06.04.10 - tue

Portos chineses atestam acúmulo de contêineres para os EUA

Contêineres com destino aos Estados Unidos estão se acumulando nos portos chineses, à medida que os armadores tentam controlar a capacidade ofertada no período que antecede as negociações dos contratos anuais.
Fontes do setor disseram que as linhas marítimas evitaram reintroduzir navios no trade porque não querem que haja excesso de capacidade disponível durante as negociações de novos contratos, no final deste mês. Os armadores visam implementar reestruturação de valores em maio, aplicando aumentos entre US$ 800 e US$ 1 mil por unidades de 40 pés.
O gerente regional da GAC Logistics, Peter Orange disse que os armadores estão pressionando por aumentos gerais de taxas. "Se eles vão obter o valor total depende de como serão os rumos das negociações do contrato".
A situação da rota Ásia-EUA é diferente da Ásia-Europa, onde as operadoras já começaram a empregar mais capacidade, aumentando a oferta de espaço nas embarcações e diminuindo as taxas.
Os números mais recentes do Índice de Preços Conteinerizados de Xangai mostram que a média em todas as taxas do mercado local sobre os serviços de Xangai para o norte da Europa caiu abaixo dos US$ 2 mil por Teu pela primeira vez desde janeiro.
No comércio entre Xangai e a costa oeste dos EUA, os valores permaneceram razoavelmente estáveis até fevereiro e grande parte de março, mas caíram ligeiramente ao longo das últimas semanas, chegando a US$ 2.028 por Feu no final da semana passada.
05.04.10 - mon

ANTT discute impactos do trem

O diretor geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Bernardo Figueiredo, estará em Campinas no dia 7 de abril, no auditório da CEF (Caixa Econômica Federal), para discutir os impactos habitacionais do traçado do TAV (Trem de Alta Velocidade) na Região.
O evento também terá a participação do presidente da Abifer (Associação Brasileira da Indústria Ferroviária), Vicente Abate, e do presidente da Habicamp (Associação Regional da Habitação), Francisco de Oliveira Filho.
“Temos que esgotar as discussões sobre o tema, pois os desdobramentos são muito relevantes. Este evento é uma ótima oportunidade para isso”, avaliou Oliveira.
O projeto de R$ 34,6 bilhões deve consumir 71% em obras civis, o que leva as grandes empresas da construção civil a buscar parceiros internacionais, tanto para as obras do trem quanto nas estações e habitações ao longo do traçado do TAV.
“Muita movimentação já se observa nos bastidores do setor com as grandes empresas do País. Outro ponto importante são as obras de infraestrutura, que serão realizadas no entorno das estações de passageiros”, afirmou.

05.04.10 - mon

Vacinas colocam o Brasil no mapa de investimentos

O personagem Zé Gotinha, lançado pelo Ministério da Saúde para estimular a erradicação da poliomielite (paralisia infantil) no Brasil na década de 80, ainda faz parte do imaginário popular. Criado em 1986, Zé Gotinha virou símbolo de campanhas de vacinação, quando o país era altamente dependente da importação desses medicamentos. Hoje, mais de 20 anos depois, o personagem anda meio esquecido, mas o segmento de vacinas avançou muito nesse período, com pesados incentivos do governo federal, tornando-se alvo de fortes investimentos de multinacionais interessadas em expandir no mercado nacional.
A produção de vacinas no país concentra-se nas mãos dos laboratórios estatais, vinculados aos governos estaduais. No entanto, toda a inovação nesse segmento ainda está nas mãos das farmacêuticas internacionais, que firmam acordo de transferência de tecnologia com as empresas locais.
O mercado global de vacinas é gigante e muito atraente. Movimenta algo como US$ 17 bilhões, com taxas médias de crescimento de 16% ao ano, segundo informou ao Valor a Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse segmento triplicou nos últimos oito anos, tornando-se um dos mercados de maior expansão entre os setores da indústria em geral - duas vezes mais rápido que o de drogas terapêuticas, por exemplo, segundo a OMS. No Brasil, a receita com vacinas é bem mais modesta, em torno de R$ 1 bilhão, com cerca de 400 milhões de doses comercializadas por ano. Mas tende a crescer.
Em entrevista ao Valor, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que o país ganhou força nos últimos anos, por meio de contratos de transferência de tecnologia. "As parcerias com as empresas privadas internacionais permitiram o desenvolvimento de vacinas modernas. Pelos contratos firmados, as multinacionais transferem tecnologia e ganham reserva de mercado por um período, que varia de cinco a oito anos", disse.
Temporão cita um acordo bem-sucedido com a multinacional suíça Novartis. Estimulada pelo potencial de expansão no país, a múlti vai erguer em Pernambuco uma fábrica de vacinas avaliada em US$ 500 milhões para entrar em operação a partir de 2014. Segundo Gláucia Vespa, contratada pela Novartis para tocar os negócios de vacina da empresa no país, a fábrica será instalada na cidade de Goiana. "Essa unidade terá condições de produzir diversas vacinas. A Novartis terá uma operação local, mas sua estratégia é global", disse. "Pernambuco foi escolhido pela localização geográfica, por estar mais perto dos EUA e Europa e por ser um Estado importante nesse segmento. Além disso, a região Nordeste é uma das que mais no país."
Antes de ingressar na companhia privada em 2008, Gláucia fez parte do Ministério da Saúde e conhece como poucos o segmento de vacinas e o Programa Nacional de Imunização (PNI) do país. O grupo suíço tem desde o ano passado acordo de transferência de tecnologia de produção da vacina contra a meningite C para a Fundação Ezequiel Dias (Funed), do governo de Minas Gerais. "O Brasil tem um dos melhores programas nacionais de imunização do mundo", afirmou.
Líder mundial de produção de vacinas, a Sanofi-Pasteur, divisão da Sanofi-Aventis, prioriza parcerias com laboratórios nacionais no país para ampliar sua presença nesse mercado. Segundo Patrice Lebrun, diretor da área de vacinas do grupo, a parceria fechada com o Instituto Butantan para o desenvolvimento de vacinas para o combate à gripe é considerado um "case" de sucesso pela empresa. "No início da década de 70, com o surto de meningite no Brasil, tivemos de produzir em larga escala e chegamos a ofertar cerca de 100 milhões de doses para combater a doença", afirmou. Para 2011, ou no mais tardar 2012, a empresa passa a vender uma vacina mais potente no país contra meningite, a meningocócica conjugada quadrivalente.
O segmento público de vacinas é o mais atraente para as multinacionais, reconhece Jacqueline Escotero, diretora de vacinas da farmacêutica Merck Sharp&Dohme (MSD), vice-líder global. "Todos os países têm calendários públicos. O Brasil tem uma das coberturas mais importantes para pediatria e adultos no mundo", diz. Com um portfólio amplo de vacinas, a MSD tem como carros-chefes produtos para a prevenção do papiloma vírus humano (HPV) e do rotavírus.
Grandes multinacionais, que desenvolvem na Europa e nos Estados Unidos medicamentos inovadores, começam a focar o mercado nacional, de olho no potencial do setor. Em março, a Sanofi anunciou parceria com a Fundação Biominas para identificar projetos inovadores no país, entre eles, o desenvolvimento de vacinas relacionadas a doenças tropicais. A suíça Roche também anunciou estudos nesse sentido, com base em pesquisas na região Amazônica. A americana Pfizer definirá seus projetos ainda neste semestre.
No ano passado, o Ministério da Saúde investiu R$ 825,6 milhões na compra de vacinas para o Programa Nacional de Imunização (PNI). Foram adquiridas 376,04 milhões de doses de 26 tipos de imunizantes diferentes. O investimento na compra de vacinas subiu 310% nesta década, passando de R$ 200,8 em 2000 para R$ 825,6 milhões em 2009. "O governo decidiu que quer ser autossuficiente na produção de vacinas", disse Temporão. "Avançamos muito e até temos exportado."
Em 2009, a produção nacional respondeu por 86,29% do total de doses adquiridas pelo governo federal, o equivalente a 324,51 milhões de doses. Em 2000, 60,6% das doses distribuídas pelo PNI eram feitas por empresas brasileiras - 178,52 milhões de doses, de um total de 285,16 milhões de doses.
Quatro empresas respondem pela produção dos 16 tipos de vacinas fabricadas no país: Instituto Butantan, Laboratório Biomanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz, o Instituto de Tecnologia do Paraná, Instituto Ataulpho de Paiva. Biomanguinhos e o Instituto Butantan, juntos, produzem 11 tipos de vacinas - 224 milhões de doses distribuídas gratuitamente em 2009. Esse total correspondeu a 70% da produção nacional.
O Ministério da Saúde, nos últimos seis anos, apostou em acordos de transferência de tecnologia para acelerar o conhecimento brasileiro no setor. Entre 2003 e 2009, o governo firmou quatro contratos de transferência de tecnologia com multinacionais. Com essas parcerias, os laboratórios passaram a produzir as vacinas de influenza (2007), rotavírus humano (2008), tríplice viral (2003), contra Raiva em Cultivo de Célula Vero (2005).
A partir deste ano, duas novas vacinas serão incluídas no calendário básico de vacinação e oferecidas gratuitamente pela rede pública de saúde: a pneumocócica 10-valente e a anti-meningocócica C. O Ministério da Saúde investirá R$ 552 milhões na aquisição dessas vacinas: R$ 400 milhões para a compra de 13 milhões de doses da pneumocócica e R$ 152 milhões para 8 milhões de doses da meningocócica.
A pneumocócica faz parte de um acordo entre o laboratório Biomanguinhos com a GlaxoSmithKline (GSK), e a antimeningocócica pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), do governo de Minas Gerais, a partir de contrato com a Novartis.
Para a melhoria da infraestrutura no setor, o Ministério da Saúde aumentará, até 2012, em 162,7% o investimento médio anual destinado à ampliação das fábricas, compra de equipamentos e aumento da capacidade de produção. Entre o ano passado e 2012, os investimentos previstos são de R$ 350 milhões, uma média de R$ 87,5 milhões por ano. Entre 2003 e 2008, foram aplicados R$ 200 milhões em equipamentos e aumento da área dos laboratórios nacionais
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