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Archivo de Noticias: julio - 2010
Santa Catarina vai extinguir benefício à importação
O benefício era concedido por meio do programa Pró-Emprego desde 2007. Além de vedar a redução da alíquota nas importações, o Estado criou, em 2009, o Pró-Náutica, que reduz de 25% para 7% o ICMS na fabricação de embarcações de lazer. Segundo a Secretaria da Fazenda, outros Estados como Rio de Janeiro e São Paulo adotaram medidas semelhantes.
Marcio Schaefer, presidente da Schaefer Yachts, diz que o Estado devia ter eliminado o benefício à a importação ainda mais cedo. "Enquanto nós pagávamos 7% de ICMS, a embarcação importada pagava 3%", disse.
No Rio Grande do Sul, o Estaleiro Cimitarra, de Vera Cruz, também pleiteia redução de ICMS junto ao governo gaúcho. "Hoje pagamos 25%. Temos recebido muitos convites de Santa Catarina e estamos estudando a transferência da produção", diz Tomás Ko Freitag, proprietário da Cimitarra, que já vendeu 1.076 embarcações, em 11 anos de funcionamento.
Apesar da chegada da indústria internacional no Brasil, Schaefer prepara-se para ampliar a sua produção. Em 2009, foram fabricadas cerca de 200 embarcações de diferentes portes em duas unidades na Grande Florianópolis. A partir deste ano, a empresa vai começar a entregar embarcações de 60 pés. O projeto para 2011, com a inauguração de uma nova unidade de produção na Grande Florianópolis, é entregar também embarcações de 80 pés.
O próximo passo da Cimitarra é entregar um iate de 68 pés. Os modelos de 50 pés são os mais procurados, garante Freitag. Apesar de o modelo competir em tamanho com as embarcações italianas, o empresário observa que os mercados são diferentes. "Enquanto uma importada custa R$ 3 milhões, nós entregamos a embarcação por R$ 1,3 milhão", diz.
Capital estrangeiro investe em iates no BrasilO mercado brasileiro já mostrou seu potencial aos fabricantes estrangeiros de iates de luxo, que exportavam suas embarcações para cá. No ano passado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o crescimento de importações desse tipo de embarcação foi de quase 30% sobre 2008. Agora, as principais grifes mundiais de iates de luxo arregaçam as mangas para produzir no Brasil.
O negócio é voltado a consumidores dispostos a pagar entre R$ 1 milhão e R$ 3 milhões por barcos com mais de 40 pés (cerca de 12 metros). A estimativa é que o Brasil consuma cerca de 150 iates desse tipo por ano. Atenta a esse movimento, a italiana Azimut-Benetti decidiu investir R$ 200 milhões em um estaleiro de 200 mil metros quadrados em Itajaí, no litoral de Santa Catarina. O grupo, que opera em 67 países, quer fabricar embarcações de alto luxo no Brasil.
De acordo com o CEO da Azimut Brasil, Luca Morando, a intenção é começar com a fabricação de dois modelos - o Azimut 43 e o Azimut 58 - que atendem o maior volume da demanda brasileira. "O mercado brasileiro de indústria náutica é novo, está crescendo. Há dez anos, a maioria das vendas ficava entre 30 e 40 pés. Agora, está entre 50 e 60 pés", diz.
A produção estimada em Itajaí, quando a planta estiver em operação, será de 100 iates por ano. Segundo Luca, seis modelos serão fabricados no Brasil: quatro abaixo de 80 pés e dois entre 80 e 100 pés.
O investimento é uma segunda etapa de aproximação da fabricante italiana com o mercado brasileiro. Em abril, a Azimut fechou parceria com a Yacht Brasil, que se tornou importadora oficial dos iates no País.
Segundo Luca, a intenção é, em cinco anos, fabricar no Brasil 95% do que será vendido no País. Em um momento posterior, Luca diz que há a intenção de atender outros países do Mercosul. Além da Itália, a Azimut detém um estaleiro na Turquia. Lá são fabricados cerca de 150 barcos por ano - de 38 e 40 pés.
Competidora mundial da Azimut, a marca Ferretti também se prepara para ampliar a produção em solo brasileiro. Este mês, o Ferretti Group Brasil - empresa brasileira que detém contrato de licença com o italiano para a fabricação dos modelos - transferiu a produção de Jandira para Vargem Grande Paulista, no interior de São Paulo. A nova unidade tem 145 mil metros quadrados e 400 funcionários trabalhando na produção.
"A gente vem aumentando o 'share' de mercado e deve triplicar a linha em três anos", diz Marcio Christiansen, diretor do Ferretti Group Brasil. A capacidade de produção de 40 embarcações por ano, em Jandira, vai passar para até 120 com a nova fábrica.
Segundo Nelson Waisbich, diretor técnico da Ferretti, a planta tem capacidade para fabricar nove modelos de 50 até 83 pés. De acordo com ele, as embarcações de "entrada", de 51 pés, custam cerca de R$ 3 milhões. Mas há uma demanda crescente por embarcações de mais de 80 pés, que custam de R$ 10 milhões para cima.
Para chegar ao consumidor, o grupo inaugurou um show room de mais de 1.000 m² batizado de Tools&Toys no Shopping Cidade Jardim, na capital paulista. Além dos iates, a loja aposta em outros artigos de luxo, incluindo automóveis e helicópteros.
Segundo Waisbich, há diferenças entre o consumidor brasileiro e o europeu ou norte-americano. "No brasileiro, o nível de personalização das embarcações é muito maior. Na Europa, isso é menos praticado. O brasileiro gosta de coisas mais exclusivas", diz.
Quanto às formas de pagamento, o setor enfrenta certa dificuldade em encontrar linhas de financiamento dirigidas ao consumidor que quer comprar um barco sofisticado. "Os financiamentos praticamente não existem", diz Waisbich.
Além das italianas, o grupo norte-americano Brunswick também andou sondando áreas no Brasil. Em Santa Catarina, o grupo entrou em contato com o governo estadual e estudou a possibilidade de instalar um estaleiro em São Francisco do Sul, no litoral norte. A região tem forte movimentação portuária e potencial turístico, com praias e patrimônio histórico.
Apesar da expansão no consumo por embarcações de lazer, a infraestrutura de marinas e portos ainda é insuficiente. O investimento em estruturas desse tipo é um dos focos de negócio da Azimut Brasil. "Estamos buscando áreas em que possamos instalar marinas em todo o País", diz Luca Morando.
Ministro defende redução de custos logísticos para aumentar investimentos
"Os EUA, que estão longe de ser um exemplo no setor de logística, como a Bélgica ou a Alemanha, gastam em torno de 8% com logística", disse o ministro. Com esse quadro, o Brasil figura, segundo estudo do Banco Mundial, no 41º lugar em funcionalidade portuária, após saltar 20 posições desde 2007. Mas o ministro espera que o país continue melhorando, com o PND.
A dragagem deixará o porto com capacidade para receber navios com 0,5 metro a mais do que o porto de Santos, quando passar dos seus atuais 14 metros para 17,5 metros de profundidade.
O PND abrange, por enquanto, 16 obras em portos de diferentes Estados. Os portos de Recife, Angra dos Reis e de Rio Grande são os únicos cujas obras já foram finalizadas, além da primeira fase o porto de Itaguaí.
No entanto, o porto de Santos, único com plano diretor desenhado até o momento, deverá triplicar de capacidade nos próximos 15 anos. Isso faz com que, segundo o ministro, haja necessidade de se modificar o seu entorno, já que não há estrutura para que o total de 15 mil caminhões que passam diariamente pelo local seja triplicado.
Com isso, há possibilidade que o Porto de Santos venha a receber um túnel, tanto para tráfego de caminhões como de trens. "O objetivo do túnel é vencer a Serra do Mar", disse o ministro. Ele espera que, dentro dos próximos 12 meses, sejam desenhados também os planos diretores dos portos do Rio e de Itaguaí.Ainda desconhecido por chineses, Brasil vira oportunidade além do comércio
Há quatro explicações. A primeira é a percepção de que, no vácuo da crise, as economias maduras passarão por um longo período de incerteza. A China precisa abrir o leque de parceiros.
A segunda vem do acrônimo Bric. Sem conhecer bem a nossa realidade, os empresários chineses nos vêem como membros de um grupo que terá peso crescente. Percepção é tudo em suas decisões.
Eles não costumam valer-se de consultoria, nem se fiam em análises complexas sobre o local onde atuarão.
Em geral, têm dificuldades de entender as peculiaridades de uma economia de renda média como a nossa. Mas, se antes desanimavam, agora querem vencer obstáculos. A terceira razão é estratégica. A China precisa garantir o suprimento de bens que o Brasil tem em abundância, e considera não só comprar fazendas e minas mas investir em logística e infraestrutura.
Por fim, num país onde a taxa de poupança é da ordem de 50% do PIB, há mais recursos que projetos -ainda que as obras sejam muitas.
Os bancos e os fundos de investimentos estão sempre à caça de opções. Muitos poupadores desencantados com a poupança e as Bolsas querem alternativas.
O negócio Brasil passou a ser tão bem avaliado que grandes bancos estrangeiros estão fazendo esforço para mostrar que conhecem a nossa realidade e são os intermediários para ela. Alguns abriram mesas de operações em Xangai apenas para o Brasil.
Como até hoje só dois bancos brasileiros estão na China continental, com presença discreta, instituições estrangeiras com filiais ou subsidiárias nos mercados chinês e brasileiro simultaneamente aproveitam a deixa.
Nas próximas duas décadas, a China será uma economia industrial cada vez mais sofisticada e competitiva devido, sobretudo, ao fácil acesso a financiamento, à boa infraestrutura e ao esforço empresarial em inovação.
Os salários, ainda baixos em muitos locais, estão aumentando, e o yuan, no médio prazo, deve apreciar. As empresas brasileiras que souberem montar parcerias interessantes para operar na China, no Brasil e em terceiros mercados vão ganhar.
O mercado chinês seguirá tendo liquidez abundante.
Um país como o Brasil, que precisa de recursos externos para crescer a taxas altas, vai se beneficiar disso. O primeiro passo está dado, com acordos de cooperação como os do BB, Itaú, BNDES e Petrobras. Mas há mais adiante.
Exceto por atores grandes e politicamente fortes, as instituições chinesas autorizadas a investir no exterior ainda estão amadurecendo.
Se soubermos mostrar as oportunidades que nossas empresas oferecem, estaremos no caminho certo.



