14.07.09 - tue

Investimento estrangeiro: Volume injetado no Brasil é o 2º maior da década

 O grande potencial do mercado consumidor brasileiro virou alvo do IED (Investimento Estrangeiro Direto), enquanto o investimento total na economia do País encolhe. Entre janeiro e maio deste ano, os estrangeiros aplicaram aqui US$ 11,2 bilhões na ampliação da capacidade das fábricas, no comércio, na agricultura e nos serviços.
"É a segunda maior cifra de IED da década para o período", afirma o presidente da Sobeet (Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica), Luís Afonso Lima. Ele destaca que os recursos equivalem ao volume total que entrou no País nos cinco primeiros meses de 1999, um ano de privatizações que atraiu grandes quantias de capital externo.
A perspectiva para 2009 é de que o IED atinja US$ 25 bilhões, no levantamento com o mercado financeiro feito pelo Banco Central. Essa cifra deve ficar abaixo do recorde de US$ 45 bilhões alcançado em 2008. No entanto, se a projeção para 2009 se confirmar, o investimento estrangeiro deste ano será o sexto maior desde 1947, quando o BC iniciou a coleta de dados, e o quarto mais robusto desta década, apesar da crise.
O que se vê no mês a mês é uma forte reação nos investimentos estrangeiros. Em janeiro, por exemplo, a entrada de IED estava 60% abaixo da registrada no mesmo mês de 2008. Essa diferença caiu para menos de 20% no acumulado até maio. "Se esse ritmo continuar, o IED poderá superar US$ 25 bilhões este ano", prevê Lima.
No início do ano, houve uma "parada tática" no investimento estrangeiro porque as multinacionais remeteram dinheiro às matrizes, que estavam em situação difícil por causa da crise global. Passada a fase mais aguda da crise, agora essas companhias retomaram os investimentos no País em busca do potencial do mercado brasileiro. "As multinacionais estão olhando para o longo prazo, já que as margens de rentabilidade estão cada vez mais apertadas nos mercados desenvolvidos."
Animada com o potencial do mercado brasileiro, a coreana LG, por exemplo, começou a investir na produção de notebooks no País em meados do ano passado na fábrica de Taubaté (SP). Inicialmente, a produção era de 3 mil unidades no mês de junho, volume que saltou para 15 mil em dezembro. "Nossa previsão é fechar este ano com 200 mil notebooks fabricados. Isso vai colocar o mercado brasileiro como o segundo maior para a companhia no mundo, atrás apenas da Coreia do Sul", diz o gerente de produtos de notebooks da empresa, Fernando Fraga.
Também a italiana Pirelli, fabricante de pneus, elegeu o Brasil como o principal destino de seus investimentos até 2011. A empresa vai aplicar US$ 200 milhões na ampliação da capacidade das três fábricas que tem no País e em pesquisa e desenvolvimento. "Até poucos anos atrás, as duas grandes economias da América Latina eram Brasil e México. Hoje é claro que o Brasil assumiu a liderança", diz o presidente mundial da Pirelli Pneus, Francesco Gori.
Até mesmo entre as empresas mexicanas o Brasil virou um polo de atração de investimentos. Diante da forte ligação comercial com os EUA, o epicentro da crise, as companhias mexicanas estão direcionando investimentos para o País.
"Elas estão empolgadas porque os efeitos da crise no Brasil não se têm mostrado tão pesados quanto em outros países", afirma Patricio Mendizábal, presidente da Associação Empresarial Mexicana no Brasil e da Mabe, fabricante mexicana de eletrodomésticos.
Neste mês, a Mabe comprou a operação brasileira da BSH Continental por US$ 35 milhões. Além desses recursos, a companhia vai investir aqui US$ 30 milhões em produtos e US$ 35 milhões nas fábricas.

Fonte:RevistaGlobal
14.07.09 - tue

Brasil tenta vencer barreiras que impedem crescimento sustentado do PIB

 A economia brasileira voltou a crescer. É o que apontam vários indicadores econômicos recentes. Depois de enfrentar a crise que jogou o PIB mundial para baixo, aos poucos, o Brasil vai se distanciando da turbulência e se preparando para voltar a apresentar taxas robustas de expansão. A questão agora é: o país conseguirá enfim superar os velhos entraves que barram o crescimento sustentado?
Fazer essa pergunta até há poucos dias soaria esnobe. Seria como se preocupar com a decoração e a qualidade dos móveis de uma casa pegando fogo. Mas, agora que o incêndio parece ter passado – ou diminuído sensivelmente –, os analistas voltam a se debruçar sobre os grandes temas da economia brasileira, menos vinculados ao curto prazo. O economista e professor da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzzo é um deles. Para Belluzzo, que trabalhou no Ministério da Fazenda na época do Plano Cruzado, o Brasil é um país com vocação para o crescimento (aliás, até os anos 1980, era o país com a maior média de expansão no século 20), mas que precisa urgentemente resolver alguns problemas estruturais. “Estamos em uma sinuca de bico: a economia precisa avançar, mas ainda tem uma base frágil para isso”, afirma.
O Estado de Minas ouviu outros economistas para falar sobre esses entraves. De modo geral, eles citam a infraestrutura deficiente, a má qualidade do gasto público, o marco regulatório confuso e ineficaz, a baixa taxa de investimento (e de poupança), a alta carga tributária e a desigualdade social, aliada à pobreza. Como se vê, não é pouca coisa, o que mostra o tamanho do desafio que o país tem pela frente. O lado bom é que parece ser consensual a necessidade de encarar esse jogo. E, o que é melhor ainda, todos dizem que o momento para isso é agora. Nathan Blanche, sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada, afirma que tem se surpreendido com os resultados da economia brasileira desde o início da crise.
“Estamos voltando à normalidade dentro da anomalia de uma crise mundial secular. O Brasil surpreende, dado o tamanho da escassez de crédito e da retranca de movimento de capitais em nível mundial. O desafio agora é recuperar investimentos e o nível de atividade”, acredita. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de investimento no país – formação bruta de capital fixo – fechou os três primeiros meses de 2009 em 16,6% do Produto Interno Bruto. Trata-se do menor número para primeiros trimestres desde 2005, quando ficou em 15,9% de janeiro a março. “O país precisa de investimentos voltados para a infraestrutura, uma vez que a capacidade ociosa das indústrias ainda é grande e isso significa que os investimentos no setor vão demorar mais a acontecer”, aponta.
Para tentar resolver a questão, o governo tem nas mãos o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “O problema é que ele ainda não decolou o suficiente por problemas de licenciamento ambiental, falta de recursos, de definições técnicas e dificuldades políticas”, explica Gilberto Braga, professor de economia do Ibmec no Rio de Janeiro. Como 2010 é ano de eleição presidencial, nem mesmo uma esperada pisada no acelerador em 2009 garantirá um aumento significativo da velocidade de implementação do PAC.
O atraso nas obras do programa coloca em risco, por exemplo, o fornecimento de energia no Brasil em 2012, uma das questões cruciais para o desenvolvimento do país. Além disso, a indefinição de marcos regulatórios como o do pré-sal, que o governo vem anunciando desde o final de 2007, também afugentará investidores e atrasará a produção de petróleo em águas profundas no Brasil. “Os tempos de crise são um momento ideal para investimentos em infraestrutura porque eles preparam o país para os tempos de bonança e geram renda e riqueza”, completa Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).
A carga tributária e os maus gastos do governo são outro entrave para o crescimento, lamenta o diretor do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Fernando Steinbruch. Dados da entidade mostram que 2008 foi encerrado com uma carga tributária de 36,5% em relação ao PIB no Brasil. “Esse percentual vem crescendo acima do PIB nos últimos anos e isso indica que a população brasileira está ficando mais pobre”, diz. As despesas de longo prazo do governo federal com a folha de pagamento podem comprometer o lado fiscal do país, funcionando como um empecilho ao crescimento.

Fonte:NetMarinha
14.07.09 - tue

Movimento de cargas aéreas no país tem queda de 31% este ano

 A crise mundial fez despencar o movimento de cargas aéreas no país. Houve queda de 31% no volume transportado de janeiro a maio em relação a igual período do ano passado, com redução especialmente acentuada do comércio exterior. O dado positivo é que as empresas viram sinais de recuperação mais forte da demanda nas últimas duas semanas, renovando suas esperanças de deixar para trás o pior momento para esse setor desde 2001 - quando a combinação de atentados terroristas nos Estados Unidos e racionamento de energia elétrica no Brasil afetou dramaticamente o transporte de cargas por avião.
"Começamos a ter bons sinais de recuperação", afirma o diretor-comercial da Infraero, Fernando Nicácio da Cunha Filho, explicando que essa tendência ficou clara a partir de junho. O gerente de vendas da ABSA Cargo, Alexandre Silva, concorda: "Já observamos uma pequena tendência de alta. Nem chamaria de recuperação, mas quando está caindo e para de cair, é muito positivo."
Nos cinco primeiros meses de 2009, segundo a Infraero, o movimento de cargas importadas caiu de 174 mil para 114 mil toneladas (-36%) e o de cargas exportadas diminuiu de 123 mil para 86 mil toneladas (-30%). A redução foi menor nas cargas nacionais, que encolheram de 99 mil para 72 mil toneladas (-26%).
Quatro aeroportos absorvem 80% de tudo o que é transportado no Brasil por aviões: Guarulhos, Campinas, Manaus e Galeão. Eletrônicos, partes e peças para aeronaves, equipamentos de telecomunicações, medicamentos e CKDs de automóveis (os esqueletos dos veículos) são alguns dos principais produtos.
O gerente da ABSA repara que houve contração da demanda, mas a oferta de voos continuou bastante grande - seja por meio de linhas puramente cargueiras, seja pelo uso dos porões de aeronaves de passageiros que fazem rotas de longo curso. Um efeito evidente da sobra de espaço foi a queda entre 25% e 30% das tarifas cobradas, o que fez empresas trocarem o frete marítimo pelo aéreo em alguns destinos. Apesar da redução de cargas de e para os Estados Unidos e Europa, houve expansão para a Colômbia (onde a frequência de navios diminuiu) e para a Venezuela (cujas importações de alimentos perecíveis do Brasil, como leite e ovos, provocaram crescimento de 4% na carga aérea neste ano).
Outro reflexo inevitável será nas contas da Infraero. Em 2008, dos R$ 2,526 bilhões da receita operacional bruta da estatal, cerca de 24% foram provenientes do movimento de cargas. Por razões comerciais, o diretor não revela a receita com cargas neste ano, mas antecipa que a participação caiu para 20% do total. Nicácio diz que essa queda tem sido compensada até agora pelo aumento da receita comercial, de 11% de janeiro a maio de 2009, com a locação de espaços nos aeroportos.

Fonte:NetMarinha
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