27.05.10 - jue

Em Santa Catarina, investimento previsto é de R$ 2,6 bi até 2012

88% do total será aplicado em fábricas no Estado. Mais da metade, R$ 1,4 bilhão, será investida ainda este ano
Será de R$ 2,6 bilhões o investimento das indústrias catarinenses no triênio 2010-2012. Mais da metade, R$ 1,4 bilhão, será investida ainda este ano. A previsão faz parte da publicação "Desempenho e Perspectiva da Indústria Catarinense 2010", lançada esta semana pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), com o apoio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). No triênio, R$ 2,26 bilhões (88%) devem ser aplicados nas fábricas em Santa Catarina e o restante nas unidades localizadas em outros Estados ou no exterior.
No contexto geral, o cenário projetado para 2010 é de alta de 5,5% no Produto Interno Bruto (PIB), além de elevação da produção industrial, das vendas e do emprego. A avaliação foi feita pelo presidente da Fiesc, Alcantaro Corrêa. Na conjuntura, segundo ele, o sinal seguirá amarelo para as exportações, já que a projeção é de manutenção da taxa de câmbio valorizada e de lento crescimento da demanda internacional por causa do ritmo de recuperação dos países desenvolvidos mais afetados pela crise. A forte queda das exportações catarinenses, de 24,6% até novembro do ano passado, foi um dos fatores que mais afetaram a economia do Estado.
Em relação à retomada dos investimentos, os setores de metalurgia básica (R$ 732 milhões), celulose e papel (R$ 400 milhões) e alimentos e bebidas (R$ 273 milhões) lideram as intenções no próximo triênio. Os valores investidos pela indústria do Estado em 2009 somaram R$ 1,2 bilhão, com queda de 43% em relação aos R$ 2,1 bilhões de 2008.
Comparação. Na avaliação de Alcantaro Corrêa, a redução expressiva dos investimentos reflete a crise econômica mundial e a incerteza das indústrias quanto aos reflexos da recessão sobre o crédito e a demanda. "Apesar da melhoria do cenário em 2010, a recuperação do nível de investimentos não é tão vertiginosa, se comparada com o desempenho de 2008. Mas temos de lembrar que aquele foi um ano atípico, com valores acima da média dos últimos anos."
O montante previsto até 2012 na pesquisa confirma dados das empresas do Estado, mas não contempla os investimentos anunciados por indústrias de outras unidades da Federação em Santa Catarina, como os do Grupo EBX, da companhia alemã de autopeças ZF e do Grupo Global (termoelétrica). "Ou seja, os valores são ainda mais expressivos, o que é muito importante, já que é o investimento na produção que gera postos de trabalho e desenvolvimento."
O estudo, com 135 empresas de médio e grande portes, mostra que as estimativas atuais de investimentos para 2011 são de R$ 611,9 milhões e para 2012 são de R$ 559,8 milhões. Segundo o levantamento, o porcentual de empresas que já definiram os investimentos para 2011 é de 51%. Em relação a 2012, 47,5% das indústrias afirmaram que têm investimentos previstos.
Os investimentos previstos para o triênio têm como finalidades a aquisição de máquinas e equipamentos, atualização tecnológica e desenvolvimento de produtos. Também serão investidos em aumento da capacidade produtiva, ampliação das instalações e lançamento de produtos. No ano passado, apesar da crise, 77% da empresas fizeram investimentos. As atividades industriais que puxaram investimentos em 2009 foram metalurgia básica (28%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (18%), e alimentos e bebidas (18%).
Outro dado importante da pesquisa é que hoje 64,6% das empresas catarinenses já trabalham com a mesma capacidade produtiva dos níveis pré-crise. Para 86,4% dos empresários, a capacidade instalada atual atende às demandas para 2010, porém, mais de 50% das companhias pretendem ampliar a capacidade de produção em 2010.
Para os industriais, há pontos preocupantes para este ano. Entre eles estão a desvalorização do câmbio, a concorrência externa, principalmente em relação à China e ao avanço da Rússia no mercado europeu, o aumento dos preços dos insumos e das matérias-primas, a infraestrutura deficiente, a elevada carga tributária e o crédito caro e escasso.
27.05.10 - jue

Sul: Uma porta para o desenvolvimento do comércio exterior

Situada na fronteira com Argentina, Paraguai e Uruguai, principais parceiros do Brasil no continente latino, a Região Sul vê sua economia se transformar com o crescimento do setor industrial - o segundo do País.
Os três Estados do Sul vêm experimentando significativo crescimento acompanhando e, de certa forma, liderando o crescimento do Brasil nestes tempos em que o País apresenta estabilidade econômica e política. São muitos os exemplos desse crescimento. Temos o polo automotivo do Paraná, o setor agropecuário em toda a região, o polo metalomecânico de Caxias do Sul. Há importante crescimento na indústria de serviços, especialmente nas capitais, com destaque para saúde e educação, onde temos polos de excelência em Porto Alegre e Curitiba. O turismo também vem apresentando crescimento significativo, com destaque para Florianópolis, cidade que tem se transformado em referência em termos de qualidade de vida.
O setor industrial naval tem sido um dos responsáveis por atrair investimentos nacionais e estrangeiros para a região. Importante registrar também os efeitos muito positivos da Copa de 2014 para a Região, onde teremos duas cidades-sede, e muitas outras como apoio. Não apenas as reformas dos estádios e a construção da Arena do Grêmio modificarão o perfil das cidades, mas todas as obras de infraestrutura, que já estão saindo das pranchetas para a execução, movimentarão a economia de tal forma que ainda é difícil estimar o crescimento do PIB regional que será verificado.
O Porto de Rio Grande/RS é um polo naval que está atraindo investimentos, gerando empregos e impulsionando a economia regional. Sua estrutura é considerada fundamental para a produção e o armazenamento de petróleo no Brasil e tem colaborado de forma decisiva para o incremento econômico, que hoje investe na construção de plataformas petrolíferas, cascos, navios, embarcações de apoio e no fornecimento de material para essas obras.
A Petrobrás, uma das principais investidoras do projeto, desenvolve no local quatro empreendimentos gigantescos: as plataformas P-53, P-55, P-63 e o estaleiro que, nos próximos anos, deverá ser responsável pela construção de pelo menos oito cascos das 45 plataformas de petróleo que a estatal quer colocar em operação até 2020. Estima-se que essa empreitada tenha gerado mais de 30 mil empregos diretos e indiretos, beneficiando trabalhadores da construção civil, da área metal0mecânica e das engenharias.
Mas não é apenas no petróleo que reside a importância deste porto para toda a Região Sul do País. Um dos principais objetivos do empreendimento é ser um "Porto do Mercosul", concentrador e distribuidor de carga para outros portos brasileiros e para os vizinhos Uruguai e Argentina. A localização é ideal por se situar entre o Porto de Santos e o de Buenos Aires, assim como entre as praias de Santa Catarina e Punta del Este. Outro aspecto favorável é a existência de todos os modais na região (hidroviário, rodoviário, ferroviário, aeroviário e marítimo), algo importante do ponto de vista estratégico. Esses investimentos com vistas ao Mercosul confirmam a Região Sul do Brasil como uma importante porta para o desenvolvimento do comércio exterior brasileiro.
Fazer do Porto de Rio Grande o hub port do Sul do Brasil é de vital importância para a economia. Prova disso é que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal destinou R$ 2,7 bilhões para obras nos portos brasileiros. A parte deste orçamento que coube à Região Sul foi investida no prolongamento dos molhes e nas obras de dragagem, que, completos, tornarão Rio Grande apto para receber os maiores navios de carga do mundo e distribuir a mercadoria aos demais portos do Brasil e de outros países.
O petróleo e gás têm papel fundamental no desenvolvimento econômico da nação e, ao receber incentivos governamentais, também trazem condições de desenvolvimento para a Região Sul do país.
Todas essas mudanças tendem a deslocar o eixo naval do Rio de Janeiro, tornando Rio Grande o segundo polo naval em movimentação, perdendo apenas para o Porto de Santos. Tamanho impacto gerado pela necessidade de uma infraestrutura que ampare o projeto faz com que gestores corporativos e governamentais discutam a influência dos investimentos para construção do polo naval em toda a Região Sul. Os setores envolvidos diretamente com a sua construção, tais como madeira, mobiliário e transporte, são os maiores beneficiados pela instalação do empreendimento, seguido pela siderurgia e os químicos nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
26.05.10 - mié

WEG cresce no exterior com aquisições no México e África do Sul

A multinacional brasileira WEG, de Jaraguá do Sul, vai reforçar sua atuação no mercado internacional. Ontem, a companhia anunciou ao mercado a aquisição do controle acionário de duas companhias. Com 51% do ZEST Group, com sede na África do Sul, a fabricante de motores elétricos marca entrada no continente africano. Já o controle de 60% da fabricante de transformadores Voltran, no México, vai permitir à empresa reforçar a atuação no mercado energético dos Estados Unidos.
"As aquisições sempre fizeram parte da estratégia da WEG. Sempre avaliamos oportunidades de crescer", diz Harry Schmelzer Jr, presidente do grupo, em entrevista exclusiva ao Valor. De acordo com ele, os dois negócios foram fechados em menos de um mês. "A oportunidade surgiu e tivemos três ou quatro semanas de negociação", disse o presidente, depois de um dia de reunião com o conselho de administração da empresa. No acordo, a direção decidiu não informar os valores da transação.
Com o ZEST, a WEG vai reforçar a atuação no continente africano, o único onde ainda não tem unidade própria. "É o nosso primeiro passo na África. A partir da África do Sul queremos atender à África como um todo", disse. Segundo Schmelzer, a companhia vê com bons olhos o desempenho do continente africano e vê oportunidades de negócio entre empresas de mineração, petróleo, gás e energia.
"A África vem crescendo de maneira importante. Países têm previsões de crescimento de PIB na ordem de 4% e isso não é desconsiderado", afirmou. Há 30 anos, a WEG mantém parceria com o grupo ZEST, que importava e distribuía produtos da brasileira no sul da África. Com a aquisição de 51% do controle acionário, a WEG vai incorporar os serviços de montagem de painéis elétricos industriais, integração de produtos para a montagem de grupos geradores e prestação de serviços de comissionamento elétrico ao seu portfólio.
Schmelzer disse que no horizonte de médio prazo a aquisição da companhia deve ser integral. O grupo ZEST é líder no segmento de motores elétricos no mercado sul-africano, tem cerca de 400 funcionários e faturou mais de US$ 200 milhões no ano passado.
No México, a WEG entrou em acordo com a família Jimenez e vai assumir 60% do capital da Voltran. A parceria entre as duas companhias iniciou-se em 2006, quando a brasileira adquiriu 30% da mexicana. A Voltran atua no segmento de transformadores de distribuição e força, e teve faturamento de US$ 70 milhões em 2009.
Segundo Schmelzer, com a aquisição a WEG quer consolidar a sua presença na área de energia na América do Norte. A fábrica da Voltran será a sexta em funcionamento na área de transformadores industriais - hoje há quatro em operação no Brasil e outra no México. "Queremos crescer a nossa atuação em energia nos EUA", destacou ele. A intenção é atender o mercado interno mexicano com as marcas Voltran e WEG. Nas exportações para os EUA, a marca WEG terá exclusividade.
Sobre as oscilações dos mercados, o presidente disse que é difícil fazer previsões, mas aposta no crescimento interno e na recuperação da economia americana. "Nos EUA, a WEG já sentiu a recuperação dos negócios", afirmou
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