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Cerca de 100 navios estão parados no Porto de Santos à espera dos embarques de açúcar
O Brasil responde por quase metade do mercado global de açúcar. Porém, está difícil exportar. A fila de embarcações no porto se mantém, mesmo depois de meses de tempo seco. Cerca de 100 navios estão parados aqui no porto de santos. Com a chuva, os embarques são suspensos e a situação tende a piorar.
— Prejudica no sentido de que alguém tem que pagar essa conta, a conta da estadia do navio no porto. Alguém tem que pagar essa conta. Essa conta vai ser paga pelo produtor, pelo exportador, pela trading, ou pelo importador. Depende do contrato de cada um. Mas, de qualquer maneira, é um custo. E esse custo é refletido muitas vezes no prêmio — diz Corrêa.
A demanda aquecida pelo açúcar brasileiro é um dos principais motivos para o congestionamento no porto. A produção caiu em alguns países e neste momento só o Brasil tem o produto para exportar. Com isso, o preço voltou a subir. Desde maio, quando o açúcar estava em torno dos US$ 0,15 por libra-peso, houve alta de mais de 60%. O produto na bolsa de Nova York vem sendo cotado acima dos US$ 0,23.
— É difícil saber até onde vai subir, mas não deve haver queda — completa Arnaldo Corrêa.
Porto do Rio Grande cresce 9,3% entre janeiro e agosto
Durante sua participação na feira Itajaí Trade Summit, que acontece de 15 a 17 de setembro, o Porto do Rio Grande divulgou seu desempenho no período compreendido entre janeiro e agosto deste ano. Nos oito primeiros meses de 2010, o porto gaúcho operou 19.065.147 toneladas contra 17.484.811 toneladas obtidas em igual período do ano passado.
O crescimento foi notado nos desembarques que tiveram alta 31,5%, respondendo por 6.757.989 toneladas. Já os embarques se mantiveram estáveis com 12.307.158 toneladas.
Em todas as áreas o porto obteve incremento. A carga geral teve crescimento de 12,4% (5.084.605 toneladas). Os granéis sólidos registraram alta de 9,3% (11.530 toneladas) e os líquidos de 1,4% (2.450.541 toneladas).
Para Newton Quintas, assessor técnico do Porto de Rio Grande, o aumento na movimentação também se deve ao fato de Rio Grande ser o porto de águas mais profundas do Conesul, com uma profundidade de 18m2, operando num patamar operacional diferenciado dos demais.
Os embarques de cereais mantiveram-se estáveis com 7,2 milhões de toneladas. Nessa área registraram incremento as movimentações de farelo de soja (+12,6% com 1.486.380 toneladas), o trigo (+8,7% com 936.570 toneladas) e o óleo de soja (+7,8% com 279.623 toneladas). Além disso, ainda foi agregada a movimentação de cevada (24.723 toneladas), que não foi registrada em 2009. Na contramão estão as movimentação de arroz (-36,5%) e milho (-20,1%).
Já os desembarques de cereais tiveram crescimento de 11,3%, atingindo 1.105.320 toneladas. A maior alta foi obtida na movimentação de farelo de soja (+194,9% com 444.711 toneladas). Também teve bom êxito o óleo de soja que cresceu 164,7% com 76.817 toneladas. Nos desembarques foram agregadas cargas como cevada (26.279 toneladas) e milho (9.343 toneladas), enquanto que no ano passado não houveram movimentação desse tipo de mercadoria. A queda foi sentida nos descarregamentos de soja em grão (-17,1%) e de arroz (-86,4%).
As operações de contêineres também fecharam em alta com 434.721 Teu´s (+5%). A movimentação de embarcações foi outro setor que registrou crescimento, atingindo 2.160 unidades (+3,7%). Neste setor o destaque ficou com a cabotagem que teve incremento de 26,9% (367 unidades) e com a navegação interior, que teve acréscimo de 4,4% (867 unidades). Apenas os navios de longo curso tiveram queda, com baixa de 3,8%, obtendo 926 unidades.
Congestionamentos comprometem complexos brasileiros
Nos últimos meses, fortes chuvas atrasaram o carregamento de grãos de açúcar nos complexos de Santos (foto) e Paranaguá, afetando os mercados handysize e handymax na bacia do Atlântico. No último dia 14, por exemplo, 14 navios aguardavam atracação no terminal açucareiro de Pasa em Paranaguá, de acordo com a LBH Group.
A situação no Porto de Santos, o maior do País, é um pouco melhor. No terminal da Cosan, o tempo médio de espera é de quatro semanas. Mas a embarcação Hector, de 52.212 dwts, já aguarda há 36 dias, e não deve chegar ao destino até o final deste mês. No terminal da Gargill, os atrasos são mais curtos, com tempo médio de 17 dias. Estima-se que o tempo de carregamento na Cargill seja menor em relação às outras companhias, propiciando menor tempo de espera.
O alto preço do açúcar, que alcançou a maior alta em 30 anos no início de 2010, encorajou as usinas a exportar. O Brasil exportou 3,3 milhões de toneladas de açúcar em agosto. Nos primeiros quatro meses da temporada de exportação iniciada em maio, o País exportou quase 11 milhões de toneladas, ante 9 milhões de toneladas no mesmo período em 2009.
As chuvas de julho interromperam por uma semana a movimentação portuária, e os problemas foram crescendo desde então. A infraestrutura dos portos também não ajudou: 90% do açúcar é carregado para os navios por caminhões, e o período do ano coincide com a alta temporada para exportação de grãos e farelo de soja.
No mês passado, a International Sugar Organisation sugeriu, em relatório, que a Índia - maior consumidor mundial de grãos açucareiros - voltaria a ser exportadora líquida do produto na próxima temporada. O país passará de um déficit de quase 5 milhões de toneladas para um excedente de mais de 3 milhões de toneladas, o que provavelmente reduzirá as exportações brasileiras, aliviando a demanda portuária brasileira.



