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Europa criticada pela gestão da crise aérea
O director-geral da IATA, Giovanni Bisignani, afirmou que as “decisões tomadas pelos governos não analisaram os riscos e denotaram falta de coordenação e liderança”.
Bisignani disse ainda que o encerramento do espaço aéreo resultou num “caos sem precedentes” e em perdas de receitas na ordem dos 185 milhões de euros por dia, segundo a agência Lusa.
O responsável pela IATA critica os governos por terem tomado decisões baseadas apenas em indicadores meteorológicos e assegura que os prejuízos para as companhias aéreas estão a revelar-se piores do que os verificados após o 11 de Setembro.
O espaço aéreo do Reino Unido estará encerrado pelo menos até à próxima terça-feira, enquanto a Finlândia, a Suécia e a Dinamarca contam retomar os voos ainda esta segunda-feira
Santa Catarina muda de lado na balança Comercial
Carros importados desembarcam às pencas no Complexo Portuário de Itajaí. Eletrônicos, bugigangas chinesas, roupas, celulares, condicionadores de ar, equipamentos industriais, matérias-primas, alimentos e bebidas. Hoje, não há o que não entre no Brasil pelos portos de Santa Catarina, um Estado que sempre se gabou de ser essencialmente exportador.
A mudança no perfil tem muito a ver com a questão cambial, afinal o dólar não está mais competitivo para quem quer vender no mercado mundial. O que o torna extremamente atrativo para comprar importados. Mas não é só isso. O governo do Estado deu um empurrãozinho ao conceder benefícios fiscais generosos para importações feitas pelos portos de SC.
Segundo o secretário da Fazenda, Cleverson Siewert, a estratégia considerou que as importações trariam mais divisas e arrecadação de impostos. Foram criados mecanismos que deram resultado, tanto que as importações passaram de US$ 931 milhões em 2002 para US$ 8 bilhões em 2008, alta de 752%.
– Na arrecadação, houve aumento de quase 100%, de R$ 220 milhões ligados às importações, em 2002, para R$ 410 milhões em 2010 – projeta Siewert. – O mais importante foi o crescimento da cadeia periférica do setor, na forma de empregos, melhoria da logística e dos serviços prestados.
Os benefícios fiscais passam pela redução da alíquota de ICMS, que fica entre 3% e 4% nas importações, contra uma média de 17% praticada em outras operações, o que garantiu a geração de 600 novos projetos para o setor, cerca de 46 mil empregos e R$ 10 bilhões de investimentos, 45% deles em tradings (expressão inglesa para designar empresas que operam no comércio internacional).
As vantagens provocaram um salto no número de empresas do setor na região de Itajaí, que conta com o maior complexo portuário do Sul do país. São quase 200 tradings focadas em importação, aponta o diretor da Tek Trade, Sandro Marin, irmão do presidente do recém-formado sindicato das tradings, Rogério Marin.
A Tek Trade, de Marin, importa carros chineses da marca Effa Motors, pelo terminal alfandegado Teporti (veja matéria abaixo). Hoje, são importados 350 carros por mês, número que deve chegar a 800 até o fim do ano. Para o início de 2011, a meta é trazer 1 mil carros por mês.
– Os benefícios contribuíram para o crescimento da região e do Estado. Mas a parte logística, a localização estratégica de Itajaí, a economia interna aquecida e estável e a situação cambial também foram fundamentais – explica Marin.
Maior equilíbrio reduz os custos
O maior equilíbrio entre exportações e importações barateou custos para o setor de comércio exterior de SC. Quando o Estado era muito mais exportador, dificuldades logísticas se atravessavam no caminho, como o retorno de contêineres vazios, que encareciam os fretes. Segundo Paulo Cesar Santiago, gerente geral da Interporti, operadora logística do Teporti, com as importações em alta é possível valorizar os retornos dos contêineres.
– Aumentou o número de rotas, de armadores e de voos pelo aeroporto de Navegantes. O equilíbrio está sendo importante para o desenvolvimento de toda a região. Foi um ganho logístico.
No Teporti, 75% das movimentações são geradas pelas importações. Grande parte por influência dos benefícios fiscais do governo, uma vez que mais de 50% é decorrente de negócios feitos por tradings.
– Vamos investir R$ 30 milhões em equipamentos e aumento da capacidade. Nosso pátio está lotado. Onde íamos construir um armazém, desistimos para ter espaço para armazenar os carros chineses – destaca Santiago.
Com um berço de 150 metros, o Teporti pode ampliar o cais em mais 300 metros. Além disso, tem 50 mil metros de área alfandegada e 100 mil metros de armazéns frigorificados e de carga geral.
O Teporti funciona como um entreposto. As cargas descarregadas podem permanecer ali até que o seu dono cumpra todo o processo de nacionalização do produto importado.
– A Interporti é resultado da associação da Columbia com o Teporti, que ocorreu há um ano e meio. Se as importações não estivessem em alta, em função dos benefícios fiscais, talvez a Columbia não tivesse vindo para Itajaí.
“Mudança foi para melhor”
O volume de exportações, reduzido drasticamente depois da crise mundial, deve voltar a crescer sem que isso resulte na redução das importações. A opinião é de Eclésio da Silva, diretor comercial do Porto Seco Multilog, referência em logística na região de Itajaí, e que hoje opera com 95% de cargas de importação.
– A balança está mais equilibrada e isso é extremamente positivo. Se há 10 anos, o frete era mais alto para compensar o retorno vazio, em função de mais exportações, isso não existe mais. O perfil do porto mudou, mas a mudança foi para melhor.
Com capacidade para armazenar 4 mil contêineres por mês, o Porto Seco Multilog opera com 2,5 mil contêineres mensais, numa área de 330 mil metros quadrados e carteira com 1,6 mil clientes, 450 deles ativos.
– Toda a cadeia logística do Estado está ganhando com isso. Não conheço outro lugar que tenha estrutura igual a de Itajaí, toda voltada para o comércio exterior, ou outro Estado que conte com 15 berços como SC terá em 2011 – avalia.
No Multilog, vários armazéns guardam colunas gigantescas de mercadorias importadas, desde artigos de bazar até máquinas pesadas. O líder do Armazém 2, Clécio Adalberto Teske, diz que produtos curiosos já foram armazenados por ele.
– A gente vê de tudo. Até conchas da Indonésia passaram por aqui.
Atrativos de sobra
O Porto de Itajaí e o terminal de Navegantes são as principais entradas dos produtos do First Group no Brasil. O grupo é formado por sete empresas focadas em comércio internacional, entre elas a Midea do Brasil, uma das maiores fabricantes de condicionadores de ar do mundo.
Segundo Marcio Michel, gerente de importação da First, os principais fatores para trazer os produtos através dos portos de Itajaí são o valor do frete mais competitivo, pela quantidade de mercadorias recebidas no local indicado pelas linhas de armadores, a ampla e completa estrutura voltada para o setor de comércio exterior e a localização estratégica.
O centro de distribuição, o Firstlog, que distribui os produtos recebidos para todo o Brasil e até para o exterior, fica próximo da região dos portos.
– Com certeza absoluta, Itajaí é a cidade que possui o maior número de prestadores de serviços nessa área – destaca Michel.
Entre os principais produtos importados pela empresa em Itajaí estão alimentos e bebidas vindos de países como Chile, Argentina, Bélgica e França; artigos esportivos importados da Inglaterra; eletrodomésticos Midea (da China), que produz outros itens além de condicionadores de ar; e equipamentos eletroeletrônicos de diversos países.
Cresce a exportação de 23 estados brasileiros
As exportações de 23 unidades da Federação tiveram crescimento no mês de março de 2010 com relação ao mesmo período do ano passado. Os dados estarão disponíveis, a partir de hoje (15/4), no site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), www.mdic.gov.br.
Dentre os estados que apresentaram crescimento em suas vendas, o destaque foi o Maranhão, que exportou US$ 484,912 milhões no mês passado, contra US$ 122,638 milhões no mesmo período de 2008, apresentando um aumento de 295%. O Rio de Janeiro também registrou elevação, com crescimento de 175%. O estado embarcou US$ 1,807 bilhão, sendo que em março de 2009 os embarques foram de US$ 656,963 milhões.
A Região Sudeste vendeu ao mercado externo US$ 8,856 bilhões, com um participação de 56% na pauta exportadora. Os três estados que compõem a Região Sul tiveram embarques de US$ 2,803 bilhões (17%). As próximas regiões do ranking são Centro-Oeste – US$ 1,601 bilhão (10%); Nordeste – US$ 1,572 bilhão (10%) e, por fim, a Região Norte, com US$ 666,223 milhões (4%).
Municípios
Dos mais de 2 mil municípios que participam do comércio brasileiro, Angra dos Reis (RJ) foi o maior exportador em março de 2010, com embarques de US$ 1,760 bilhão. No ranking dos municípios que mais exportaram, em segundo e terceiro lugares apareceram, respectivamente, São Paulo (SP), com US$ 1,248 bilhão; e Macaé (RJ), com US$ 1,106 bilhão. O município de São José dos Campos (SP) ficou em quarto, com US$ 1,062 bilhão e em quinta colocação foi para Paraupebas (PA), com US$ 1,014 bilhão.



