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Em desaceleração, Japão anuncia mais estímulo
O Japão anunciou ontem medidas para reforçar sua frágil recuperação econômica. O banco central colocou à disposição 10 trilhões de ienes (US$ 118 bilhões) para operações adicionais de financiamento de seis meses, com taxas baratas, e o governo apresentou pacote de 920 bilhões de ienes em estímulos econômicos.
As medidas, no entanto, eram amplamente esperadas e economistas advertiram que não são suficientes para recuperar a confiança, abalada pela desaceleração do crescimento, pela ameaça de uma recaída recessiva nos EUA e pela valorização do iene.
O presidente do Banco do Japão (o banco central do país), Masaaki Shirakawa, que estava em visita aos EUA antecipou seu retorno para participar da reunião de política monetária, convocada às pressas, que aprovou as novas operações de financiamento, ampliando um programa de 20 trilhões de ienes, em créditos de 3 meses, que já estava em vigor.
O premiê do país, Naoto Kan, cuja liderança vem sendo contestada dentro de seu próprio partido, elogiou a decisão, descrevendo-a como uma "ação rápida para lidar com a situação econômica".
Os mercados, contudo, não se impressionaram. O índice Nikkei, referencial das ações em Tóquio, subia mais de 3% antes do anúncio do Banco do Japão, mas acabou reduzindo o avanço e fechando em alta de 1,8%. Após cair acentuadamente para quase 85,88 ienes por dólar com a notícia da convocação da reunião de política monetária que não estava prevista, a moeda japonesa acabou se valorizando, fechando ontem a 84,63 ienes por dólar em Nova York.
Na semana passada, depois de atingir a maior cotação em 15 anos, de 83,57 ienes por dólar, Kan e seus ministros intensificaram o teor das declarações para tentar desvalorizar a moeda a um patamar mais confortável para os exportadores, que vêm puxando o crescimento da economia.
Ao apresentar as políticas com as quais pretende reforçar o crescimento econômico, o governo prometeu acompanhar de perto "oscilações excessivas" dos mercados e tomar "medida firmes quando necessário".
Existia expectativa geral de que o banco central decidisse expandir sua operação de financiamento na reunião de política monetária regular, agendada para a próxima semana, e economistas disseram que a nova iniciativa pouco fará para solucionar os problemas do Japão.
"O impacto econômico será insignificante, e qualquer impacto sobre o iene será diluído pela ausência de uma intenção declarada de desvalorizar a moeda ou de intensificar a flexibilização quantitativa", afirmou Julian Jessop, da Capital Economics.
Analistas dizem que o sistema financeiro japonês já tem bastante liquidez e que o principal problema está na escassez de tomadores de empréstimos dignos de crédito.
Taxas de juros já baixas e quedas persistentes nos preços também significam que a decisão do Banco do Japão pouco contribuirá para evitar o afluxo de dinheiro em busca de refúgio decorrente da perda de sustentação do crescimento americano.
É cada vez maior a pressão para que Kan estimule a economia em meio à aparente perda do ímpeto da recuperação da maior recessão do pós-guerra no país. Para o trimestre encerrado em junho, estimou-se que a economia cresceu a uma taxa anualizada de apenas 0,4%.
Recuperação valoriza ações das empresas aéreas
"Claramente os mercados financeiros estão esperando um desempenho muito melhor das empresas aéreas na fase de alta deste ciclo", destacou a Iata.
A Iata divulgou que 47 aéreas de grande escala mostraram lucro líquido de US$ 3,9 bilhões no segundo trimestre. O desempenho das companhias, no entanto, foi desigual. As empresas na América do Norte e na região da Ásia-Pacífico mostraram o melhor resultado, enquanto as da Europa viram suas ações e lucros ficarem para trás em comparação aos dessas regiões.
Apesar da recuperação em termos gerais, o mercado mundial de empresas aéreas não ficou livre das quebras. A endividada Mexicana, uma das duas maiores do México, deixou de vender passagens após entrar este mês em processo equivalente à recuperação judicial. Em janeiro, a JAL, líder no Japão, também havia entrado em processo similar.
A empresa sustenta que estava em situação razoavelmente saudável até a erupção, mas como havia passado pelos anos anteriores da crise mundial não tinha caixa suficiente para lidar com os problemas provocados pela nuvem gigantesca de cinzas vulcânicas.
Também há receios de que as empresas se apressem em voltar a colocar em atividade aeronaves hoje paradas ou em comprar novos aviões, criando excesso de capacidade de vôo e possíveis problemas no futuro.
Governo descarta adotar novas barreiras para conter importação
"São estimativas extra-oficiais", alertou o ministro, que não costuma fazer previsões sobre o saldo do comércio exterior. Ele rejeitou enfaticamente o pedido de "fechamento" da economia.
Para o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, as queixas da Fiesp juntam problemas diferentes enfrentados pelos produtores brasileiros, nenhum deles solucionável com o aumento de tarifas de importação. "Não adianta fechar a economia", diz Barral. "Contrabando não se resolve com tarifa mais alta; fraudes, subfaturamento, contrabando se combatem com fiscalização", enumerou o secretário.
Miguel Jorge e Welber Barral reconhecem que a valorização do real em relação ao dólar também desequilibra a competição em prejuízo aos produtores nacionais. "Apesar disso, se pegarmos o coeficiente de importação do Brasil, ele ainda é mais baixo que em países comparáveis", argumenta Miguel Jorge, exibindo um gráfico montado pelo ministério, segundo o qual as importações representaram, nos últimos anos, entre 9% a pouco mais de 11% do Produto Interno Bruto.
"Temos o problema do câmbio", admitiu Barral. "Mas a proporção de bens de consumo importados é pequena, 17% do total", argumenta. "Não temos número significativo de setores ameaçados pelo aumento de importação", garante Miguel Jorge. "Quando vem aqui um setor ameaçado, em geral é subfaturamento ou fraude", complementou Barral, lembrando o caso de produtos como escova de cabelo ou óculos (estes últimos contrabandeados em quantidade equivalente a 70% do mercado nacional). "Ou falta de competitividade", critica o ministro.
"Agora há importadores reclamando da medida anti-circunvenção; se estiverem importando mesmo de fábricas do Vietnã, não têm do que se preocupar", diz o ministro. "Mas quem estiver trazendo produto da China como se fosse da Malásia tem de se preocupar mesmo, vai sair do mercado".
O diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, diz que Steinbruch foi mal interpretado pelos que o acusam de defender o protecionismo. "Benjamin não fala em voltar ao protecionismo geriátrico dos anos 80, faz uma defesa da industria por não estarmos em uma conjuntura competitiva, de cambio, tributos, logística e capital", argumenta Giannetti, que acusa o Ministério da Fazenda de impedir medidas de redução de tributos que prejudicam os produtores nacionais na competição com os importados.
A Fiesp apóia algumas reivindicações de aumento de tarifas, como a dos fabricantes de máquinas e equipamentos para a indústria, que querem elevar as tarifas de 16% para 35%, como forma de se proteger dos concorrentes chineses. "Teremos um déficit no setor de manufaturados de US$ 60 bilhões neste ano; em 2006 era um superávit de US$ 5,9 bilhões", critica, em referência ao estudo da Fiesp que considera o total das exportações e importações do setor industrial.



