22.06.10 - tue

Capitalizações reforçam previsão de que real seguirá fortalecido

É notório que um dos elementos que limitaram os efeitos adversos da crise financeira global sobre a economia brasileira -permitindo que a atividade econômica aqui começasse a se recuperar já no 2º trimestre de 2009, de forma mais precoce do que na maioria das grandes economias- foi o fato de que os bancos públicos continuaram a expandir a sua oferta de crédito.
Isso contrastou com a atitude dos bancos privados: temerosos de que haveria uma recessão forte e prolongada, que provocaria sensível aumento da inadimplência tanto de consumidores como de empresas, eles adotaram grande cautela na concessão de crédito.
Não cabe dúvida de que os bancos públicos incorreram em riscos significativos, porque, a despeito da sua atuação, a incerteza global poderia preponderar, sufocando a atividade produtiva.
Tampouco cabe dúvida de que os bancos privados sofreram com a redução da sua participação no mercado de crédito -mas eles também se beneficiaram do fato de que a reativação da economia impediu uma deterioração generalizada da qualidade das carteiras de crédito dos bancos no país.
Passada a situação de emergência, o Banco do Brasil deixa claro que pretende continuar a expandir de forma agressiva as suas operações de crédito.
A capitalização é necessária para tanto, uma vez que a relação entre o patrimônio do banco e o total de ativos por ele detido já se aproxima do limite prudencial definido pelo Banco Central (que é de 11% -percentual maior e, portanto, mais cauteloso, do que o padrão internacional de 8% definido pelo Acordo da Basileia).
E essa operação se soma a outra, bem maior, da Petrobras. Um dos efeitos que se teme é o de que essas operações possam provocar é um estreitamento do espaço para emissões de ações por outras empresas.
Outro é um possível reforço das pressões de apreciação do real -já que as operações deverão redundar em grandes entradas de capitais.
Com relação a esse segundo aspecto, a avaliação da LCA é a de que a melhora de percepção de risco do Brasil e o crescente diferencial de juros, entre outros fatores, já têm se revelado suficientes para impedir que os repiques na cotação do dólar se revelem sustentáveis.
As operações de capitalização apenas reforçam a perspectiva de que o dólar feche o ano abaixo de R$ 1,80.
21.06.10 - mon

Cimento: SC receberá fábrica da Votorantim

A Votorantim Cimentos confirmou a construção de uma nova moagem em Imbituba, no Sul de Santa Catarina. O aporte de R$ 86,6 milhões faz parte de um programa de ampliação da produção anunciado pela companhia em abril deste ano. Até 2012, serão R$ 5 bilhões em investimentos para 22 novas fábricas. A unidade de Imbituba terá capacidade para produzir 1,2 milhão de toneladas de cimento por ano e deverá entrar em operação em meados de 2011.
Segundo o prefeito do município, Beto Martins (PSDB), a Votorantim avalia dois terrenos na área urbana da cidade. As obras devem começar neste segundo semestre e duram dez meses. O governo do Estado deve enquadrar a nova unidade da Votorantim no programa Pró-Emprego. O incentivo prevê postergação do pagamento de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
A fase de construção do empreendimento vai gerar cerca de 300 empregos. Quando entrar em operação, serão 180 trabalhadores. Também em 2011, a Votorantim pretende colocar em operação a fábrica de Vidal Ramos. Com aportes estimados em R$ 360 milhões, vai gerar 600 empregos diretos e indiretos, produzindo 1,3 milhão de toneladas de cimento/ano.
Além das unidades em Santa Catarina, a Votorantim está em fase de construção de uma fábrica em Sepetiba (RJ), Salto (SP) e Baraúna (RN). Com a ampliação, a empresa quer se antecipar à demanda da construção civil no país. A estratégia é trabalhar com capacidade ociosa para atender à sazonalidade do setor, demanda em grandes obras de infraestrutura, construções industriais, alto consumo no varejo e evolução no segmento de moradia popular.
A decisão de implementar as fábricas em Santa Catarina reflete a estratégia do grupo de regionalizar e descentralizar o atendimento. O mercado nacional de cimento deverá crescer 18% este ano sobre 2009. De janeiro a maio deste ano, as vendas de cimento totalizaram 23 milhões de toneladas, alta 16,4% sobre o mesmo período de 2009, segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic). Em doze meses até maio de 2010, o crescimento foi de 6,5%, para 54,5 milhões de toneladas.
21.06.10 - mon

Mercado de dívida privada dá sinais de recuperação na Europa

Os mercados de bônus empresariais europeus mostraram um ressurgimento repentino das atividades, recuperação bem-vinda para os banqueiros de renda fixa, que já começavam a temer continuidade da inércia durante o próximo trimestre.
Maio e junho normalmente são os meses de maior movimento nos mercados de bônus, já que as empresas correm para conseguir financiamento antes da temporada de férias no Hemisfério Norte. A crise das dívidas soberanas deste ano, no entanto, obrigou muitas empresas a engavetar esses planos.
O mês passado foi o pior na história em emissões de bônus denominados em euros por empresas com grau de investimento.
Os bancos, que segundo especialistas deverão ser os maiores emissores neste ano, também foram atingidos pelas turbulências do mercado.
Nos últimos dias, contudo, o humor mudou. Colocações de bônus da Alstom, American Movil, RTE (operadora da rede de eletricidade na França) e da RCI (braço financeiro da Renault) levaram o total de emissões nesta semana para o maior patamar desde meados de março, segundo Suki Mann, estrategista de crédito do Société Générale.
Nesta semana, até agora, as empresas levantaram US$ 4,2 bilhões em bônus denominados em euros. Bancos como o Deutsche Bank e Standard Chartered também entraram em ação. Ontem, venderam os primeiros bônus subordinados de instituições do setor financeiro desde abril.
"As companhias começam a perceber que é improvável o mercado ficar muito melhor do que isso por algum tempo", afirmou Frazer Ross, diretor-gerente de risco global de operações sindicalizadas no Deutsche Bank. "Se você avaliar os desafios lá fora neste momento, [perceberá que] nenhum deles irá embora rapidamente. Haverá janelas em que as empresas poderão emitir e elas deverão usar essas janelas."
Os receios quanto à falta de oferta, entretanto, continuam. "As novas emissões vêm aos poucos, a liquidez do mercado secundário é fraca, há pouco fluxo e detectamos uma má vontade geral de envolver-se no mercado secundário: o verão [setentrional] chegou mais cedo em 2010", ressaltou Mann.
Embora alguns executivos de bancos digam esperar que os emissores de bônus "junk", com piores classificações de crédito, voltem ao mercado em breve, a demanda continua restrita às empresas mais fortes.
"O mercado de fato estava fechada por causa do pânico e volatilidade, mas o pânico é um estado temporário por natureza", afirmou Adam Cordery, chefe de estratégias de crédito do Schroders. "Não houve más notícias, o pânico diminuiu e, com a queda nos índices de inadimplência, os investidores estão se sentindo mais confortáveis com os bônus empresariais e as emissões. Por enquanto, os mercados ainda provavelmente estão fechados para as empresas mais fracas."
Ironicamente, para algumas das empresas mais fortes, tanto na Europa como nos Estados Unidos, os mercados de bônus nunca foram uma fonte tão barata de dinheiro, apesar das turbulências das últimas semanas. A RTE, por exemplo, conseguiu taxa de cupom de 3,785% em seus bônus de 12 anos, a menor para esse tipo de lançamento na Europa, segundo executivos de bancos.
Isso porque a fuga para investimentos de maior qualidade, decorrente da crise das dívidas na região do euro, reduziu a taxa de papéis considerados com risco zero, em relação à qual os bônus empresariais baseiam seus preços. A baixa inflação também mantém as taxas de rendimento baixas.
Além disso, a margem que as empresas vêm pagando em relação à taxa de risco zero está caindo. O índice Markit iTraxx - termômetro do sentimento do mercado em relação aos títulos de dívidas empresariais - caiu de um pico de 647 pontos-base, em maio, para 552 pontos-base ontem.
Outro motor do recente ressurgimento das emissões é a demanda dos investidores, reanimada pelo relativo desempenho superior dos bônus empresariais em relação aos governamentais ou às ações neste ano.
"Houve um voo para a qualidade que ajudou a reduzir a taxas de swap do euro de cinco anos, em relação à qual as empresas baseiam o preço de seus bônus", diz Jean-Marc Mercier, chefe de operações sindicalizadas do HSBC na Europa. "Isso significa que os custos totais estão em mínimos históricos. Algumas [empresas] estavam planejando emitir no segundo semestre, mas com os rendimentos absolutos tão baixos, algumas anteciparam seus planos."
As empresas, entretanto, não estão se apressando em emitir. Muitas aproveitaram a onda sem precedentes dos mercados de crédito no ano passado para lançar bônus. Agora, mesmo com o financiamento estando relativamente barato, o custo de mantê-lo sem usá-lo - conhecido como custo de carregamento - não está.
"Se você não precisa de financiamento, o custo de carregamento é caro", afirmou Frederic Zorzi, cochefe de operações sindicalizadas mundiais, no BNP Paribas. "Uma alternativa é fazer a gestão do passivo."
É exatamente o que a British American Tobacoo vem fazendo, ao recomprar seus bônus antigos para poder emitir novos bônus e aproveitar os baixos rendimentos para ampliar o vencimento de suas dívidas e reduzir o custo de carregamento.
Nem tudo, no entanto, está ensolarado no mercado de bônus empresariais. "O que me preocupa é o excesso de retorno", diz Luke Spajic, chefe de crédito, na Pimco Europe.
"Os investidores tiveram um mês seco em maio e é improvável que recuperem essas perdas rapidamente. Como resultado, os investidores pedirão às empresas um maior prêmio de risco nos bônus." Cordery, do Schroders, prevê que o retorno dos bônus de empresas superará o dos governamentais nos próximos 12 meses. Foi o renascimento dos mercados de bônus "junk" no ano passado que ajudou a reduzir as expectativas sobre os índices de inadimplência. A recente lentidão nesse segmento, contudo, levou a agência de rating S&P a alertar que as empresas com classificação "junk" deparam-se com um "muro de refinanciamento".
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