09.09.09 - wed

Em plena crise, Brasil sobe oito posições em ranking global de competitividade

 A competitividade da economia brasileira deu um salto em 2009, em plena crise global e apesar de enfrentar um dos "spreads" bancários mais altos do planeta, excesso de regulamentações, problemas de corrupção e atrasos na implementação de reformas.
É o que mostra o Relatório de Competitividade Global 2009-2010, que coloca o Brasil na 56ª posição entre 133 nações. O país ganhou oito posições em relação ao ano passado (era 64º ), com avanço em todas as áreas e mais do que China e Índia, que subiram uma posição.
Também é apontado como o país que terá sua competitividade "mais favoravelmente afetada" pela crise global, numa pesquisa com um grupo de economistas feita pela entidade suíça Forum Mundial de Economia, que publica o relatório.
Um dos autores do relatório, Xavier Sala-i-Martin, professor de economia da Universidade de Columbia, Estados Unidos, define as economias competitivas como "aquelas que possuem fatores que impulsionam avanços de produtividade, a base para a prosperidade atual e futura. Um ambiente econômico que favorece a competitividade é capaz de ajudar economias nacionais e enfrentar ciclos empresariais de retração e garantir a presença de mecanismos que apoiam um bom desempenho econômico futuro".
"O Brasil é o destaque do ano", interpreta Carlos Arruda, diretor-executivo da Fundação Dom Cabral, parceira do forum. "As respostas do governo à crise, para sustentar a economia, foram adequadas e isso se reflete na percepção internacional".
O Brasil passa o México pela primeira vez no relatório. A melhora na competitividade brasileira é atribuída a seu setor empresarial inovador e sofisticado, ao tamanho de seu mercado e a melhora na área de estabilidade macroeconômica, comparada com o ano anterior.
Mas o relatório aponta vulnerabilidades na qualidade das instituições, nos mercados de bens e de trabalho, padrões educacionais. Uma das maiores desvantagens competitivas é o "spread" bancário (a diferença entre o que o banco paga ao tomar um empréstimo e o que ele cobra ao conceder um empréstimo), na posição 128 entre 133 países. O país é também campeão da categoria de regulação do governo (132).
A confiança do brasileiro nos políticos é uma das mais baixas do mundo (127). A percepção também é de enorme desperdícios por parte do governo (129). "Existe mais confiança no setor privado do que no setor público, o que reflete problemas de imagem, ética e corrupção", diz Arruda.
Uma pesquisa sobre os principais problemas para fazer negócios no Brasil aponta em primeiro lugar o excesso de regulamentação pelo governo, impostos, restrição no mercado de trabalho, ineficiência da burocracia, vindo questões como violência entre as últimas preocupações do empresariado.
Enquanto o Brasil, China e Índia melhoraram, a Rússia foi a grande perdedora do ano, caindo 12 posições. A China continua dominante entre as grandes economias em desenvolvimento, ganhando um lugar e se posicionando entre as 30 economias mais competitivas do mundo.
Globalmente, a Suíça lidera o ranking de país mais competitivo, tomando o lugar dos Estados Unidos, no rastro do enfraquecimento nos mercados financeiros e na estabilidade macroeconômica americana. Cingapura, Suécia e Dinamarca completam as cinco primeiras posições. As economias europeias continuam dominando as primeiras dez colocações, com Finlândia, Alemanha e Holanda.
Sete economias da América Latina e Caribe estão colocadas na primeira metade do ranking: Chile (28º ), Porto Rico (42º), Barbados (44º ), Costa Rica (55º), Brasil (56º ), Panamá (59º ), México (60º ) e Uruguai (65º )
Os rankings são baseados em dados de domínio público e nos resultados da pesquisa de opinião com executivos (mais de 13 mil em 133 países).

Fonte:NetMarinha


09.09.09 - wed

Múltis tentam evitar que Argentina eleve imposto sobre eletrônicos

 Fabricantes multinacionais de produtos eletrônicos promoveram um intenso lobby de última hora contra um projeto de lei em tramitação no Senado da Argentina que pode dobrar o imposto sobre o valor agregado de celulares, televisores e câmeras.
O aumento, que foi aprovado pela Câmara dos Deputados em agosto, foi proposto pela presidente Cristina Kirchner para aumentar a fraca receita de impostos e estimular a produção industrial local e a criação de empregos no país.
O chamado "impuestazo" pode dobrar para 21% o imposto sobre o valor agregado da maioria dos eletrônicos produzidos fora da zona franca da Terra do Fogo.
Cristina diz que o projeto implicaria "menos dólares saindo do país para pagar importações e mais empregos os argentinos".
Desde que tomou posse, em dezembro de 2007, Cristina mostrou-se comprometida ideologicamente com políticas econômicas nacionalistas, criando barreiras comerciais e assumindo o controle dos fundos de pensão privados e da Aerolíneas Argentinas.
Em 2 de setembro, o governo não conseguiu o número suficiente de senadores para votar a proposta, em parte porque um punhado de legisladores favoráveis ao governo estava doente. A liderança do Senado disse que o projeto é prioritário, mas não se sabe quando será submetido a votação.
A Câmara de Informática e Comunicações, que representa muitas multinacionais na Argentina, diz que a proposta de tributação elevaria o preço de produtos como monitores de computadores e celulares em 34% e deixaria a economia argentina menos competitiva ao limitar o acesso a tecnologia.
"Obviamente os preços vão aumentar para a nossa linha de produtos", afirmou Juan Hernán de Carlo, coordenador de marketing da japonesa Canon na Argentina, que vende câmeras, videocâmeras e impressoras no país. "Isso certamente vai prejudicar nossos negócios."
A Câmara Argentina de Máquinas de Escritório, Comerciais e Afins e a Associação Argentina de Televisões a Cabo estão trabalhando para derrotar a proposta.
Os impostos altos e os custos de transporte já fazem com que os eletrônicos sejam mais caros na Argentina do que na maioria dos outros países da América Latina. Comunidades foram criadas no Facebook para protestar contra o aumento do imposto, e os hackers argentinos divulgaram um manifesto em vários websites do governo chamando a proposta de "retrógrada e infantil".
A Argentina começou a oferecer incentivos fiscais ao estabelecimento de fábricas de eletrônicos na Terra do Fogo nos anos 70, para estimular o desenvolvimento no isolado arquipélago no extremo sul do país. As operações lá até hoje continuam modestas. As indústrias ali instaladas respondem por apenas US$ 300 milhões do mercado de cerca de US$ 4 bilhões em telecomunicações e computação da Argentina, de acordo com um estudo de estudantes da Universidade Columbia, dos EUA, e da Universidade San Andrés, da Argentina.
"Quando o governo argentino aumenta impostos em tecnologia para beneficiar umas poucas e tolas linhas de montagem, isso mostra que ele não entende o mundo moderno nem o papel da Argentina nele", afirmou Julian Gallo, consultor de tecnologia argentino.
No ano passado, os argentinos compraram cerca de 10 milhões de celulares, no valor de US$ 1 bilhão, disse Enrique Carrier, analista de tecnologia em Buenos Aires. Apenas 2% foram fabricados na Argentina; 65% foram importados do Brasil e 20% do México, de acordo com a Câmara de Informática.
Os fabricantes multinacionais de telefones celulares, como Nokia, Motorola, Sony, Ericsson e Samsung, podem ver as suas vendas afundar devido ao aumento do imposto, dizem analistas.
De acordo com o senador Ernesto Sanz, um líder da oposição contrário ao aumento do imposto, a Terra do Fogo receberia cerca de um quinto dos esperados US$ 78 milhões em nova arrecadação.
O analista político Carlos Germano diz que o aumento do imposto representa, em parte, a retribuição do governo a um favor político dado por um dupla de senadores de oposição da Terra do Fogo. Os dois senadores recentemente descumpriram a orientação de seu partido e votaram com o governo na proposta legislativa que renovou os poderes especiais de Kirchner sobre alocações de verba do orçamento. O governo afirma que está tentando aumentar o imposto para beneficiar a indústria local, e não pela política do é dando que se recebe.

Fonte:NetMarinha

09.09.09 - wed

Embraer também recebe subvenção de europeus, diz a Bombardier

 O construtor aeronáutico canadense Bombardier avisou ontem que não recebe sozinho subvenções europeias. E apontou que sua concorrente Embraer igualmente obtém ajuda europeia, através do governo de Portugal para um investimento em Évora.
"Estamos atentos a essa ajuda que a Embraer recebe dos portugueses", afirmou um porta-voz da empresa canadense, reagindo às informações de que o construtor brasileiro se queixou na Comissão Europeia contra subsídios dados pelo Reino Unido para a Bombardier produzir asas do material composite na Irlanda do Norte.
A Embraer instalou em Évora uma unidade para fabricação de estruturas metálicas (asas) e outra para produção de materiais compósitos (caudas), num investimento inicial de € 148 milhões e criação de 570 postos de trabalho. "Comunicado do governo e publicações da imprensa mostram que a Embraer recebe subvenções", disse o porta-voz da fabricante canadense.
O governo de Portugal indicou aos brasileiros que a ajuda é compatível com a legislação de concorrência europeia. Para a Embraer, porém, esse não seria o caso com os subsídios que a Bombardier recebe dos britânicos.
O porta-voz canadense evitou comentários sobre o desenvolvimento de uma nova briga entre os dois construtores de jatos regionais sobre subvenções para lançamento de novas aeronaves, tema que está causando uma guerra comercial entre os gigantes americano Boeing e europeu Airbus.
A Embraer aguarda a publicação de decisão da Comissão Europeia, que confirmou ajuda do Reino Unido equivalente a US$ 184,5 milhões para a Bombardier, para decidir se recorre à Corte Europeia de Justiça.
Desde o ano passado, quando a Bombardier anunciou que lançaria os novos jatos regionais C series, de 110 a 130 assentos, a Embraer ameaçou questionar os subsídios na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Como nota o jornal "The Gazette", de Montreal, o que está em jogo é enorme - estimativa de dezenas de bilhões de dólares em vendas de jatos regionais nos próximos 20 anos.

Fonte:NetMarinha
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