26.03.10 - fri

Anac prepara restrição ao tráfego em 6 aeroportos

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) prepara novo pacote de restrições que vai congelar ou reduzir o movimento em seis dos principais aeroportos do país -Brasília, Confins (MG), Salvador, Fortaleza, Cuiabá e Viracopos (SP).
A medida implica manter ou cortar o número de voos e já foi aplicada em Congonhas e Cumbica, na Grande SP. Segundo a Folha apurou, deve ser estendida a outros aeroportos, como os de Santos Dumont (Rio), Curitiba e Porto Alegre.
Todos os aeroportos da lista têm ou terão a capacidade esgotada -tanto na pista e no pátio de aviões quanto no terminal de passageiros - até o final do ano caso se confirmem as projeções de fluxo de passageiros. Em janeiro deste ano, passaram pelos aeroportos da Infraero 13,2 milhões de passageiros -no mesmo período de 2009, foram 10,7 milhões. Para a agência, o fluxo pode subir 17% até o final do ano.
A causa do problema é o descompasso entre a demanda e a falta de investimentos. Houve atraso nas obras da Infraero, que em 2009 gastou 43% de seu plano de investimentos.
Passagem mais cara - A contenção de voos vai causar desequilíbrio entre oferta reduzida e demanda crescente e deve haver pressão sobre os preços das passagens, diz Ronaldo Jenkins, diretor do Sindicato Nacional de Empresas Aéreas. "Essa política de cerceamento da oferta vai aumentar o custo para as empresas."
A presidente da Anac, Solange Vieira, confirma que a saturação da infraestrutura deve provocar alta nas passagens, mas apenas a longo prazo, a partir do final de 2011.
Segundo a Anac, o pior caso é o do aeroporto de Brasília. Já o caso de Viracopos é emblemático -passou de 48.195 passageiros em janeiro de 2005 para 441.730, no mesmo mês deste ano. O aeroporto sofre com o estrangulamento de Congonhas, que desde julho de 2007 ficou restrito a 34 pousos e decolagens por hora, e Cumbica, com limite de 45 operações desde o final de 2009. As empresas passaram a operar em Viracopos.
Aécio - O governador de MG, Aécio Neves (PSDB), criticou ontem a decisão da Anac de liberar o aeroporto da Pampulha para qualquer tipo de voo. Desde 2007, ele era restrito a voos regionais. Segundo a Anac, o tráfego não será alterado antes de estudos de capacidade operacional.
Congonhas desrespeita restrições impostas - A Infraero ignorou a determinação da prefeitura para reduzir em março o horário das operações do aeroporto de Congonhas -hoje, é das 6h às 23h, mas deveria ser das 7h às 22h. O novo prazo é 1º de abril. A decisão da Anac de reduzir o número de operações para 30 por hora também não vem sendo cumprida.
"Melhor médico", JK acumula peculiaridades - "O melhor médico de Brasília é o doutor JK", brincam os mais céticos sobre a qualidade do sistema de saúde da capital federal. "Doutor JK", claro, é o Aeroporto Internacional de Brasília Presidente Juscelino Kubitschek, trava-língua que vitima nove em dez comissários de voo ao anunciar o pouso por aqui.
Alguém também já disse que Brasília é uma cidade cuja alma sempre está com as malas à mão, pronta para embarcar. A proverbial semana de três dias dos parlamentares, com os gazeteiros fugindo após bater o ponto na quinta cedo, contribui para a imagem. Mas não é só isso. O movimento é intenso. A capital é o "hub" principal de ligação entre o Sul/Sudeste e as cidades do Norte/Nordeste, e o movimento cresceu 17% entre 2008 e 2009, chegando a 12,2 milhões de passageiros. Só perde para Congonhas e Cumbica.
A abertura da segunda pista do aeroporto, em 2005, aliviou a situação do ponto de vista do controle aéreo, mas os terminais de passageiros ainda lembram os de uma rodoviária de capacidade média. Não é raro gastar meia hora esperando malas. A viagem a São Paulo não dura uma hora e meia.
O saguão de embarque remoto, assim como o de Congonhas, oferece o conforto de uma antessala de centro cirúrgico. Para aqueles que não compartilham o entusiasmo pela experiência de voar, os momentos que antecedem o embarque poderiam ser menos claustrofóbicos. Há vantagens, contudo. Embarcar para fora do país da capital é um alívio para todos que se viam obrigados a fazer a baldeação no Sudeste. São só duas companhias a fazer rotas regulares, o que garante um magnífico isolamento dos passageiros no cantinho destinado aos embarques internacionais.
Propagandeadas como diferencial, as salas de cinema estão fechadas. Foram abatidas pela distância e pelos ruídos de aeronaves. O barulho também transforma parte da área superior de lazer, com lojas e lanchonetes, em um local bom apenas para quem não quer ter sua conversa ouvida ou grampeada -uma característica local é que arapongas e tipos semelhantes são endêmicos.
Outro espécime autóctone é o lobista uniformizado. Chegue numa terça pela manhã e invariavelmente verá algum tipo de grupo de pressão buscando convencer as "otoridades" que desembarcam na capital que aquela emenda obscura que garante algum tipo de vantagem indizível é na verdade um direito divino inalienável.
Esse acúmulo de peculiaridades faz do "Doutor JK" um péssimo aeroporto? Não. É apenas tão ruim quanto qualquer outro no Brasil ou na maioria dos países.

26.03.10 - fri

Saab promete fabricar caças no País e agrada empresários

A escolha da empresa sueca Saab, que concorre a licitação da compra dos 36 caças para a Força Aérea Brasileira (FAB) deve elevar as relações comerciais do Brasil com o mundo. A declaração foi do CEO da Saab, Ake Svensson. Segundo o executivo, caso o Brasil opte pelo modelo Grippen NG, imediatamente serão realizadas vendas para outros países como Índia e África do Sul de caças fabricados no Brasil.
"O Brasil fechando o negócio com a Saab teremos um casamento de longa duração formado, um casamento que renderá frutos imediatos como a venda de caças modelo Gripen para a Índia, fabricados em território brasileiro e com tecnologia dos dois países, pois já teremos a transferência tecnológica em ação", pontuou o CEO durante evento na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).
Outra alegação do executivo é que depois de assinado o acordo será construída uma fábrica em São Bernardo do Campo, São Paulo, para a construção das aeronaves compradas, em parceria com engenheiros brasileiros. Segundo Svensson, a transferência tecnológica não será apenas de fachada ou meramente explicativa, os engenheiros e toda a equipe brasileira irá aprender na prática. "Os brasileiros irão construir os aviões em conjunto com os funcionários suecos, assim, haverá realmente uma transferência de tecnologia."
Na opinião do professor da FGV, Fernando Arbache, o aspecto primordial a ser considerado para a escolha é a transferência tecnológica. "Em última instância, sem o conhecimento e know-how para projetar, desenvolver e produzir seus próprios produtos, uma nação permanece uma simples compradora de equipamentos, incapaz de desenvolver a tecnologia de que dispõe para alcançar maior independência e liberdade", relatou.
Questionado sobre a porcentagem de peças e tecnologia americana para a fabricação do Gripen, o presidente da Saab afirmou que não será um problema para a completa transferência de conhecimentos, uma vez que algumas peças têm outros fornecedores no mundo e a tecnologia é totalmente sueca. Segundo o relatório da FAB, entregue ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, o Gripen é a escolha preferencial dentre as três empresas concorrentes: a francesa Dassault com o modelo Rafale, a americana Boeing com o F-18 e a própria Saab. "O modelo sueco foi considerado o melhor caça em quatro categorias: técnica, transferência de tecnologia, geração de empregos e preço", aponta o relatório da Força Aérea. A frente parlamentar por sua vez enviou "em defesa da soberania nacional" a assinatura de 195 parlamentares mais os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, propondo que a decisão sobre o programa F-X2 se baseie no relatório da FAB.
Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do departamento de relações internacionais e comércio exterior da Fiesp, afirmou que o governo deve ficar atento às indicações dos relatórios e a sociedade brasileira quanto a escolha do modelo Gripen. "O que nós ouvimos sobre o desenvolvimento e transferência de tecnologia, o valor do contrato nos leva a crer que o produto sueco tem grande chance de ganhar. Além do mais a relação com os suecos é muito transparente, equilibrada e positiva, é o momento que nós deveríamos prestigiá-la. O governo deve prestar atenção a isto." Além disso, o CEO da Saab afirmou que mesmo que não seja eleita como vencedora, a empresa irá construir sua fábrica no País para a produção de aviões comerciais, militares e até veículos automotivos. "Não deixaremos de investir no Brasil, não romperemos os contratos com pequenas e médias empresas fornecedoras de produtos para a Saab e construiremos a indústria em São Bernardo do Campo, claro que não com a agilidade e rapidez que faríamos, no caso de ganharmos a licitação", esclareceu.
Presença real
Durante sua apresentação, o rei da Suécia, Carl XVI Gustaf afirmou que irá visitar as instalações da Embraer hoje para estudar o nível industrial do Brasil e testemunhar as excelentes relações comerciais e de desenvolvimento que poderão ser efetuadas. "Minha visita irá fortalecer as amigáveis relações entre os países, que serão longas e frutíferas".
O rei da Suécia afirmou ainda que há muito espaço para a parceria estratégica em diversos setores. Ele citou: cultura, energia, defesa, alta tecnologia, inovação, saúde, bioenergia, educação e biocombustíveis.
"Vemos novas possibilidades de cooperação em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), maior aprofundamento em parcerias tecnológicas por meio do protocolo de colaboração estratégica assinado ontem", concluiu.
O rei da Suécia ainda fez propaganda dos ônibus "limpos" que são fabricados na Suécia e que utilizam etanol. "Vocês deveriam comprar nossos ônibus, eles utilizam biocombustível."
Especialistas do setor afirmam que os ônibus são muito mais caros pois não possuem tecnologia adequada e ainda utilizam aditivos em seus motores.
A empresa sueca Saab lançou mão ontem de um argumento que lhe dá muita força na corrida pela venda de caças à Força Aérea Brasileira. Segundo seu presidente, Ake Svensson, a companhia pretende construir uma fábrica de caças no Brasil, com transferência tecnológica integral, e exportar os aviões fabricados aqui a países como África do Sul e Índia.
"Se o Brasil fechar o negócio com a Saab teremos um casamento de longa duração formado, um casamento que renderá frutos imediatos, como a venda à Índia de caças modelo Gripen fabricados em território brasileiro e com tecnologia dos dois países, pois já teremos a transferência tecnológica em ação", pontuou o CEO, durante evento na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp). A fábrica ficaria em São Bernardo do Campo, em São Paulo.
Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, afirmou que o governo deve ficar atento às indicações dos relatórios e à sociedade brasileira quanto à escolha do modelo Gripen. "Nó ouvimos sobre desenvolvimento e transferência de tecnologia, e o valor do contrato nos leva a crer que o produto sueco tem grande chance de ganhar. Além do mais, a relação com os suecos é muito transparente e positiva."

25.03.10 - thu

Porto ganhará via expressa de 3,5 km

O Porto de Santos passará a contar com uma via expressa de 3,5 quilômetros de extensão nos próximos dias, com a abertura ao tráfego da pista de entrada do Contorno de Outeirinhos, parte da Avenida Perimetral da Margem Direita do complexo. A via expressa vai facilitar a chegada de caminhões aos terminais do Macuco e Ponta da Praia.
A entrega da via irá aliviar a circulação de veículos pesados entre os terminais açucareiros e facilitar a chegada às instalações do Macuco e da Ponta da Praia.
A pista de entrada poderá ser usada com a liberação da descida do Viaduto do Paquetá por sua alça à direita, que desemboca na nova via. Com isso, os caminhões que se dirigem aos terminais do Macuco e da Ponta da Praia não vão precisar percorrer a Avenida Eduardo Guinle, por meio da alça à esquerda do viaduto.

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