09.02.10 - tue

Barbosa diz que incertezas sobre recuperação mundial não afetarão contas externas do Brasil

As incertezas sobre o processo de recuperação da economia mundial não deverão afetar as contas externas do Brasil, avaliou o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa. Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, ele afirmou que o atual nível das reservas internacionais e o sistema de câmbio flutuante preservarão o país de problemas no balanço de transações correntes.
No regime de câmbio flutuante, explicou o secretário, o câmbio se deprecia e o balanço de pagamentos se ajusta automaticamente num cenário de escassez de recursos externos. “O próprio câmbio ajusta o balanço de conta-corrente. Se o déficit de conta corrente for muito superior à entrada de capitais, duas coisas podem ocorrer: perda de reservas ou alta no câmbio”, disse Nelson Barbosa.
Quando o país não tinha câmbio flutuante, os impactos dos ajustes cambiais ocorriam sobre a dívida pública e os juros. “Se porventura isso acontecer [retração de recursos externos], não vai desestabilizar as contas públicas e o sistema financeiro brasileiro”, afirmou.
O secretário descartou o uso da taxa de câmbio como instrumento de política comercial. "É uma política que administra as reservas internacionais para reduzir a volatilidade do câmbio e manter uma baixa vulnerabilidade externa da economia. O câmbio tem obviamente impactos indiretos sobre a competitividade das nossas exportações, mas não é guiado por esse motivo", declarou.
Nos últimos dias, o temor sobre o endividamento público de alguns países da União Europeia provocou queda nas bolsas e temor para os investidores estrangeiros. Para Barbosa, a situação fiscal de alguns países europeus desperta incertezas, mas a equipe econômica está certa quanto à recuperação americana. “A gente sabe que os Estados Unidos estão se recuperando, mas não há velocidade desse processo. Tudo indica que é mais lenta do que se esperava antes”.
Barbosa considera o atual cenário melhor que o do final do ano passado, porém pior que as expectativas que se tinham há alguns meses. "O mercado fez uma onda de otimismo no meio do ano passado. Agora parece que está havendo uma correção de expectativas", comentou.
Neste ano, o Ministério da Fazenda projetou crescimento de 5,2% no Produto Interno Bruto (PIB) levando em consideração que as compras do exterior crescerão mais que as vendas externas. No médio prazo, no entanto, Barbosa acredita que as exportações e importações cresçam no mesmo ritmo e afirma que o governo está estudando medidas para melhorar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
Segundo Barbosa, as ações envolvem a simplificação de processos e ampliação de benefícios fiscais. "Elas envolvem, desde questões pontuais, como uma expansão do regime de drawback [isenção tributária para insumos de mercadorias produzidas para exportação] como questões mais pontuais, como registros de exportações e de administração de informações de exportação. Mas a questão que é recorrente, que aparece, são os créditos acumulados pelos exportadores", disse.

fonte:netmarinha
09.02.10 - tue

Frete deve ter reajuste de 18%

Estudo realizado pela NTC&Logística afirma que somente a adequação dos valores fará o mercado de transporte e logística crescer
O cenário do transporte rodoviário de cargas no final de 2009 não era o desejado pela empresas que atuam no setor. Terminais superlotados, falta de caminhões, de motoristas e até de ajudantes causaram expressivos atrasos nas entregas. Em consequência disto, estima-se que devem ser revistos os valores cobrados pelos serviços prestados a fim de atender às necessidades imediatas do setor.
No segundo semestre de 2009, a NTC&Logística realizou uma pesquisa e divulgou, em outubro, que o reajuste para as empresas poderem se reestruturar e investir deveria ser de 15%. Muitas transportadoras não conseguiram praticar essa porcentagem e agora a entidade, após nova pesquisa, sugere que o reajuste deve ser de 18%. De acordo com presidente da NTC, Flávio Benatti, quem conseguiu repassar os fretes naquele período deve compensar agora. “Além disso, é importante que as empresas sejam remuneradas pelos serviços adicionais, como o tempo de espera dos caminhões nos clientes e nos postos fiscais, a permanência da carga nos terminais, a cubagem das cargas volumosas, o manuseio e custos com gerenciamento de riscos, entre tantos outros fatores que contribuem para formar o valor cobrado pelo serviço”, afirma.
A crise econômica que abateu o mundo no final de 2008 trouxe consequências graves para a atividade e empresários. Como forma de se proteger e preservar clientes, eles adiaram investimentos e cederam às pressões do mercado, concedendo descontos. Com a retomada da economia, já a partir do segundo semestre de 2009, não houve tempo e nem recursos suficientes para atender à demanda do final do ano com a qualidade e segurança necessárias. Para agravar o quadro, exigências e restrições por parte dos governos e das empresas contratantes estão cada vez maiores. Fatores como taxas, vistorias, licenças e restrições à circulação dos veículos comerciais reduzem a produtividade e encarecem o serviço prestado.
“Diante do quadro em que o setor se encontra, é necessário fazer o realinhamento do frete, pois somente assim, as empresas poderão cobrir os custos, recompor a margem de lucro e investir para que a demanda seja atendida de forma eficiente e com qualidade”, assegura Benatti. Para ele, caso o valor não seja alterado, o Brasil perderá economicamente, pois o transporte de cargas é um ponto crucial para o desenvolvimento do País.
“Desta forma, a NTC julga recomendável que os usuários dos serviços de transportes rodoviários de cargas revejam as políticas de contratação de fretes. Se não o fizerem, correm o risco de verem suas demandas não supridas, ou atendidas abaixo do padrão de qualidade e segurança necessário e esperado”, afirma o presidente da entidade. Benatti conclui dizendo que se as empresas que não tiverem a preocupação de expor a necessidade de reajustar o valor cobrado terão dificuldades em atender a demanda do mercado e perderão em produtividade, em quantidade de clientes e podem até desaparecer do mercado.

fonte:netmarinha
09.02.10 - tue

Rentabilidade de exportações teve queda de 19% em 2009

O índice de rentabilidade das exportações acumulou perda de 19,6% no ano de 2009. Essa queda é explicada principalmente pela desvalorização do dólar frente ao real, aponta o estudo da Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior).
Segundo o consultor para negócios internacionais da B&A, Ivan Boeing, o fato deu-se pela valorização do real frente ao dólar e pela pressão para a venda de produtos brasileiros no exterior durante recessão mundial.
"A moeda brasileira está apreciada frente ao dólar, assim como as demais moedas mundiais, em decorrência da crise financeira. Além disso, a rentabilidade acumulou uma perda significante, pois teve incentivo do governo para que os produtores exportassem. O que está errado pois há uma recessão em curso, o comércio mundial está retraído, assim, os preços dos produtos recuam e não há lucro, o que deve ocorrer ainda em 2010", afirmou Boeing.
Para o consultor, temos ainda este ano que promover a produção exportável, com a modernização de polos industriais e o investimento em inovação para que em 2011 quando a maioria dos países voltarem a consumir, o Brasil tenha competitividade e qualidade nas vendas externas.Boeing acrescentou ainda que para as empresas dos setores moveleiro, automobilístico e calçadista (que no seu ponto de vista sofreram mais em 2009) terem uma rentabilidade satisfatória com as exportações em 2010 o real deve estar no patamar de R$ 2,10 frente ao dólar.
"Já os setores que exportam commodities minerais e agrícolas e produtos básicos, o real no patamar de R$ 1,95 frente ao dólar dará fôlego para estas indústrias."
O Boletim de comércio exterior aponta ainda que "A demanda externa efetiva apresentou no acumulado dos 12 meses até novembro de 2009 uma redução de 23,9%. No caso do índice das importações mundiais, a queda foi de 25,0% no mesmo período."
Para 2010 a expectativa da Funcex é de forte crescimento da demanda doméstica irá gerar um crescimento das importações de mais de 20%, alcançando US$ 158 bilhões. As exportações devem crescer cerca de 8,5%, com o montante de US$ 166 bilhões, levando a um superávit comercial US$ 8 bilhões.
"O caminho de alta do dólar frente ao real que está sendo apontado atualmente, se provocar uma tendência de alta regular do dólar, com certeza será benéfico para os exportadores, que sempre tiveram um câmbio favorável, o que dava um conforto no fechamento de contratos, pois em sua conclusão o valor recebido seria maior, ai poderemos ver a inversão nos resultados apresentados pela Funcex, com uma exportação superior a importação", disse Boeing.
Logística
A capacidade dos países para movimentar mercadorias de forma eficiente e conectar produtores e consumidores de mercados internacionais está no caminho certo, mas há a necessidade do governo para agilizar o estímulo ao crescimento econômico de forma mais ágil para que as empresas nacionais possam beneficiar-se da recuperação do comércio internacional, segundo um novo estudo do Banco Mundial Grupo de logística de comércio.
Nessa segunda edição da pesquisa, a Alemanha se encontra em primeiro lugar no ranking, e em último lugar, a Somália, enquanto o Brasil, tendo avançado 20 posições em relação à pesquisa anterior de 2007, ocupa o 41º lugar. Embora ainda esteja atrás de vários países emergentes, como China, África do Sul, Malásia e Turquia, o Brasil assumiu a liderança na América Latina, ultrapassando Argentina e Chile.
Ainda em relação ao Brasil, ressalte-se que os principais gargalos domésticos à logística comercial são eficiência alfandegária e embarque internacional, e não, contrariamente ao senso comum, a infraestrutura. Nesses quesitos, o País ocupa, respectivamente, a 82ª e 65ª posições (37ª em infraestrutura). O estudo destaca que o país avançou nas reformas e reduziu o "custo Brasil".
A avaliação doméstica cobriu aspectos qualitativos e quantitativos mais detalhados como custo local, tempo de execução dos processos, entre outros, permitindo identificação de gargalos.
fonte:netmarinha
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