomerado do setor de mineração, disse que a "externalidade" da crise europeia era a maior rival ao crescimento da China e, por consequência, das vendas da Rio Tinto à China. Albanese disse temer uma reedição da crise no setor bancário, com a paralisação dos mercados de crédito exercendo um impacto sobre o crescimento chinês, como ocorreu no quarto trimestre de 2008.
A depreciação do euro frente ao yuan poderia levar a China a postergar a esperada valorização do yuan em relação ao dólar até mais adiante no ano, uma ideia amplamente compartilhada por analistas na Ásia, acrescentou.
Por toda a Ásia, grandes exportadores contaram uma história semelhante, de preocupação com o euro. O lucro líquido da Sony previsto para o período até março de 2011, por exemplo, presume uma taxa de câmbio de 125 ienes para o euro, mas a taxa de mercado já havia subido para pouco mais de 113 ienes. Essa taxa poderá custar ao conglomerado de eletrônicos 90 bilhões de ienes neste ano.
Mesmo a Hello Kitty, a mascote mais querida do Japão, está em dificuldades. Sanrio, empresa dona da personagem, reviu sua perspectiva pelo temor de que a economia europeia possa estar apática "devido à prolongada inquietação financeira na zona do euro".
Jerry Shen, executivo-chefe da fabricante de computadores Asustek, de Taiwan, anunciou na semana passada que a receita do terceiro trimestre poderia ser afetada pela queda do euro. "No momento, a moeda é um grande problema", afirmou Shen.
Analistas observam de perto o setor de terceirização de serviços de tecnologia da informação na Índia. O analista Subhashini Gurumurthy, da Ambit Capital, disse que a maioria das empresas ganha entre 15% e 27% de sua receita na Europa. Em dólares, a previsão é de que essas receitas sejam afetadas negativamente entre 1,3% e 2,4% no trimestre a encerrar-se em 30 de junho, em comparação ao primeiro trimestre.
Alguns fabricantes asiáticos estão mais protegidos, por possuírem instalações de produção na Europa. A LG, da Coreia do Sul, tem duas fábricas de televisores na Polônia. A Samsung Electronics possui uma fábrica de TVs na Hungria e uma de telas de cristal líquido na Eslováquia. A Hyundai Motor tem uma fábrica na República Tcheca.
Outras empresas sustentam não estar sendo influenciadas pelas oscilações cambiais. A United Microelectronics, de Taiwan, segunda maior fabricante mundial de circuitos integrados, informou ontem não ter detectado até agora nenhum impacto e mostrou-se otimista quanto à demanda no segundo semestre.
Alguns economistas na Ásia acreditam, porém, que os problemas na Europa provavelmente terão impacto relativamente limitado na região.
O Goldman Sachs, por exemplo, prevê recuperação na cotação do euro, de US$ 1,23 para US$ 1,35, nos próximos três meses, e um crescimento de 1,4% no Produto Interno Bruto (PIB) da região do euro em 2010. "O impacto direto [das turbulências no câmbio e mercado de bônus] será bastante modesto na Ásia", afirmou Michael Buchanan, que trabalha em Hong Kong e é economista-chefe para a Ásia do Goldman Sachs.
Para alguns dos executivos mais experimentados na Ásia, essa visão parece otimista demais. Nobuhiro Endo, presidente da NEC, a fabricante japonesa de produtos eletrônicos, afirmou que o grupo sofreu pouco com a crise europeia. Mas afirmou que o impacto potencial é enorme.
"Não podemos ver nada neste momento, mas se isso se disseminar para outros países e os mercados começarem a encolher, com risco de algo semelhante a uma deflação e com mercados encolhendo cada vez mais, isso seria assustador", disse. "Teria um impacto imenso."



