16.09.09 - wed

Marfrig acredita em 'ajuda' do BNDES

 O presidente da Marfrig Alimentos, Marcos Molina, disse ontem que o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) "deve ter interesse em apoiar a Marfrig" na aquisição da Seara, divisão de carnes da americana Cargill. "O BNDES tem apoiado todas as negociações. Como acionista, deve ter interesse em apoiar a Marfrig no negócio", afirmou durante teleconferência para analistas de investimentos.
Segundo Molina, ele terá uma reunião com o banco de fomento, que hoje tem 14,66% do capital da empresa por meio de seu braço de participações, a BNDESPar.
Questionado por analistas sobre como a aquisição da Seara será financiada, o diretor de planejamento e relações com investidores do Grupo Marfrig, Ricardo Florence, disse que "tem sido uma tradição da empresa fazer todas as suas grandes operações com base em operações de ações".
A intenção, neste caso, é uma operação de aumento de capital por meio de oferta primária de ações. "Numa potencial oferta, o controlador pretende acompanhar a oferta", disse. Hoje, o controlador tem 50,44% das ações ordinárias da Marfrig. "Vamos definir o que for melhor para a Marfrig desde que chegue a um preço justo [para as ações], observou Molina.
A Marfrig vai pagar, pela Seara, US$ 706,2 milhões em moeda e US$ 193,8 milhões em assunção de dívidas. Os valores poderão ter ajustes até o fechamento do negócio, esperado para o próximo trimestre deste ano. Florence explicou que para garantir a operação, a Marfrig constituiu reserva de crédito de longo prazo no valor de R$ 1,3 bilhão no Bradesco. "É uma garantia de concretização [do negócio] para a Cargill", disse.
Segundo Marcos Molina, a aquisição da Seara é "valiosa para a Marfrig e um passo importante para a empresa", que passará a ter mais de 60 mil funcionáros.
Além da ampliação do acesso ao varejo e ao food service e a mercados no exterior, a Marfrig também espera, após a compra da Seara, ter maior poder de barganha com os fornecedores e vantagens logísticas com o terminal exclusivo no porto de Itajaí.

Fonte:NetMarinha
16.09.09 - wed

BRF pode ser beneficiada por negócio

 A aquisição da Seara, divisão de carnes da americana Cargill, pela brasileira Marfrig Alimentos, pode levar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a impor restrições mais brandas à união entre Perdigão e Sadia, que criou a BRF- Brasil Foods. A avaliação é de analistas de investimentos e da indústria que acompanham o segmento.
Diante do alto grau de concentração no varejo brasileiro que a união entre Perdigão e Sadia representa é consenso que o órgão regulador deve impor restrições à BRF, como a venda de marcas ou de ativos em alguns segmentos.
"É provável que a BRF tenha de vender algum ativo, mas com a compra da Seara pela Marfrig, a restrição pode não ser tão intensa", afirmou Renato Prado, analista de investimentos do Banco Fator.
"Pode ser bom para a BRF numa eventual decisão do Cade", disse Rafael Cintra, da Link Investimentos. O raciocínio é que a compra da Seara pela Marfrig coloca no mercado um competidor mais forte para concorrer com a BRF. Para um analista da indústria, o Cade "pode ser menos rígido" porque agora a operação Sadia-Perdigão envolverá menor concentração.
De acordo com dados da ACNielsen apresentados durante a teleconferência da Marfrig com analistas ontem, BRF tem 55,9% do volume do mercado de frios e embutidos do país, considerando o período de janeiro a agosto deste ano. Marfrig e Seara juntos têm 7%. No mercado de carnes congeladas (inclui hambúrgueres, empanados e cortes temperados), a BRF tem 73,8% (entre dezembro de 2008 e julho deste ano). Marfrig e Seara ficam com 6,6%.
No que diz respeito às exportações, a Marfrig fica com 16,6% do mercado de frango após a aquisição da Seara, conforme dados apresentados aos analistas. O percentual considera os volumes que ambas exportaram em 2008. Brasil Foods fica com 45,2% das vendas de frango, que ano passado totalizaram 3,6 milhões de toneladas. No caso dos embarques de carne suína, Marfrig teria 16% após a compra da Seara ante 39% da BRF. Os dados consideram as 529 mil toneladas do ano passado.

Fonte:NetMarinha


16.09.09 - wed

BNDES vai financiar R$20,9 bi para a construção do trem-bala entre Rio e São Paulo

 Um dos maiores entraves para que a construção da linha de trem de alta velocidade (o trem-bala) ligando São Paulo e Rio de Janeiro saia do papel está em vias de ser eliminado. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) divulgou, nesta quinta-feira (3/09), a modelagem financeira do projeto, que, junto com os estudos técnicos, o edital de licitação e o contrato, devem ser colocados em consulta pública em setembro. Segundo o documento, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai atuar como agente da União, financiando 20,9 bilhões de reais para o concessionário da linha, com um prazo de 30 anos.
"Queremos agora avaliar a reação do mercado à modelagem", disse o presidente da ANTT, Bernardo Figueiredo, em entrevista coletiva nesta quinta-feira, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O projeto de construção da linha está avaliado em 34,6 bilhões de reais. Além do valor financiado pelo BNDES, caberá também à União investir cerca de 2,3 bilhões de reais nas atividades de desapropriação e reassentamento nas áreas do traçado da linha e injetar 1,1 bilhão no capital da companhia que obtiver a concessão.
O governo planeja enviar ao Congresso um projeto de lei que autoriza a criação de uma nova estatal, a Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade S/A (ETAV). Além da atuação no repasse de recursos para o projeto, a empresa será responsável por gerenciar a absorção de tecnologias que serão transferidas de países pioneiros no uso dos trens de alta velocidade.
Segundo Figueiredo, os estudos técnicos e a modelagem serão avaliados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). "O Tribunal deve liberal o projeto até outubro e nossa expectativa é que o leilão ocorra em janeiro de 2010, sendo que o contrato deve ser assinado 90 dias depois", disse o presidente da ANTT.
O governo negocia ainda a desoneração do projeto junto aos estados envolvidos, por meio da isenção de ICMS sobre o concessionário do trem de alta velocidade. De acordo com Figueiredo, o governo do Rio de Janeiro já confirmou a isenção, mas a adesão de São Paulo ainda não é certa.
Concorrentes
Até agora, oito companhias demonstraram interesse em participar da licitação para a construção do trem. Seis delas apresentaram suas propostas e o histórico no desenvolvimento de projetos semelhantes ao brasileiro no encontro promovido pela Fiesp. Um dos destaques foi a japonesa Mitsui, participante no consórcio que construiu o Shinkansen, primeiro trem de alta velocidade construído no mundo, em operação há 45 anos.
Além da Mitsui, a alemã Siemens, a francesa Alstom, a sul-coreana Rotem e as espanholas CAF e Talgo falaram sobre alternativas viáveis para o trem de alta velocidade no Brasil. Duas outras companhias, uma chinesa e outra italiana, possíveis concorrentes na licitação, não participaram do evento.
Para a Copa
São previstos 518 quilômetros de linha para o trem, ligando Campinas, no interior de São Paulo à estação Barão de Mauá, no Rio de Janeiro. No projeto atual são consideradas oito estações, dentre elas, uma no aeroporto do Galeão, no Rio, uma no aeroporto de Guarulhos e outra no Campo de Marte, em São Paulo, e uma no aeroporto de Viracopos, em Campinas.
De acordo com estudo divulgado pela ANTT, quando estiver operando, o trem permitirá que as viagens entre Rio de Janeiro e São Paulo sejam feitas em 93 minutos, tornando a opção mais vantajosa do que as viagens de avião (110 minutos, em média), carro (300 minutos) ou ônibus (375 minutos). A passagem para este trajeto deve custar, em horários de pico, 200 reais na classe econômica e 325 reais na executiva. Para os demais horários, nas classes econômica e executiva, a tarifa deve ser de 150 reais e 250 reais, respectivamente.
O projeto estima que as obras devam ser concluídas até 2014, justamente para atender ao grande movimento do turismo em função da Copa do Mundo, que será disputada no Brasil. Entretanto, a modelagem financeira considera um prazo de cinco anos para que as obras sejam terminadas. O presidente da ANTT disse que o prazo máximo tolerado para a conclusão será de seis anos.
"Haverá liberdade para que os investidores façam propostas e até antecipem a conclusão de trechos da linha. É possível terminar a obra em três anos, mas daremos um prazo máximo de seis", disse Figueiredo. Ele disse ainda que os planos do governo não param na construção da linha Rio-São Paulo. "Queremos estender a linha para interligar Rio, São Paulo, Campinas, Curitiba e Belo Horizonte", afirmou. Depois, a intenção é criar uma malha de média e alta capacidade que contemple outras regiões do país.

Fonte:NetMarinha

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