22.09.09 - mar

Mercado descarta PIB negativo em 2009, pela primeira vez desde março

 O mercado finalmente se convenceu que a desaceleração da atividade econômica no Brasil não foi forte o suficiente para que o Produto Interno Bruto (PIB) de 2009 seja, em termos reais, inferior ao de 2008, sinaliza pesquisa de expectativas feita pelo Banco Central. Colhida na sexta-feira, a nova mediana das projeções para este indicador ainda não chega a apontar crescimento real do PIB este ano. Mas, pela primeira vez desde o fim de março, pelo menos não prevê redução real do produto.
A pesquisa da semana anterior indicava queda de 0,15% do PIB. No fim de maio, a mediana chegou a apontar queda real de 0,73%. Apesar da crise financeira mundial e dos seus efeitos sobre o país, o governo nunca sancionou o excesso de pessimismo do mercado em relação ao comportamento da atividade econômica este ano. Estimada em 4,5% no projeto original de Orçamento para 2009, encaminhado em agosto de 2008, a taxa de crescimento real esperada pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento para este ano, atualmente 1%, foi revista, mas manteve-se sempre positiva. Os relatórios trimestrais de inflação mostraram que o BC tampouco chegou a trabalhar com hipótese de variação negativa do PIB em 2009.
Pela nova pesquisa do Banco Central, o mercado espera estabilidade do valor real do PIB total, apesar da prever queda de 7,25% no PIB do setor industrial. A redução seria compensada pelo aumento de atividade em outros setores da economia.
Para 2010, os bancos e empresas participantes da pesquisa preveem crescimento econômico real de 4,2%, o que também representa melhora de expectativas. Na pesquisa anterior, a mediana das projeções para a variação do PIB no próximo ano estava em 4%. Para a indústria especificamente, permaneceu a mediana de 6%.
As projeções de inflação mudaram pouco, mas também foram alteradas em comparação à sondagem da semana anterior. Para o IPCA, a expectativa agora é de variação de 4,31% em 2009 e de 4,3% em 2010. Para o IGP-DI, a expectativa é de deflação de 0,2% este ano e de inflação de 4,5% no ano que vem. O mercado prevê deflação também em relação aos preços que compõem o IGP-M, nesse caso, de 0,61% para este ano.
Para 2010, a mediana das projeções de variação do mesmo índice indica inflação de 4,5%. Para o IPC da Fipe, a mediana aponta aumento do índice tanto em 2009 (4,2%) quanto em 2010 (4,45%). Para este e o próximo ano, a meta de inflação do governo, que refere-se ao IPCA, é de 4,5%.

Fonte:NetMarinha
22.09.09 - mar

No comércio exterior, Brasil sai pior da crise, diz professor

 Pela ótica do comércio exterior o Brasil vai sair da crise econômica mundial pior do que entrou. Essa é a avaliação do economista Márcio Holland, da Fundação Getulio Vargas (FGV). Segundo cálculos do economista, as exportações mundiais totais vão cair 11,5% entre o ano passado e este ano. Em meio à queda das relações comerciais, o Brasil apresenta "perigosa" tendência de piora na pauta exportadora. "Estamos vendendo cada vez mais commodities, deixando os manufaturados para segundo plano", afirmou o economista durante o 6º Fórum de Economia realizado pela FGV em São Paulo.
Quase 85% do que é exportado à China, o principal parceiro comercial brasileiro, são bens primários. Esse valor foi apurado após a eclosão da crise mundial, que abalou a demanda nos mercados desenvolvidos. Assim, raciocina Holland, restou ao Brasil apelar à China para suprir a entrada de dólares na balança comercial. A demanda chinesa se concentra em bens primários que são industrializados internamente e depois remetidos a outros países emergentes sob a forma de manufaturados. Aos chineses interessa, portanto, que os termos de troca, como a taxa de câmbio, favoreçam a importação de seus produtos.
Para o economista da FGV é preciso conferir estabilidade ao real para dar maior segurança aos empresários. A alta volatilidade e valorização da moeda brasileira - que de 2003 a 2008 se apreciou 27,3% - dificulta a tomada de posições no comércio exterior, além de baratear os importados.
Segundo Holland, porém, o governo ainda se preocupa demais com o nível da inflação. "Nos EUA, teremos inflação anual de 2% apenas em 2014. No Brasil, onde a dinâmica será semelhante, o Banco Central está preocupado com o aumento de preços. Temos de mudar o foco da política monetária."
Para Luiz Fernando de Paula, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e presidente da Associação Keynesiana Brasileira, os países exportadores de recursos naturais e com menor carga tributária, como México e Equador, foram os mais atingidos pela turbulência econômica.
Roberto Lavagna, ex-ministro da Economia da Argentina (2002-2005), diz que a América Latina se saiu melhor que os países desenvolvidos - embora ainda seja preciso refletir sobre o comércio exterior. "A redução de dívidas e os superávits fiscais acumulados anteriormente foram cruciais para esse desempenho. Mas há muito mais otimismo quanto a mudanças que medidas práticas de fato", critica.

Fonte:NetMarinha
21.09.09 - lun

Brasil: Crise muda perfil das exportações brasileiras

 A crise global provocou uma mudança significativa na pauta de exportação do Brasil. Pela primeira vez desde 1978, as vendas externas de commodities superaram as de manufaturados. De janeiro a agosto, os produtos básicos responderam por 42,8% das exportações, acima dos 42,5% dos manufaturados, conforme a Secretaria de Comércio Exterior.
O assunto está preocupando o governo. O cenário é bastante desfavorável para as exportações de manufaturados. A demanda mundial está fraca. Os preços sofreram forte recuo. E a desvalorização do dólar (R$ 1,80), debilita a competitividade das empresas brasileiras no exterior.
O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, Benedicto Fonseca Moreira, e o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, Humberto Barbatto, alertam que não se deve contar que as commodities serão suficientes para cobrir um déficit comercial dos manufaturados. "Um quilo de notebook dá quatro toneladas de carnes em valor", comparou Barbatto. O governo estuda medidas de apoio aos exportadores.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse ontem que quer aumentar o volume de recursos para a linha de financiamento de pré-embarque de bens de capital. A linha já ultrapassou R$ 6 bilhões, mas há mais R$ 1 bilhão de pedidos em carteira.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também afirmou que o governo avalia "com seriedade" a competitividade do setor exportador. Ele destacou que o real segue a variação dos produtos básicos, e ressaltou que o Brasil será um grande exportador de petróleo por conta do pré-sal.

Fonte:Revistaglobal








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