08.04.10 - thu

Brasil poderá colher a melhor safra da história

A produção brasileira de grãos na safra 2009/2010 deve ser 8,3% superior à do último ciclo, alcançando 146,31 milhões de toneladas. A estimativa, divulgada hoje no sétimo levantamento da safra de grãos feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é a melhor da história, superando em 1,6% o recorde anterior, conquistado na safra 2007/2008, com 144,14 milhões de toneladas colhidas.
Segundo a Conab, os grandes responsáveis pelo resultado são o bom regime de chuvas nas áreas de maior produção, a ampliação de área do milho segunda safra e a antecipação do plantio de soja em Mato Grosso. Levando em consideração apenas a soja, deve haver crescimento de 17,9% na produção, ou 10,22 milhões de toneladas, elevando a produção para 67,39 milhões de toneladas.
No milho segunda safra, os agricultores aumentaram em 3% a área plantada e conseguiram um ganho de 15,9% em produtividade. Com isso, a colheita totalizará 20,73 milhões de toneladas, um aumento de 19,5% em relação ao ciclo 2008/2009. Somada à primeira safra, a produção atinge 54,14 milhões de toneladas, o que representa aumento de 6,1% ou 3,13 milhões de toneladas na comparação com o período anterior.
De acordo com a Conab, metade de toda a safra já foi colhida. O Mato Grosso, um dos principais produtores do país, está na fase final da colheita. Goiás e Paraná já colheram mais de 60% e o Rio Grande do Sul, quase 30%. Dos principais produtos consumidos, já foram colhidos 60% do milho primeira safra, 65% da soja, 40% do arroz e todo o feijão primeira safra.
Apesar do crescimento da produção, a área total plantada nesta safra foi de 47,6 milhões de hectares, apresentando redução de 2% em relação ao ciclo anterior. Para chegar a esses valores, 68 técnicos da Conab foram a campo ouvir representantes de cooperativas e sindicatos rurais, órgãos públicos e privados em todos os estados, entre os dias 15 e 26 de março.
08.04.10 - thu

Exportações para os países árabes têm aumento de 25%

As exportações do Brasil ao mundo árabe renderam US$ 2,3 bilhões no primeiro trimestre, um aumento de quase 25% em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) compilados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
O crescimento foi maior para as nações da região do Levante (Jordânia, Líbano, Iraque e Síria). Os embarques renderam US$ 290 milhões, 41,5% a mais do que nos primeiros três meses de 2009.
A área do Golfo (Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Kuwait e Omã), no entanto, foi o principal destino, com importações de US$ 1,2 bilhão, um avanço de 33,4% na mesma comparação. Para o Norte da África, as vendas brasileiras somaram US$ 803,8 milhões, 9,1% a mais.
As importações brasileiras de produtos árabes ficaram em US$ 1,52 bilhão, um crescimento de 107% em relação ao período de janeiro a março do ano passado. Houve forte influência da retomada do preço do petróleo, embora ele não tenha voltado ao patamar recorde que atingiu em julho de 2008.
08.04.10 - thu

Estudo sugere nova agenda para parceiros do Mercosul

Sem mudanças na relação entre Brasil e Argentina, o Mercosul tende a perder importância e os argentinos assistirão à concentração de novos investimentos e oportunidades de negócios em território brasileiro, alertam dois dos principais centros de estudos internacionais dos dois países, em documento a ser divulgado hoje, em Buenos Aires. Preparado por um grupo de quase 20 ex-integrantes de governo, empresários agrícolas e industriais e acadêmicos, o documento tem a intenção de sugerir uma nova agenda aos governos e influir nos debates para a sucessão presidencial no Brasil.
O documento lembra que, apesar da paralisia na integração institucional entre os dois países, aumentou a "rede de interesses empresariais", que envolve não só comércio, mas investimentos pesados dos dois lados. Calcula-se que os investimentos do Brasil na Argentina ultrapassam US$ 8 bilhões. Na Argentina, mais que duplicaram nos últimos três anos, e já representam cerca de um quarto de todo o investimento estrangeiro direto no país. "Chegamos à conclusão que é preciso escapar da agenda concentrada em comércio, e avançar em pontos onde há potencial de uma agenda positiva", diz o diretor da consultoria Abeceb, Dante Sica, ex-secretário de Indústria argentino.
No documento - resumo dos debates entre os especialistas -, o Centro de Estudos de Integração e Desenvolvimento (Cindes), do Brasil, e o Conselho Argentino de Relações Internacionais (Care) sugerem pelo menos seis pontos novos a serem incluídos na agenda de discussões dos dois países, entre eles uma política comum de "segurança alimentar" e oferta de proteínas para grandes mercados consumidores mundiais, criação de padrões e normas comuns no mercado de energia e integração dos mercados de capital, a começar pelos mercados de futuros.
"Até a desvalorização de 1999, havia canais de integração muito estruturados no setor privado, entre Brasil e Argentina, que desapareceram nos últimos anos", comenta o diretor-executivo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), José Augusto Fernandes, um dos autores do documento. Ele comenta que, nos anos 90, havia momentos em que se reunia mais para discutir projetos comuns com representantes da União Industrial Argentina do que com algumas federações estaduais brasileiras. "O Conselho de Indústrias do Mercosul tinha reuniões mensais, hoje não tem nenhuma", diz ele.
Na pratica, as empresas vêm aumentando operações em ambos os países, como no caso dos produtores de soja Los Grobo, empresa de maioria de capital argentina com sócios brasileiros, cujo presidente, Gustavo Grobocopatel, participou das discussões promovidas pelo Cindes e pela Universidad de San Andrés. As barreiras de investimento e comércio e a falta de coordenação entre os dois países elevam custos e reduzem a competitividade, diz o estudo. As empresas que têm se expandido entre os dois vizinhos sentem necessidade de maior estabilidade e previsibilidade nas regras comuns.
Os argentinos resistem, ainda, à pressão, no Brasil para dar maior ênfase à necessidade de eliminar barreiras ao comércio. "Há uma grande preocupação com as chamadas assimetrias entre os dois países, mas não se conhecem propostas para resolver essa questão definitivamente", reconhece Sandra Rios, do Cindes. O documento menciona que as barreiras protecionistas e a hostilidade a soluções de mercado podem proteger a Argentina da competição e da migração de investimentos ao Brasil temporariamente, mas é insustentável a longo prazo. "A distância econômica entre o Brasil e a Argentina tenderia a crescer, fortalecendo as percepções recíprocas que hoje afastam os dois países."
Até os especialistas argentinos concordam que é difícil por em prática projetos comuns, devido à aversão do governo de Cristina Kirchner aos temas internacionais. "O governo argentino só pensa na política externa em termos da repercussão na política interna, nos interesses políticos nas províncias", lamenta Sica. "A Argentina perde presença internacional e o Mercosul vive completa apatia", diz.
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