09.06.10 - wed

Venezuela adota hoje o "dólar paralelo"

Há três semanas o governo resolveu intervir no "câmbio paralelo", o único que flutuava livremente no país, quando a cotação alcançou recorde histórico: US$ 1 fechou valendo 8,2 bolívares fortes.

Há dois câmbios em vigor desde janeiro: 2,6 bolívares fortes por US$ 1 para bens essenciais, e 4,3 bolívares fortes por US$ 1 para os demais.

Ontem, o presidente do Banco Central, Nelson Merentes, afirmou que pessoas físicas terão acesso ao novo sistema, mas indicou que os pedidos serão atendidos de acordo com "necessidades", e não "para especulação".

Dadas as restrições, analistas avaliam que o novo esquema é positivo, pela maior transparência em relação ao anterior, mas alertam que haverá mercado negro de dólares, a ser usado principalmente por pessoas físicas.

A inflação em maio fechou em 2,6%, menos da metade de abril. Entre janeiro e maio, a Venezuela acumula inflação de 14,2%, numa economia cujo PIB (Produto Interno Bruto) recuou 5,8% no primeiro trimestre do ano.

09.06.10 - wed

MERCOSUL impõe condições à UE para liberalizar indústria automotiva

O MERCOSUL exigirá transferência de tecnologia e mecanismos de monitoramento do comércio, com a previsão de salvaguardas, para garantir a entrada de veículos e autopeças da UE sem tarifa de importação. Pode haver até mesmo a inclusão de algum tipo de compromisso de investimento pelos fabricantes europeus, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, que exerce a presidência temporária do MERCOSUL.

A grande aposta do MERCOSUL para avançar nas conversas com a UE é fazer concessões no setor automotivo e de autopeças. Com isso, espera-se chegar mais perto dos 90% de cobertura dos bens que devem ter tarifas de importação reduzidas, até alcançar alíquota zero. Quando as negociações foram interrompidas, em 2004, o bloco sul-americano havia proposto liberalizar menos de 80% do comércio - percentual rejeitado pelos europeus.

De acordo com o embaixador, o MERCOSUL poderá finalmente aprovar um código aduaneiro comum em julho, na próxima reunião de cúpula dos presidentes. O código é harmonizaria as normas alfandegárias entre os quatro sócios - de requisitos gerais que devem ser cumpridos por despachantes aduaneiros à valoração de produtos nas fronteiras. Desde meados da década os países do bloco tentam, sem sucesso, chegar a um acordo.

"Há posições intermediárias que serão analisadas politicamente", disse Sigal, sem revelar detalhes. O código aduaneiro é um primeiro passo para eliminar a dupla cobrança da Tarifa Externa Comum (TEC) a produtos de fora do MERCOSUL que circulam dentro do bloco. "Há um momento em que se chega ao limite técnico e se requer uma decisão política."

09.06.10 - wed

Indústria agora projeta crescimento de 8%

O setor industrial, na comparação entre abril e março, teve retração de 4,9% na receita, de 3,4% nas horas trabalhadas, e ligeiro aumento de 0,1% no emprego, num indício de acomodação em relação ao mês anterior.

Já na análise do primeiro quadrimestre, os indicadores refletem uma recuperação do setor industrial em relação à perda de 5% em 2009, como, também, uma expansão sustentada no consumo interno. De janeiro a abril o setor industrial apurou, além da alta no faturamento, acréscimos de 7% nas horas trabalhadas na produção, de 3,3% no emprego, de 3,8% na massa salarial. Cresceram também o rendimento (0,6%) e o uso da capacidade instalada (3%).

Ao comentar o efeito-preço, o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, disse que a pressão sobre a inflação não está partindo dos preços industriais, mas dos alimentos e dos serviços.

Castelo Branco comentou que o dado relevante do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que segundo informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior, e de 2,7% em relação ao trimestre anterior, foi a evolução do investimento. Segundo ele, independentemente da taxa, o ideal seria obter crescimento sem altos e baixos. "O investimento crescendo de forma robusta e o consumo em acomodação são dados positivos. A indústria vai continuar em expansão, sem pressionar a inflação", afirmou. "O importante é que haja uma sintonia fina, moderação do Banco Central em relação aos juros, para não arrefecer o crescimento em si", disse.

Castelo Branco espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) não sancione a alta de 0,75 ponto percentual na taxa Selic, hoje, conforme a média das apostas do mercado financeiro. Isso elevaria a Selic para 10,25% ao ano. Ele também quer que o ciclo de ajuste da Selic seja concluído no início do segundo semestre.
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