28.09.09 - mon

Relatório do BC alerta para aumento da inflação em 2010

O déficit em conta corrente deste ano deve chegar a US$ 18 bilhões, US$ 3 bilhões a mais do que estimava o Banco Central no Relatório de Inflação de junho. Para 2010, foi mantida a estimativa de déficit de US$ 29 bilhões. O aumento do déficit este ano decorre da reavaliação que o BC fez em todo o balanço de pagamentos: o superávit da balança comercial, segundo as novas projeções, subiu para US$ 27 bilhões, US$ 7 bilhões acima da previsão anterior, e o déficit na conta de serviços e rendas foi para US$ 48 bilhões, US$ 10 bilhões acima da projeção anterior.
O BC dá duas explicações para a acentuada elevação no déficit de serviços e rendas: os gastos com viagens internacionais subiram de US$ 3 bilhões para US$ 4,5 bilhões, principalmente por causa da valorização do real, e as despesas líquidas com aluguel de equipamentos no exterior foram para US$ 9 bilhões, considerados os contratos.
Segundo os dados das contas externas do relatório de inflação de setembro, divulgado na sexta-feira, as remessas líquidas de lucros e dividendos também devem crescer bastante em 2009, de US$ 17 bilhões para US$ 22,3 bilhões, por causa da valorização cambial.
O BC estima queda importante, de US$ 8 bilhões, no saldo comercial em 2010, que ficaria em US$ 19 bilhões. As exportações cresceriam 9,9%, mas as importações aumentariam 18,4% no próximo ano, com um crescimento de quase o dobro do que as exportações.
O superávit da conta financeira do balanço de pagamentos, antes estimado em US$ 28 bilhões, foi, agora, reavaliado para US$ 44,1 bilhões, como decorrência da forte recuperação da Bovespa. A projeção de ingressos líquidos de investimentos em carteira saltou de US$ 3 bilhões para US$ 22 bilhões.
O Banco Central antevê, no lado interno da economia, uma significativa deterioração da inflação em 2010, ao incorporar o "impulso fiscal" dado pelo governo este ano, em parte para fazer frente à crise financeira global. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - conforme as novas projeções feitas com um modelo ajustado para captar o efeito do aumento do gasto público - é de 4,4% para o próximo ano, maior que os 3,9% previstos no relatório de junho, praticamente sem nenhuma folga em relação à meta de 4,5% para o período.
Para 2009, é menor o impacto tanto do alívio monetário (com a queda de 5 pontos percentuais da taxa Selic) quanto fiscal, dado pela redução da meta de superávit primário de todo setor para até 1,56% do PIB (e não mais 2,5%). Para este ano a projeção de inflação subiu de 4,1% para 4,2%.
A trajetória concebida no relatório é de que o IPCA encerre este ano em 4,2%, caia para 3,6% no segundo trimestre de 2010, e a partir daí assuma uma curva crescente encerrando o ano em 4,4%. Em 2011, a inflação iria para 4,6% nos dois primeiros trimestres, recuando para 4,5% no terceiro trimestre, onde estacionaria.
Está feito, assim, o alerta para um possível aumento a taxa de juros básica em 2010 - ano das eleições presidenciais - muito provavelmente antes que o IPCA aumente. "Cabe registrar que a elevação da projeção de inflação no segundo semestre de 2010 e no primeiro de 2011 em parte se deve aos impulsos fiscais esperados para o segundo semestre de 2009 e o primeiro de 2010, que vêm contribuindo para acelerar a retomada da atividade", indica o relatório.
A inflação cairia no terceiro trimestre de 2011 se for eliminada parte dos "estímulos fiscais" .

Fonte:NetMarinha
25.09.09 - fri

Bradesco pretende captar recursos com a nova debênture para bancos

 O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, disse ontem que o banco pretende emitir a nota bancária de crédito, papel de captação para bancos semelhante a uma debênture e que está sendo estudada pelo governo para aumentar as fontes de recursos de longo prazo. "Esse é um instrumento que estará voltado preferencialmente para o alongamento do prazo das captações. O sistema bancário de modo geral tem muitos instrumentos, mas via de regra eles sempre estão no curto prazo", disse.
Perguntado se o banco teria interesse em fazer emissões dessas notas, ele disse que seguramente fará e que há muita demanda por papéis de longo prazo. "Os investidores institucionais estão muito capitalizados. A poupança previdenciária tem crescido muito no Brasil e esses instrumentos de prazo maior são muito positivos".
Conforme informou o Valor ontem, a nota bancária de crédito será criada para oferecer às instituições financeiras uma alternativa de captação com prazo de até cinco anos, já que elas não podem emitir debênture. A preocupação é que o rápido crescimento do crédito nos últimos anos não foi acompanhado por um alongamento dos passivos (as fontes de recursos). Assim, há um descasamento entre as captações com liquidez diária, como os Certificados de Depósito Bancário (CDB), e os créditos longos, como financiamento de veículos.
Os bancos vêm usando as captações externas como alternativa, mas com a crise essa opção se tornou muito cara. Os grandes já retomaram esse essas operações, mas não na mesma velocidade. O próprio Bradesco fechou nesta semana uma captação externa de dívida subordinada de R$ 750 milhões.
Outro ponto que motivaria essas captações, disse Trabuco, é a esperada retomada dos empréstimos bancários com força no próximo ano. O crescimento do segundo trimestre já surpreendeu o Bradesco e levou o banco a rever para cima a expectativa de expansão da sua carteira de empréstimos para os próximos doze meses.
Na divulgação do balanço semestral, a instituição havia reduzido a previsão de expansão de uma faixa entre 13% a 17% para um intervalo entre 8% e 12%. Agora, a expectativa é que até junho de 2010 a expansão fique em 15%. "O crescimento de 1,9% na economia no segundo trimestre sinaliza um crescimento anualizado de 6%. Com essa velocidade, seguramente o crédito pode crescer cerca de 15%."
Outro dado positivo para o banco é que, depois de crescer desde dezembro, o índice de inadimplência observado nas carteiras de crédito do Bradesco estabilizou neste mês em relação a agosto e deve começar a cair a partir de agora, disse o vice-presidente de relações com investidores do banco, Domingos Figueiredo de Abreu. Segundo ele, o movimento vem sendo acompanhado pela aceleração da demanda por novos empréstimos tanto no segmento de pessoa física quanto jurídica.
O executivo, que na quarta-feira à noite fez uma apresentação para a seção gaúcha da Apimec, não vê riscos de superendividamento dos clientes em função da expansão do mercado de crédito e das perspectivas de ações agressivas de bancos como o Santander, que aumentará o poder de fogo a partir de uma oferta de ações no país. "Entre 75% e 80% do crescimento vem de novos tomadores, graças ao desempenho da economia e à elevação da renda da população", explicou.

Fonte:NetMarinha
25.09.09 - fri

Bradesco pretende captar recursos com a nova debênture para bancos

 O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, disse ontem que o banco pretende emitir a nota bancária de crédito, papel de captação para bancos semelhante a uma debênture e que está sendo estudada pelo governo para aumentar as fontes de recursos de longo prazo. "Esse é um instrumento que estará voltado preferencialmente para o alongamento do prazo das captações. O sistema bancário de modo geral tem muitos instrumentos, mas via de regra eles sempre estão no curto prazo", disse.
Perguntado se o banco teria interesse em fazer emissões dessas notas, ele disse que seguramente fará e que há muita demanda por papéis de longo prazo. "Os investidores institucionais estão muito capitalizados. A poupança previdenciária tem crescido muito no Brasil e esses instrumentos de prazo maior são muito positivos".
Conforme informou o Valor ontem, a nota bancária de crédito será criada para oferecer às instituições financeiras uma alternativa de captação com prazo de até cinco anos, já que elas não podem emitir debênture. A preocupação é que o rápido crescimento do crédito nos últimos anos não foi acompanhado por um alongamento dos passivos (as fontes de recursos). Assim, há um descasamento entre as captações com liquidez diária, como os Certificados de Depósito Bancário (CDB), e os créditos longos, como financiamento de veículos.
Os bancos vêm usando as captações externas como alternativa, mas com a crise essa opção se tornou muito cara. Os grandes já retomaram esse essas operações, mas não na mesma velocidade. O próprio Bradesco fechou nesta semana uma captação externa de dívida subordinada de R$ 750 milhões.
Outro ponto que motivaria essas captações, disse Trabuco, é a esperada retomada dos empréstimos bancários com força no próximo ano. O crescimento do segundo trimestre já surpreendeu o Bradesco e levou o banco a rever para cima a expectativa de expansão da sua carteira de empréstimos para os próximos doze meses.
Na divulgação do balanço semestral, a instituição havia reduzido a previsão de expansão de uma faixa entre 13% a 17% para um intervalo entre 8% e 12%. Agora, a expectativa é que até junho de 2010 a expansão fique em 15%. "O crescimento de 1,9% na economia no segundo trimestre sinaliza um crescimento anualizado de 6%. Com essa velocidade, seguramente o crédito pode crescer cerca de 15%."
Outro dado positivo para o banco é que, depois de crescer desde dezembro, o índice de inadimplência observado nas carteiras de crédito do Bradesco estabilizou neste mês em relação a agosto e deve começar a cair a partir de agora, disse o vice-presidente de relações com investidores do banco, Domingos Figueiredo de Abreu. Segundo ele, o movimento vem sendo acompanhado pela aceleração da demanda por novos empréstimos tanto no segmento de pessoa física quanto jurídica.
O executivo, que na quarta-feira à noite fez uma apresentação para a seção gaúcha da Apimec, não vê riscos de superendividamento dos clientes em função da expansão do mercado de crédito e das perspectivas de ações agressivas de bancos como o Santander, que aumentará o poder de fogo a partir de uma oferta de ações no país. "Entre 75% e 80% do crescimento vem de novos tomadores, graças ao desempenho da economia e à elevação da renda da população", explicou.

Fonte:NetMarinha
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