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11.10.10 - lun
Brasil pressiona China e União Européia
O Brasil está insistindo com a China para colocar em prática o mecanismo permanente de consulta e coordenação entre os dois países, inclusive para discutir a diversificação do comércio bilateral. O principal instrumento acertado por Brasília e Pequim, para implantar um plano de metas até 2014, é a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Conservação e Coordenação (Cosban), coordenada pelos respectivos vice-presidentes da República.
Só que essa comissão, criada em 2004, até agora teve uma única reunião. Há dois anos que o Brasil tenta reativá-la. Algumas vezes o estado de saúde do vice-presidente José Alencar, impediu os encontros. Nos últimos tempos, contudo, os chineses argumentam que seu vice-presidente está ocupado com a exposição de Shangai ou com agenda lotada. Nem uma subcomissão econômica foi aceita pelos chineses para ocorrer logo.
É nesse ambiente que o Brasil espera aumentar a pressão para que Pequim comece a diversificar suas importações originárias do Brasil, compostas hoje de 33% de soja, 30% de minério de ferro e 10% de petróleo, comparados a 95% de manufaturados chineses exportados para o Brasil. Na prática, desde 2008 não há verdadeiro contato econômico regular entre os dois países, segundo negociadores.
Na área financeira, a situação é um pouco diferente, em razão dos encontros entre ministros e banqueiros centrais no G-20, o grupo das principais economias do planeta. Mas o projeto de utilização comum de suas moedas no comércio bilateral tampouco avança.
Ao mesmo tempo em que continua sofrendo a pressão dos produtos chineses, o Brasil está atento a um projeto da União Européia para fazer uma concessão apenas ao Paquistão: eliminar as tarifas de importação de 81 produtos por três anos, para ajudar esse país no rastro da forte inundação que destruiu parte de sua economia.
Só que a indústria têxtil brasileira pediu para o governo tentar limitar na Organização Mundial do Comércio (OMC) esse projeto da UE. É que a UE precisa apresentar o pedido na OMC para fazer a concessão apenas para o Paquistão, sem que ele seja estendido aos outros membros.
A Euratex, representando a indústria têxtil européia, denunciou que a lista beneficiará mais de 60 produtos têxteis e confecções originárias de companhias paquistanesas eficientes, bem equipadas, localizadas fora das áreas inundadas e com faturamento superior a média da própria indústria européia.
Na mesma linha, a Associação Brasileira da Industria Têxtil (Abit) pediu oficialmente ao governo, em Brasília, para só apoiar os europeus na OMC se o pacote excluir todo o universo da cadeia têxtil (fibra, fios, filamentos, tecidos, vestuário, etc) o que significaria destruir o pacote para o Paquistão. O Brasil exporta atualmente US$ 500 milhões por ano de tecidos para o mercado europeu e teme perder ainda mais espaço para os paquistaneses.
A industria têxtil brasileira se opõe também à concessão, pelo Brasil, de livre acesso para produtos dos países mais pobres do mundo, uma promessa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá dificuldades de cumprir até dezembro. O setor alega que o Brasil precisa manter as tarifas sobre importação de têxteis, diante da forte competitividade de países como Camboja e Bangladesh, que serão beneficiados pelo plano brasileiro. Na negociação Sul-Sul, de 11 países emergentes, que deve ser assinado em Foz do Iguaçu no mês que vem, o Brasil acabou excluindo concessões no setor têxtil.
Só que essa comissão, criada em 2004, até agora teve uma única reunião. Há dois anos que o Brasil tenta reativá-la. Algumas vezes o estado de saúde do vice-presidente José Alencar, impediu os encontros. Nos últimos tempos, contudo, os chineses argumentam que seu vice-presidente está ocupado com a exposição de Shangai ou com agenda lotada. Nem uma subcomissão econômica foi aceita pelos chineses para ocorrer logo.
É nesse ambiente que o Brasil espera aumentar a pressão para que Pequim comece a diversificar suas importações originárias do Brasil, compostas hoje de 33% de soja, 30% de minério de ferro e 10% de petróleo, comparados a 95% de manufaturados chineses exportados para o Brasil. Na prática, desde 2008 não há verdadeiro contato econômico regular entre os dois países, segundo negociadores.
Na área financeira, a situação é um pouco diferente, em razão dos encontros entre ministros e banqueiros centrais no G-20, o grupo das principais economias do planeta. Mas o projeto de utilização comum de suas moedas no comércio bilateral tampouco avança.
Ao mesmo tempo em que continua sofrendo a pressão dos produtos chineses, o Brasil está atento a um projeto da União Européia para fazer uma concessão apenas ao Paquistão: eliminar as tarifas de importação de 81 produtos por três anos, para ajudar esse país no rastro da forte inundação que destruiu parte de sua economia.
Só que a indústria têxtil brasileira pediu para o governo tentar limitar na Organização Mundial do Comércio (OMC) esse projeto da UE. É que a UE precisa apresentar o pedido na OMC para fazer a concessão apenas para o Paquistão, sem que ele seja estendido aos outros membros.
A Euratex, representando a indústria têxtil européia, denunciou que a lista beneficiará mais de 60 produtos têxteis e confecções originárias de companhias paquistanesas eficientes, bem equipadas, localizadas fora das áreas inundadas e com faturamento superior a média da própria indústria européia.
Na mesma linha, a Associação Brasileira da Industria Têxtil (Abit) pediu oficialmente ao governo, em Brasília, para só apoiar os europeus na OMC se o pacote excluir todo o universo da cadeia têxtil (fibra, fios, filamentos, tecidos, vestuário, etc) o que significaria destruir o pacote para o Paquistão. O Brasil exporta atualmente US$ 500 milhões por ano de tecidos para o mercado europeu e teme perder ainda mais espaço para os paquistaneses.
A industria têxtil brasileira se opõe também à concessão, pelo Brasil, de livre acesso para produtos dos países mais pobres do mundo, uma promessa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá dificuldades de cumprir até dezembro. O setor alega que o Brasil precisa manter as tarifas sobre importação de têxteis, diante da forte competitividade de países como Camboja e Bangladesh, que serão beneficiados pelo plano brasileiro. Na negociação Sul-Sul, de 11 países emergentes, que deve ser assinado em Foz do Iguaçu no mês que vem, o Brasil acabou excluindo concessões no setor têxtil.
08.10.10 - vie
Movimentações nos portos do país tem alta de 11%
O volume de contêineres nos principais portos da Índia cresceu 11% na primeira metade do ano fiscal 2010, encerrado em 30 de setembro, de acordo com declaração da Indian Ports Association.
Os complexos indianos movimentaram 3,7 milhões de Teus (unidade equivalente ao um recipiente de 20 pés) de abril a setembro, em comparação com 3,3 milhões de Teus registrado no mesmo período do exercício anterior.
A tonelagem dos contêineres transitados totalizou 54,6 milhões de toneladas no período, alta de 11,5% ante 49 milhões de toneladas.
Todos os portos indianos registraram crescimento anual nas movimentações de cargas conteinerizadas, porém o maior ganho obtido foi em Chennai, que teve os volumes ampliados em 30%, para 758 mil Teus, ante 581 mil Teus no ano anterior.
O montante transitado pelo complexo de Nhava Sheva, considerado o mais requisitado da Índia, manteve o índice do ano anterior, perfazendo 2,1 milhões de Teus.
De acordo com a autoridade portuária indiana, a tonelagem média de toda a mercadoria embarcada foi 1,23% maior, alcançando 271 milhões de toneladas comparado aos 268 milhões de toneladas no ano passado.
O porto de Kandla foi o principal transportador de mercadorias na primeira metade do ano fiscal, perfazendo 40 milhões de toneladas em movimentações, seguido pelo complexo de Visakhapatnam, com 235 milhões de toneladas.
Os complexos indianos movimentaram 3,7 milhões de Teus (unidade equivalente ao um recipiente de 20 pés) de abril a setembro, em comparação com 3,3 milhões de Teus registrado no mesmo período do exercício anterior.
A tonelagem dos contêineres transitados totalizou 54,6 milhões de toneladas no período, alta de 11,5% ante 49 milhões de toneladas.
Todos os portos indianos registraram crescimento anual nas movimentações de cargas conteinerizadas, porém o maior ganho obtido foi em Chennai, que teve os volumes ampliados em 30%, para 758 mil Teus, ante 581 mil Teus no ano anterior.
O montante transitado pelo complexo de Nhava Sheva, considerado o mais requisitado da Índia, manteve o índice do ano anterior, perfazendo 2,1 milhões de Teus.
De acordo com a autoridade portuária indiana, a tonelagem média de toda a mercadoria embarcada foi 1,23% maior, alcançando 271 milhões de toneladas comparado aos 268 milhões de toneladas no ano passado.
O porto de Kandla foi o principal transportador de mercadorias na primeira metade do ano fiscal, perfazendo 40 milhões de toneladas em movimentações, seguido pelo complexo de Visakhapatnam, com 235 milhões de toneladas.
08.10.10 - vie
É preciso saída global para câmbio, diz FMI
Dominique Strauss-Kahn, diretor do Fundo, diz que, na "guerra cambial", muitos países usam suas moedas como arma. Vice-governador do BC chinês diz que yuan terá valorização gradual, e não de 20% em 2 anos, como sugerem os EUA
A tensão sobre uma "guerra cambial" e as pressões para a valorização das moedas da China e de emergentes dominaram as discussões no Fundo Monetário Internacional ontem, com o diretor do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, alertando para ameaças à economia global.
"Guerra cambial é um termo muito militar, mas é verdade que muitos consideram suas moedas uma arma", disse Strauss-Kahn na entrevista coletiva que antecede a reunião anual do Fundo em Washington.
"A disposição para a coordenação de políticas perdeu ímpeto (...) e o fato de que países estão buscando soluções domésticas para um problema global é ameaça real à recuperação."
O ministro Guido Mantega (Fazenda), que participa das reuniões (que começam hoje) vem mencionando há dias o potencial para "guerra cambial" e "guerra comercial".
Ele afirmou que levará ao Fundo reclamações sobre ações dos EUA que contribuíram para a desvalorização do dólar, além de renovar pedidos de valorização da moeda chinesa, o yuan.
Além do Brasil, a Suíça e o Japão intervieram recentemente para frear a valorização de suas moedas, e a tendência é que o movimento se espalhe.
Sem mencionar nenhum país, Strauss-Kahn afirmou que é necessário reequilibrar a economia mundial e que isso não pode acontecer sem uma mudança relativa nos valores das moedas. "Opor-se a isso no médio prazo não ajuda no reequilíbrio."
Indagado sobre a China, Strauss-Kahn reiterou que o yuan está "substancialmente desvalorizado" e que o país deve valorizá-lo "o quanto antes". "Dizem que vão fazer isso, mas podem agir mais rápido." Para ele, mesmo uma valorização de 20% não corrigiria sozinha os desequilíbrios mundiais.Pequim Resiste
Pequim continua resistindo em valorizar o yuan. O vice-governador do banco central chinês, Yi Gang, disse ontem no FMI que o país não concordará na valorização de 20% em dois anos, como sugerido pelos EUA, e que o processo de flexibilização será gradual.
Desde junho, o yuan teve valorização de cerca de 2%, o que muitos consideram insuficiente. Yi também disse ser "improvável" um acordo entre os países asiáticos sobre coordenação cambial.
A tensão sobre uma "guerra cambial" e as pressões para a valorização das moedas da China e de emergentes dominaram as discussões no Fundo Monetário Internacional ontem, com o diretor do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, alertando para ameaças à economia global.
"Guerra cambial é um termo muito militar, mas é verdade que muitos consideram suas moedas uma arma", disse Strauss-Kahn na entrevista coletiva que antecede a reunião anual do Fundo em Washington.
"A disposição para a coordenação de políticas perdeu ímpeto (...) e o fato de que países estão buscando soluções domésticas para um problema global é ameaça real à recuperação."
O ministro Guido Mantega (Fazenda), que participa das reuniões (que começam hoje) vem mencionando há dias o potencial para "guerra cambial" e "guerra comercial".
Ele afirmou que levará ao Fundo reclamações sobre ações dos EUA que contribuíram para a desvalorização do dólar, além de renovar pedidos de valorização da moeda chinesa, o yuan.
Além do Brasil, a Suíça e o Japão intervieram recentemente para frear a valorização de suas moedas, e a tendência é que o movimento se espalhe.
Sem mencionar nenhum país, Strauss-Kahn afirmou que é necessário reequilibrar a economia mundial e que isso não pode acontecer sem uma mudança relativa nos valores das moedas. "Opor-se a isso no médio prazo não ajuda no reequilíbrio."
Indagado sobre a China, Strauss-Kahn reiterou que o yuan está "substancialmente desvalorizado" e que o país deve valorizá-lo "o quanto antes". "Dizem que vão fazer isso, mas podem agir mais rápido." Para ele, mesmo uma valorização de 20% não corrigiria sozinha os desequilíbrios mundiais.Pequim Resiste
Pequim continua resistindo em valorizar o yuan. O vice-governador do banco central chinês, Yi Gang, disse ontem no FMI que o país não concordará na valorização de 20% em dois anos, como sugerido pelos EUA, e que o processo de flexibilização será gradual.
Desde junho, o yuan teve valorização de cerca de 2%, o que muitos consideram insuficiente. Yi também disse ser "improvável" um acordo entre os países asiáticos sobre coordenação cambial.



