03.09.10 - vie

Exportação perde espaço e representa 3% das vendas

Em 2005, de cada US$ 100 faturados pelo pólo industrial de Manaus, US$ 10,70 vinham das exportações. Essa participação foi declinando ano a ano. Em 2009, baixou para US$ 3,31. De janeiro a junho deste ano, ela caiu um pouco mais, para US$ 3,26. Os dados são da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
O que tem sustentado as receitas das indústrias do pólo são as vendas para o mercado nacional. Tirando o que foi comercializado na própria região da Zona Franca, as vendas para o mercado brasileiro representavam 68,3% do faturamento do pólo industrial em 2005. No ano passado, a fatia já havia avançado para 81,1%, percentual praticamente mantido no primeiro semestre deste ano.
Para José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a queda de 70% nas receitas de exportação nos últimos cinco anos, o aumento nas vendas para o mercado nacional e a forte elevação dos importados no total de insumos adquiridos no pólo industrial de Manaus representam um alerta para estudar a viabilidade da criação de novas zonas de processamento de exportação no país. "O objetivo dessas áreas é a interiorização do desenvolvimento, com produção voltada para as vendas ao exterior", argumenta.
Para Oldemar Ianck, superintendente-adjunto de projetos da Suframa, os números mais recentes são resultado dos efeitos da crise financeira, que afetou de forma mais contundente o mercado internacional do que a demanda doméstica. Ianck acredita que a Zona Franca ainda pode funcionar como plataforma de exportação para os países da América Latina.
Segundo dados da Suframa, entre os principais mercados de produtos do pólo de Manaus destacou-se no primeiro semestre de 2010 a Argentina, com 35% de participação na pauta de exportações local, além de Venezuela e Colômbia. "O importante é que há uma retomada. No ano passado tivemos exportações abaixo de US$ 1 bilhão, mas este ano provavelmente voltaremos a ultrapassar esse patamar."
O economista Gilmar Freitas, assessor da presidência da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), lembra que a produção da Zona Franca contribui para reduzir o volume de importações diretas totais do país. "Isso deve ser levado em consideração para analisar as exportações e a balança comercial da região."
03.09.10 - vie

México é prioridade para governo e companhias do Brasil

Uma missão diplomática brasileira passou a semana no México para discutir a aproximação comercial entre os dois países. O encontro, que se segue a discussões realizadas em junho, em Brasília, termina hoje e serviu para troca de informações em preparação para futuras negociações de um acordo de livre comércio.
"Ainda não estamos prontos para negociar o acordo de livre comércio, mas, quando estivermos, teremos muito mais conhecimento sobre a situação dos dois países", disse ao Valor um dos principais integrantes da missão, o diretor do departamento de Aladi e Integração Econômica no Itamaraty, Paulo França. A missão, abrigada em um acordo "estratégico de integração econômica" firmado entre os presidentes Luis Inácio Lula da Silva e Felipe Calderón, discutiu principalmente temas de investimentos e serviços, e tem integrantes do Itamaraty, dos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A presença das autoridades brasileiras no México demonstra que o mais a onda de violência do México não afetou substancialmente o interesse do governo e do setor privado brasileiros em ampliar as ligações comerciais e de investimentos com o México. O acordo de livre comércio, defendido por Calderón em sua visita ao Brasil, é considerado prioridade pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), mas enfrenta resistência de empresas mexicanas, especialmente as do setor de alimentos, que temem a competitividade dos concorrentes brasileiros.
"Os empresários brasileiros não se sentem desencorajados pela violência urbana", diz a gerente-executiva de Negociações Internacionais da CNI, Soraya Rosar. Ela não vê mudanças na disposição dos empresários brasileiros em ampliar negócios com o México. Ainda em setembro, uma missão de empresários mexicanos virá ao Brasil, para discutir oportunidades de comércio e investimento.
A violência preocupa, porém, alguns empresários com negócios na região, entre eles o diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação de Indústrias de São Paulo (Fiesp), Roberto Gianetti, cuja empresa, a Ethanol Trading, tem negócios com firmas mexicanas interessadas em projetos de etanol combustível no país.
Os negócios envolvem exportações de maquinas no valor de US$ 60 milhões, e não há sinal de que possam ser revistos devido à violência no México. Mas o temor de incidentes é crescente, diz Gianetti. "Quando mando funcionários para lá, fico sempre preocupado, há muita insegurança nas estradas", comenta ele.
02.09.10 - jue

Exportações alcançam US$ 181,157 bilhões no acumulado dos últimos doze meses

Pela primeira vez, o número supera a meta de US$ 180 bilhões para o ano De janeiro a agosto de 2010, as exportações brasileiras somaram US$ 126,096 bilhões (média diária de US$ 755,1 milhões) e, no acumulado dos últimos doze meses (de setembro de 2009 a agosto de 2010), chegaram a US$ 181,157 bilhões, valor maior que a meta de US$ 180 bilhões prevista para o ano de 2010. Nesse acumulado, é a primeira vez no ano que as exportações superam a meta do governo, mas, segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, ainda não é hora de rever essa previsão.

“Vamos avaliar isto mais para o final do ano para termos um dado mais seguro. Mas a meta de US$ 180 bilhões, que já foi revisada, será atingida até o fim do ano”, disse o secretário em entrevista coletiva nesta quarta-feira (1°/9), para apresentar os dados da balança comercial de agosto de 2010. A meta inicial para 2010 era de US$ 168 bilhões e foi revista em junho.

Agosto

As exportações de agosto de 2010 alcançaram o maior resultado mensal em valor (US$ 19,236 bilhões) e pela média diária (US$ 874,4 milhões), desde setembro de 2008, quando se registrou valor total de US$ 20,017 bilhões e média diária de US$ 909,9 milhões. Em relação às importações, o valor de US$ 16,796 bilhões e a média diária de US$ 763,5 milhões foram igualmente os maiores resultados desde outubro de 2008 - valor de US$ 17,184 bilhões e média diária de US$ 781,1 milhões.

Barral também comentou a variação das exportações em relação aos destinos dos produtos brasileiros. Segundo ele, no período de janeiro a agosto, foram principalmente os países em desenvolvimento que aumentaram a participação na pauta da exportação brasileira e, em termos percentuais, os maiores aumentos foram para a Europa Oriental (43%), América Latina e Caribe (40%), e Oriente Médio (32%).

Ele mencionou ainda o aumento das importações de bens de capital que, no comparativo de agosto deste ano com o mesmo mês de 2009, tiveram alta de 79,7%. “Isto significa que os projetos de investimentos estão se confirmando e isso se reflete muito na importação de maquinaria, que foi um item que teve grande destaque este mês”, avaliou. As compras no exterior deste produto tiveram aumento de 121,4%, no mesmo período.  

Em relação às compras de bens de consumo, houve aumento de 54,3% no comparativo entre agosto de 2010 e agosto de 2009, o que, segundo Barral, já pode ser resultado da antecipação dos pedidos para o Natal, seguindo ciclo sazonal dos meses de agosto, setembro e outubro. Neste sentido, os itens bebidas e tabacos se destacaram, com crescimento de 77,7% nas importações, no mesmo comparativo.

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