16.07.09 - thu

Com dragagem, Rio Grande ficará mais perto de tornar-se um hub port

 O Ministro-Chefe da Secretaria Especial de Portos (SEP), Pedro Brito, assinou na manhã de hoje (15), a ordem de serviço para a mobilização da draga Juan Sebastián de Elcano, que se encontra em Omã, no Oriente Médio, para o Rio Grande do Sul. O equipamento deverá chegar em 15 dias e será usado nos trabalhos de dragagem de aprofundamento do canal de acesso ao Porto do Rio Grande.
Serão dragados 16 milhões de metros cúbicos com aplicação de R$ 196 milhões, provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e destinados ao Programa Nacional de Dragagem (PND), instituído pela SEP. A profundidade do porto passará dos atuais 14 para 18 metros no canal externo (fora dos Molhes da Barra), e de 14 para 16 metros no canal interno (entre os Molhes e o píer petroleiro). “Anualmente, nossa média de movimentação é de 26 milhões de toneladas. A previsão é que, com o maior calado, o volume de cargas até 2015 praticamente duplique, atingindo 50 milhões de toneladas”, prevê o Superintendente do porto, Janir Branco. Ele ressalta que a carga movimentada continuará a mesma, só que em volumes maiores, o que ocasioanará redução nos valores dos fretes.
A previsão é que a obra seja concluída antes do tempo previsto, oito meses, em razão da capacidade da draga que será utilizada, já que é a maior em operação na América Latina. Branco informou que será feito o acompanhamento da obra para que seja executada no menor prazo possível, possibilitando que os grandes navios (pós-panamax) que já operam em Rio Grande completem sua carga reduzindo significativamente os custos de frete. Atualmente, eles operam 60 mil toneladas, sendo que, com o aprofundamento, poderão atingir 150 mil toneladas.
Um dos projetos futuros da Superintendência do Porto de Rio Grande é transformá-lo em um hub port. “Por ser um porto multimodal, o porto rio-grandino oferecerá facilidades logísticas para seus clientes a custos mais atrativos”, exalta Branco. Para tanto, após a dragagem, o terminal terá condições de se habilitar para captar, concentrar e movimentar cargas oriundas da Bacia do Prata, como grãos da Argentina, Paraguai e Bolívia; minério de Mato Grosso do Sul e da Bolívia; madeiras do Uruguai; e contêineres da Argentina, Uruguai e Paraguai.
Ainda nesse sentido, Branco informou ao NetMarinha diversas outras ações que estão sendo desenvolvidas, como: ampliações como a do Tecon Rio Grande, que acabou de inaugurar o seu terceiro berço de atracação;  construção de um novo terminal pela Bunge Fertilizantes;  ampliação do cais de atracação da Bianchini; construção de um terminal de produtos florestais e outro de arroz, e duplicação e incremento da utilização da BR-392

Fonte:NetMarinha
15.07.09 - wed

Suape: Complexo atrai investimento chinês

 Maior fabricante de máquinas pesadas para construção civil da China e 15ª no ranking mundial, a companhia XCMG instalará um centro de distribuição e uma montadora de equipamentos. Maior fabricante de máquinas pesadas para construção civil da China e 15ª no ranking mundial, a companhia XCMG (Xuzhou Construction Machinery Group) instalará um centro de distribuição e uma montadora de equipamentos no Complexo de Suape (PE).
O grupo investirá US$ 12 milhões (cerca de R$ 24 milhões pelo câmbio de ontem) no empreendimento, que terá foco na montagem de carregadeiras e escavadeiras para atender ao mercado brasileiro.
No mês passado, o presidente da XCMG, Sha Xian Liang, esteve em Suape e decidiu a localização. O anúncio só foi confirmado ontem pela própria empresa.
As negociações para a implantação da XCMG foram intermediadas pela empresa paraibana Êxito Importadora & Exportadora - importadora master para o grupo chinês no Brasil e que será sócia no projeto. O diretor-superintendente da Êxito, Lacy Freitas, diz que o CD deve se concretizar primeiro. “Estamos solicitando uma área de dez hectares em Suape. O CD deve começar a funcionar ainda este ano, enquanto a montadora é um projeto para 2010”, acredita.
Lacy conta que a XCMG estava estudando instalar uma unidade no Peru, dentro da estratégia de marcar presença na América Latina. “Mas depois que o presidente do grupo visitou Suape e conheceu a infraestrutura do local e o potencial logístico do complexo decidiu ficar no Brasil”, observa. A montadora em Suape vai gerar 150 empregos diretos, enquanto o CD abrirá 25 postos de trabalho.
Da China, continuarão a ser importados o motor e a parte mecânica das máquinas, mas componentes como caçambas, pneus e conchas poderão ser fabricados em Suape. “O nosso principal objetivo com o empreendimento é atender melhor o cliente, com a vantagem da proximidade. Hoje, entre a encomenda e a chegada do equipamento vindo da China, a espera é de 75 dias”, explica Lacy.
A montadora deverá fabricar 40 máquinas por mês. A unidade local também vai permitir o acesso a financiamento do BNDES com juros subsidiados, coisa que não era possível apenas com o projeto de importações.
A Êxito é parceira do grupo XCMG desde 2007. No ano passado, a empresa importou um volume de 120 máquinas e para 2009 a estimativa é dobrar esse número, mesmo diante do cenário de crise global.

Fonte:RevistaGlobal

15.07.09 - wed

Brasil: Insumos domésticos substituem itens importados no 1º semestre

 As importações de bens intermediários como aço, produtos químicos, borracha e artigos de plástico caíram 22,1% entre dezembro do ano passado e junho deste ano. No primeiro semestre deste ano, parte da indústria brasileira substituiu insumos importados por produtos fabricados no Brasil, devido ao câmbio mais desvalorizado do que o vigente no mesmo período de 2008. As importações de bens intermediários como aço, produtos químicos, borracha e artigos de plástico caíram 22,1% entre dezembro do ano passado e junho deste ano, enquanto a produção nacional avançou 5,8%, na série com ajuste sazonal da MB Associados.
O uso, por alguns exportadores, do drawback verde-amarelo, que suspende a cobrança de impostos na compra de insumos internos, também ajudou nesse processo, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).
A substituição de insumos importados por nacionais, porém, não foi generalizada. O fato de o dólar ter voltado a cair a partir de março desestimulou um movimento nessa direção em grande escala. Para o vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro, a substituição iniciada durante o começo do ano não deverá prosseguir no segundo semestre. "Como o real voltou a se valorizar em abril e maio, deverá haver reversão a partir de agosto.
A fabricante de tintas Sherwin Williams foi uma das empresas que fizeram um remanejamento de seus fornecedores em razão da desvalorização do câmbio, segundo o presidente, Mark Pitt. A mudança de insumos químicos ocorreu a partir da virada do ano, diz ele.
A Sherwin Williams passou a comprar mais produtos no mercado brasileiro e também trocou fornecedores no exterior, optando por aqueles que oferecem preços mais competitivos. "A substituição foi relevante", afirma Pitt, que não pretende reverter o processo mesmo se o dólar cair para a casa de R$ 1,80. "A decisão de compra de insumos é complexa, tem que levar em conta também a qualidade. Não podemos mudar de fornecedores a qualquer momento.
No setor têxtil, os altos estoques contribuíram para que a substituição acontecesse de forma pontual. Fernando Pimentel, diretor-superintendente da ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), lembra que nos primeiros seis meses a importação de fios, filamentos, tecidos e malhas caiu entre 20% e 30% em relação ao mesmo período de 2008. A produção do setor têxtil até maio teve queda entre 8% e 10%, conta. Essa diferença não pode, porém, ser integralmente creditada a uma substituição de insumos importados, porque as indústrias estavam com altos estoques, analisa Pimentel.
"A redução de importações deve-se ao quadro de instabilidade cambial e de insegurança em relação às perspectivas de produção no semestre", diz Pimentel. Por isso a substituição aconteceu por conta de compras no mercado interno motivadas por uma necessidade mais imediata de produção e em quantidades menores que os volumes usualmente importados. A procura de insumos no mercado interno também foi o caminho, nesse caso, em razão dos prazos de entrega, já que a indústria não precisa esperar os 50 a 60 dias necessários para a importação. Os itens substituídos foram pontuais, como os fios de algodão, por exemplo.
Já o presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis do Vale do Itajaí, Ulrich Kühn, diz que, de modo geral, as empresas da região não fizeram essa troca. Segundo ele, o dólar abaixo de R$ 2,25 estimula as importações. Quando a moeda esteve acima desse valor, no começo do ano e no fim de 2008, a demanda estava fraca e as empresas não substituíram fornecedores estrangeiros por locais, diz Kuhn, acrescentando que mudanças na cadeia de suprimentos são complexas e levam bastante tempo.
No setor calçadista, a substituição aconteceu de forma semelhante. A Assintecal (Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos) aponta queda acentuada na importação de alguns insumos do setor. Hélio Henkin, consultor técnico da associação, diz que o setor ainda não tem dados definitivos, mas a redução dos desembarques de alguns itens aponta para compra de insumos no mercado interno. Os saltos e solas, por exemplo, tiveram redução de importação de 10%, uma queda muito grande na comparação com a produção de calçados, acredita. A recuperação recente da moeda brasileira, porém, pode reverter essa situação e, assim, a substituição não se manterá nos próximos meses.
Pimentel também acredita que o dólar na casa de R$ 2 favorece mais as importações. Além disso, observa, os fabricantes chineses, grandes fornecedores de insumos para o setor têxtil, têm baixado os preços em dólar, porque há superoferta de produtos.
A assessoria da Basf informou que a valorização do câmbio fez a empresa promover alguma substituição de insumos importados por nacionais, principalmente na área química. O movimento, contudo, não foi significativo.
Para o economista-chefe da MB, Sérgio Vale, "o câmbio real um pouco mais depreciado do que antes da crise" levou a alguma substituição de insumos importados por nacionais. "Faz sentido que isso esteja ocorrendo", afirma ele, para quem, a partir de agora, deverá ocorrer uma melhora gradual tanto da importação quanto da produção de bens intermediários, ainda que em ritmo lento.
"O crescimento do varejo e a queda dos estoques vão gradualmente ajudar a indústria a se recuperar, mas ainda é um processo muito desigual", diz Vale, observando que os setores de bens duráveis (como automóveis e eletroeletrônicos) e não duráveis (como alimentos) mostram recuperação, ao passo que o setor de bens de capital continua mal. Na série ajustada sazonalmente pela MB, as compras externas de insumos caíram em todos os meses desde setembro de 2008, mas, na do BNP Paribas, houve uma alta já em maio deste ano, na comparação com abril.
Castro também acredita que haverá recuperação das importações no segundo semestre. Para ele, a redução das compras externas nos seis primeiros meses do ano indica que houve substituição de insumos, porque a queda foi muito acentuada para ser explicada apenas por altos estoques.
Há segmentos da indústria, contudo, que dizem não ter feito a troca. É o caso do setor de máquinas, que teve queda de 27% no faturamento acumulado até maio, na comparação com o mesmo período de 2008. Já a redução na importação de partes e peças foi de 14,7%, segundo a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). Isso revela que a substituição de insumos não aconteceu no setor, diz o vice-presidente da associação, José Velloso. Ele lembra que, no mesmo período, houve aumento de importação de máquinas e equipamentos para a indústria de base.

Fonte:RevistaGlobal
«   247 248 249 250 251 252 253  ›  »