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Exportações registram aumento forte em todas as regiões do país
Nos 145 dias úteis até final de julho, os nove estados da região exportaram produtos no valor de US$ 8,8 bilhões. Foi um aumento de 43% sobre os US$ 6,1 bilhões registrados no mesmo período de 2009, de acordo com boletim divulgado na sexta-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) com detalhes da balança comercial por regiões, por estados e pelos 2.147 municípios com vendas externas.
Na balança comercial dos municípios, Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, manteve a primeira colocação com embarques de US$ 5 bilhões no ano. Dentre os dez mais bem colocados nas vendas internacionais, a cidade de São Paulo aparece em segundo lugar com US$ 3,6 bilhões, seguida por Parauapebas, no Pará, com US$ 3,1 bilhões.
Em seguida aparecem Santos, cidade do litoral de São Paulo, com vendas equivalentes a US$ 2,8 bilhões; São José dos Campos (SP), com US$ 2,5 bilhões; Itabira (MG), com US$ 2,47 bilhões; Paranaguá (PR), com US$ 2,45 bilhões; São Bernardo do Campo (SP), com US$ 2,1 bilhões; Vitória (ES), com US$ 2,08 bilhões; e Macaé (RJ), com US$ 2,05 bilhões.
Desempenho da China é crucial para futuro do Brasil, diz analista
Palley é bem mais otimista em relação ao Brasil. Diz que uma eventual estagnação dos desenvolvidos atingiria em alguma medida o país, mas observa que o futuro da economia brasileira, grande exportadora de commodities, está muito ligado ao futuro da China. O Brasil, afirma, conta ainda com trunfos importantes, como o mercado interno dinâmico, o petróleo do pré-sal e grande espaço para elevar o investimento público.
O economista veio ao Brasil para participar do 3º Encontro Internacional da Associação Keynesiana Brasileira (AKB), realizado nesta semana em São Paulo, na FGV. Sediado em Washington, a New America Foundation é um instituto independente de políticas públicas. Palley diz que seria um grande equívoco apertar a política fiscal agora nos países desenvolvidos, como sugerem analistas ortodoxos. Dada a fragilidade da recuperação da economia, medidas de austeridade fiscal seriam um erro.
Palley insiste, contudo, que não basta manter os estímulos fiscais. Para que haja uma recuperação consistente, é fundamental enfrentar os desequilíbrios estruturais que contribuíram de modo decisivo para a crise. Ele aponta a "exaustão do paradigma de crescimento da economia americana" em vigor desde os anos 80. Segundo Palley, o modelo se baseia na expansão do endividamento e na necessidade de aumentos expressivos de preços de ativos, marcado por déficits comerciais elevados e perda de empregos industriais.
"Precisamos restaurar o elo entre o crescimento dos salários e o crescimento da produtividade", diz ele, que também destaca a necessidade de redução do déficit comercial americano, assim como uma política que impeça uma nova sobrevalorização do dólar. São medidas importantes para evitar a perda de investimentos e empregos industriais para o exterior.
Na Europa, Palley vê com maus olhos a estratégia da Alemanha, que segue um modelo exportador mais adequado a um "pequeno país emergente". Para manter a competitividade, há uma política de repressão salarial, que leva a pressões deflacionárias para os outros países europeus.
Se essas questões não forem enfrentadas, Palley acredita que haverá uma "longa e dolorosa estagnação" nos próximos anos. Como a japonesa nos anos 90? "Vai ser pior. O desemprego no Japão nunca ficou muito acima de 5%. Nos EUA, a taxa já está em 10% e, se você considerar os que não estão na força de trabalho, por desalento ou que não trabalham tanto quanto gostariam, a taxa está próxima de 17%."
Quanto ao Brasil, um ponto fundamental é saber o que vai ocorrer com a China, diz Palley. Grande exportador de commodities, o Brasil tem se beneficiado dos preços elevados desses produtos, muito demandados pelo país asiático. Ele considera possível que a economia asiática continue a crescer a taxas robustas, mas vê dois riscos importantes nos próximos anos.
O primeiro risco é que desequilíbrios internos afetem a economia. Ele cita a especulação imobiliária e no mercado de ações, o excesso de capacidade provocado pelos investimentos elevados e eventuais problemas nos bancos, devido a empréstimos de qualidade duvidosa para estatais. O outro risco é de que a desaceleração nos EUA prejudique o crescimento da China, que tem na economia americana um grande mercado.
Além da influência da China, Palley destaca fatores importantes que podem ajudar o Brasil a se sair bem nos próximos anos. Um deles é a força do mercado interno, que pode manter o dinamismo da economia em alta, mesmo com um cenário externo mais adverso. Outra vantagem são as oportunidades oferecidas pelo petróleo do pré-sal, cuja exploração vai demandar investimentos e, com isso, impulsionar uma parcela importante da economia. A terceira, por fim, é um espaço expressivo para o avanço investimento público. Palley não vê com preocupação a política fiscal brasileira - um déficit fiscal na casa de 3,5% do PIB não é um problema significativo, num cenário de economia global fraca.
Como os keynesianos brasileiros, Palley vê com preocupação o nível dos juros brasileiros, que, segundo ele, abocanham parcela relevante do orçamento e contribuem para a valorização do câmbio. O real forte, aliás, é um fator que pode prejudicar o Brasil, afirma. O país conseguiu manter um parque produtivo integrado nos últimos 20 anos, o que pode ser ameaçado se o dólar barato continuar por muito tempo. E aí a China se torna uma ameaça.
Dados devem mostrar que Alemanha cresce e descola do resto da UE
Os números do Produto Interno Bruto (PIB) referentes ao segundo trimestre, que serão divulgados hoje em muitos dos 16 países do bloco, deverão revelar uma recuperação em duas velocidades, tendo a Alemanha chegado a crescer até 1,3% em abril, maio e junho, a França, possivelmente, 0,4%, e a Espanha talvez só metade do crescimento francês.
Em conseqüência, economistas acreditam que a Alemanha - cuja foco nas exportações tem sido criticada por parceiros estrangeiros nos últimos meses, especialmente pela França - impulsionará o crescimento de toda a zona euro, de 0,2% no primeiro trimestre para cerca de 0,7% no segundo.
Isso colocaria a zona do euro um pouco à frente dos EUA, que registrou uma queda do crescimento econômico, para 0,6% no mesmo período.
Isso também poderá ajudar Merkel a manter a distância as dificuldades surgidas após sua reeleição, embora ela saiba que os lentos crescimentos asiático e americano deverão repercutir na Europa neste terceiro trimestre.
"Acreditamos que a maior parte do aumento no PIB da zona euro no segundo trimestre virá de um surto de atividade na Alemanha", disse Jürgen Michels, do Citibank. "Isso reflete o vigor das exportações alemãs e também uma correção após um inverno particularmente rigoroso."
A renovada demanda por carros e máquinas-ferramentas alemãs, especialmente na Ásia, provocou um surto de produção e de exportações nos últimos meses e fez diminuir a taxa de desemprego no país. A França e a Espanha não tiveram a mesma sorte.
"A Alemanha retornou a níveis pré-crise de exportações de bens, ao passo que a França ainda está 10% aquém. Por isso, a França claramente não está se beneficiando tanto do reaquecimento no comércio mundial", afirmou Gilles Moec, economista do Deutsche Bank.
Por isso, o mercado de trabalho francês não cresceu como na Alemanha. Isso roubou à segunda maior economia da zona do euro seu tradicional vigor - os gastos no mercado interno - e criou um cenário desfavorável para o presidente Nicolas Sarkozy, que se prepara para o reinício das atividades parlamentares.
A economia espanhola, que cresceu rapidamente nos anos que antecederam a crise financeira mundial, puxada por um salto na construção civil, está agora em dificuldades para evitar um retorno à recessão.
O Banco de Espanha (o banco central espanhol) estima que o PIB cresceu apenas 0,2% no segundo trimestre deste ano, em relação ao primeiro trimestre, após um crescimento de apenas 0,1% no primeiro trimestre.
José Luis Rodríguez Zapatero, o primeiro-ministro socialista, em apuros, advertiu nesta semana que o crescimento neste terceiro trimestre poderá ser ainda mais fraco que no segundo, o que gerou nervosismo nos mercados financeiros. Isso aumenta a possibilidade de retomada dos projetos de infraestrutura congelados em nome da austeridade.
O BCE disse ontem, em seu relatório mensal, que "os números referentes ao terceiro trimestre estão, até o momento, melhores que o esperado", mas acrescentou que o crescimento na zona do euro será "moderado" e "irregular".
Preocupações com que os programas de austeridade em toda a Europa possam reduzir o consumo estão começando a combinar-se com temores de que a recuperação em outras partes do mundo será mais intermitente do que esperado. "Os EUA e a China evidenciam sinais de desaceleração, por isso seria tolice acreditar que a Europa não será afetada", disse Peter Vanden Houte, economista do ING.



