14.09.09 - mon

Bunge espera por acordo de acionista para levar a Moema

 A Bunge aguarda um acordo entre os principais acionistas da companhia paulista Moema para efetivar a aquisição das usinas do grupo, afirmaram ao Valor fontes familiarizadas com a negociação.
Para a Bunge, só interessa comprar a Moema, se a múlti garantir o controle majoritário das usinas. É que das seis unidades do grupo, em apenas duas a Moema tem o controle majoritário. Em outras duas, a empresa tem participação de 50% e nas duas outras restantes apenas participação minoritária", afirmaram as mesmas fontes.
A Bunge garantiu a preferência para fechar a compra e está em processo de "due dilligence" (auditoria). O acordo de acionistas deverá ser concluído nas próximas semanas. No acordo, os principais acionistas deverão negociar a participação dos minoritários para que a Bunge tenha o controle das seis usinas, que têm capacidade para moer até 15 milhões de toneladas de cana/safra.
O empresário Maurílio Biagi Filho e a família Junqueira Franco estão entre os principais acionistas da Moema. A Cargill é sócia de uma das usinas da companhia.

Fonte:NetMarinha
11.09.09 - fri

Economistas preveem que crise fará PIB do Brasil perder R$ 138 bi em 2009

 A economia brasileira deverá fechar este ano até R$ 138 bilhões menor do que era previsto pelo mercado antes da crise.
Esse cálculo, feito por economistas a pedido da BBC Brasil, tem como base as previsões de analistas de mercado contidas no boletim Focus desta semana e no de 12 de setembro de 2008, o último antes do agravamento da crise mundial.
Naquele relatório Focus, divulgado três dias antes da quebra do banco americano Lehman Brothers, os analistas consultados pelo Banco Central previam para 2009 crescimento de 3,6% e inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 4,99%.
O economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, calculou que, se essas previsões tivessem sido mantidas, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro teria passado dos R$ 2,889 trilhões de 2008 (conforme dados do IBGE) para R$ 3,143 trilhões em 2009.
No entanto, pelo cálculo de Borges, se forem confirmadas as projeções do boletim Focus divulgado na última terça-feira, de contração de 0,16% e IPCA de 4,30%, o PIB de 2009 será de R$ 3,005 trilhões.
Custo per capita
De acordo com o economista-chefe da LCA, se essa perda de R$ 138 bilhões for dividida pela população do Brasil (191,7 milhões de pessoas), chega-se à conclusão de que cada brasileiro deixou de ganhar em média R$ 719 por causa da crise.
"Foi o custo per capita da crise", diz Borges.
Também a pedido da BBC Brasil, o economista Claudio Considera, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), calculou a variação do PIB com base nas previsões dos dois relatórios, mas usando como deflator (inflação a ser descontada) o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) em vez do IPCA.
Como a previsão do Focus desta semana para o IGP-M é de deflação de 0,74%, Considera fez o cálculo com base em previsão de crescimento zero e deflator zero.
O economista chegou à conclusão de que o país terá deixado de gerar R$ 104 bilhões em 2009, a diferença entre um PIB de R$ 2,993 trilhões (caso crescesse os 3,6% previstos pelo mercado antes do agravamento da crise) e a estagnação em R$ 2,889 trilhões, caso se confirme a previsão de crescimento zero.
Segundo trimestre
As previsões para a evolução da economia neste ano ainda podem mudar e foram feitas antes da divulgação pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) dos resultados do PIB no segundo trimestre, nesta sexta-feira.
No entanto, os economistas ouvidos pela BBC Brasil afirmam que, apesar da perspectiva de frustração no crescimento, o resultado ainda é bem melhor do que o esperado no auge da crise.
"É um resultado menos ruim do que todos imaginavam", diz Considera, que foi secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda de 1999 a 2002, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
"No auge da crise, houve quem projetasse queda de 4,5% do PIB", diz Borges. "Neste sentido, a economia brasileira até se saiu bem perto da média mundial. Enquanto nós, na LCA, projetamos que o PIB Brasileiro vá crescer 0,3% em 2009, o PIB mundial deve recuar 1,5%."
Produção industrial
A comparação do Focus de 12 de setembro de 2008 com o desta semana revela também uma queda acentuada nas estimativas de produção industrial.
Na pesquisa do ano passado, a previsão era de crescimento de 4,2% para 2009. O último relatório prevê queda de 7,35% na produção industrial deste ano.
"A indústria foi o setor que mais sofreu com a crise", diz o economista Bernardo Wjuniski, da Tendências Consultoria.
Wjuniski prevê que, depois de dois trimestres consecutivos de queda (em relação ao trimestre anterior), o PIB brasileiro vai voltar a crescer, puxado principalmente pela indústria.
No entanto, segundo o economista da Tendências, a produção industrial só deverá voltar ao patamar pré-crise no fim de 2010.
Pontos positivos
A previsão da LCA é mais otimista, de volta ao nível pré-crise já no início do próximo ano.
Os economistas citam dois pontos positivos em meio à crise, na comparação entre os dois boletins Focus.
Além da previsão de inflação medida pelo IPCA (que serve de base para as metas inflacionárias do governo), que passou de 4,99% para 4,30%, as projeções para a taxa básica de juros (Selic) passaram de 13,75% ao ano para 8,75% ao ano.
"A redução da atividade permitiu permitiu que a inflação entrasse num cenário mais benigno. O mesmo ocorreu com a Selic", diz Wjuniski.

Fonte:NetMarinha

11.09.09 - fri

A crise e a competitividade

 Ruim para todos, a crise está afetando mais a competitividade de alguns países do que de outros. Os Estados Unidos, epicentro da pior crise econômica global desde o fim da 2ª Guerra, perderam para a Suíça a liderança na classificação dos países mais competitivos do mundo. O Brasil, menos afetado pelos problemas financeiros globais do que as economias industrializadas, conseguiu um notável avanço de oito posições no ranking de 2009 que acaba de ser divulgado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) e hoje ocupa a 56ª posição entre 133 países.
O relatório do WEF observa que, graças às mudanças ocorridas no País a partir da década passada no rumo de uma política fiscal mais confiável e sustentável e também graças às medidas de liberação e abertura do mercado, que resultaram num ambiente mais favorável para o desenvolvimento, o Brasil conseguiu melhorar sensivelmente sua competitividade. Já está na metade de cima da tabela de classificação dos países analisados pelo WEF, que utilizou dados macroeconômicos conhecidos e entrevistou 13 mil executivos de empresas em 133 países. Pela primeira vez, o Brasil ficou na frente do México e também da Rússia - que, com o Brasil, a Índia e a China, forma o Bric -, que perdeu 12 posições.
Entre os principais fatores que tornam o Brasil mais competitivo, o relatório cita o amplo e crescente mercado interno de consumo, um dos mais desenvolvidos sistemas financeiros da região, o diversificado e sofisticado setor de negócios e o potencial para a inovação. A existência de grandes empresas brasileiras que estenderam suas atividades para outros países, chamadas pelo WEF de "multilatinas", também foi citada no relatório como demonstração do potencial e da competitividade da economia do País, pois essa expansão no exterior resulta, sobretudo, de uma tecnologia e de uma organização empresarial superiores.
O relatório ressalta, porém, que o Brasil ainda tem muitas carências que limitam sua competitividade e sua capacidade de combater a pobreza e a desigualdade de renda. Apesar de melhoras observadas nos últimos anos, o Brasil ainda ocupa as últimas classificações no que se refere a ambiente institucional, estabilidade macroeconômica, flexibilidade do mercado de trabalho, qualidade do ensino e saúde.
Neste ano, o relatório do WEF apresenta também uma pesquisa com alguns dos principais economistas do mundo, aos quais se perguntou como viam o impacto da crise sobre a competitividade de um grupo de 37 países considerados os mais importantes de todos os analisados. De acordo com a pesquisa, apenas 5 desses países poderão ter algum benefício com a crise, e o que mais se beneficiará é o Brasil - os demais são China, Índia (também integrantes do Bric), Austrália e Canadá.
Apesar das boas perspectivas para os Brics (exceto a Rússia), o WEF destaca que os governos desses países não podem esquecer que há vários desafios pela frente, como o aperfeiçoamento das instituições que asseguram o ambiente melhor para a produção e para os investimentos, a modernização da infraestrutura e a melhora da qualidade dos sistemas educacional e de saúde. As perspectivas relativamente melhores para esses países do que para o resto do mundo não devem alimentar a complacência de seus governos com relação às reformas, mas estimulá-los a fazer aquelas necessárias para dinamizar seu enorme potencial de competição. Trata-se de conselho que vem a calhar para o governo brasileiro, que abandonou o ímpeto reformista.
Quanto aos EUA, o relatório lembra que, embora o país tenha perdido a liderança mundial em matéria de competitividade, continuam tendo uma economia altamente sofisticada, contam com empresas inovadoras que impulsionam a modernização, dispõem de um excelente sistema de ensino universitário e têm um mercado interno que é, de longe, o maior do mundo.
No atual ambiente econômico, cheio de desafios, o relatório, diz o WEF, tem o mérito de mostrar que consequências podem ter para o crescimento futuro as ações que os governos estão adotando no presente.

Fonte:NetMarinha
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