24.06.10 - thu

Aviação: Companhias vão aumentar investimento em tecnologia

Um passageiro chega num aeroporto, vai a um terminal, emite seu bilhete e também a etiqueta de identificação de bagagem. Sozinho, leva mala até a esteira, onde a despacha. Em seguida, próximo ao balcão de embarque, em outro terminal automático, com leitura biométrica, coloca seu documento de identidade sob um leitor a laser, que solicita seu cartão de embarque e pede que ele coloque seu dedo em um leitor de digitais.
Se tudo estiver certo, o portão abrirá automaticamente e o passageiro embarca no avião. Não é filme de ficção, os produtos já estão disponíveis e companhias aéreas estão dispostas a investir nessa tecnologia para tornar o processo mais rápido e econômico, já que demandará menos pessoal.
Segundo pesquisa divulgada ontem pela Sita, empresa de soluções tecnológicas para o transporte aéreo e pela consultoria Forrester Reasearch, 56% das empresas planejam aumentar seus investimentos em tecnologia e 34% vão mantê-los. Só em 2009, 47% aumentaram a contratação no setor de TI. A maioria, 82%, tem como objetivo prioritário do investimento reduzir custos.
Dados da pesquisa mostram que 1,8% do faturamento do setor em 2010 será reinvestido em tecnologia. Em 2009, esse investimento esteve em torno de 1,6%.
Além de cortar custos, a idéia é reduzir a dependência dos GDS - empresas que intermedeiam a venda de passagens entre as agências de viagens e as companhias aéreas. Hoje, as vendas via GDS são de 50,4%, contra 25,8% nos sites e 10,7% diretamente nas companhias. A meta é que as venda nas agências caia para 41,4% em 2013 e suba para 37,9% nos sites.
O desafio, no entanto, é grande. Isso porque, lembra Henry Harteveldt, vice-presidente da Forrester Reasearch, todas as tecnologias costumam falar linguagens diferentes. "É um mundo onde o caos costuma reinar", afirma. Softwares de celulares são diferentes entre si e dos usados nos sistemas desenvolvidos pelas companhias aéreas para gerenciar seus dados. Há uma tendência de convergência, mas também demanda investimento.
A Sita apresentou ontem no Air Transport IT Summit, em Bruxelas, novas tecnologias que está desenvolvendo e oferecendo às companhias aéreas. O terminal biométrico identifica o passageiro de várias formas, pelo seu número de reserva, cartão de crédito, de milhagem, passaporte ou digital. Ele pode operar para uma única companhia ou para várias simultaneamente.
O mais novo produto disponível no aeroporto das Bermudas e em teste em Orlando, nos EUA, e Copenhague, na Dinamarca, é o totem para comunicar a perda de bagagem. O passageiro fornece identificação, seleciona o tipo de bagagem e cadastra e-mail e celular. Quando a bagagem for localizada, recebe um aviso com a data de entrega. "A eficiência da localização, no entanto, não depende do sistema e sim do serviço da empresa aérea", diz Nick Gates, diretor de Soluções para Aeroportos da Sita.
23.06.10 - wed

Brasil é próxima potência mundial, afirma bilionário

O americano Sam Zell, do grupo Equity International, está no país até amanhã em busca de novos negócios. "Prefiro investir em um país quente", diz Zell, que já tem participações em brasileiras como Gafisa e BR Malls
O bilionário americano Sam Zell, 68, está no Brasil, hoje e amanhã, para expandir os investimentos do grupo Equity International no país que considera a próxima "potência mundial".
"O quanto vamos investir depende das oportunidades. Até hoje, nenhuma foi maior do que o nosso apetite por capital", afirmou Zell à Folha, por telefone, de Chicago.
O grupo de private equity já tem participações em cinco empresas brasileiras, entre elas a Gafisa e a BR Malls, que tem atualmente 35 shoppings em seu portfólio.
Entusiasta do Brasil, Zell atribui ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o reconhecimento do país como "uma das oportunidades mais atraentes do mundo".
O empresário americano minimiza o risco de superaquecimento da economia brasileira. "O país vai muito bem. Prefiro investir em um país quente demais a investir em um país frio", diz.
"Começamos a estudar o Brasil há quase 12 anos. Desde então, houve o reconhecimento [no exterior] da estabilidade fiscal do país", elogia.
""O Brasil elevou as taxas de juros antes de outros países, evitando a hiperinflação que o infestou no passado."
Para o americano, "o Brasil sempre foi reconhecido como tendo enormes recursos e oportunidades, mas, no passado, não soube tirar vantagem disso".
""Nos últimos oito, nove anos, tem havido um novo nível de disciplina, fazendo dele uma das oportunidades mais atraentes no mundo. O presidente Lula focou no crescimento enquanto manteve a disciplina fiscal, para evitar a hiperinflação."
Zell diz achar que, hoje, ""há menos obstáculos para investir no país". "O Brasil está se transformando de um país em desenvolvimento em um país desenvolvido."A eleição tampouco o preocupa -os dois principais candidatos à Presidência, diz, manterão a política econômica atual.

Conselhos


Ele dá dois conselhos para que o país continue no caminho para se tornar uma potência com liderança mundial: ""Manter a disciplina fiscal e continuar a desenvolver os seus recursos e a construir infraestrutura, facilitando os investimentos".
Apesar de o principal foco da sua empresa ser no setor imobiliário, Zell afirma não descartar nenhuma área. Mas, ao final da entrevista, o empresário responde com um rápido ""não" quando questionado se investiria na mídia brasileira.
Uma das grandes polêmicas que assombram sua carreira é a aquisição da Tribune Company, em 2007. No ano seguinte, o grupo, que publica o ""Los Angeles Times" e o ""Chicago Tribune", entre outros veículos, pediu falência.
Com o processo ainda em andamento, Zell recusa-se a comentar o assunto. Questionado se arrepende-se de ter investido em mídia nos EUA, diz apenas: ""Não tenho arrependimento nenhum".
22.06.10 - tue

BB sai em busca de investidor no mercado

Atuais acionistas têm preferência para reservar novas ações, cujo prazo para oferta primária termina amanhã. Oferta secundária, para qualquer investidor, vai até o dia 29; papel pode ser boa opção no médio prazo, afirma analista
Termina amanhã o período de reserva para a participação da oferta primária de ações do BB (Banco do Brasil), na qual os atuais acionistas têm preferência. Já a inscrição para a oferta secundária, aberta a qualquer investidor, vai até o dia 29.
Serão oferecidos 286 milhões de ações na oferta primária e outras 70.849.660 na secundária, que prevê também a possibilidade de oferta de mais 39.150.340 de papéis num lote suplementar, caso haja demanda.
Considerando a cotação da ação do BB no fechamento de ontem (R$ 28,19), a operação pode movimentar até R$ 11,16 bilhões.
O preço que será cobrado na oferta, no entanto, só será definido no dia 30 e dependerá da demanda, além da cotação na Bovespa.
O pequeno investidor terá preferência na aquisição de 10% a 30% das ações vendidas na oferta secundária. Nesse caso, o investimento mínimo possível é de R$ 1.000, e o máximo, de R$ 300.000. Para o grande investidor, não há limite.
Da oferta primária apenas investidores que possuíam ações do BB no dia 24 de maio e ainda detêm papéis do banco podem participar. Apenas se não houver demanda suficiente por parte dos atuais acionistas os papéis da oferta primária serão disponibilizados para outros investidores.
Na oferta primária serão vendidas novas ações da instituição, com objetivo de capitalizar o banco.
Isso é necessário para o BB continuar expandindo sua oferta de crédito sem comprometer seu índice de Basileia -que mede a relação entre o capital de um banco e seu volume de empréstimos.
O banco tem 13,7% de exposição. Com a operação deve atingir 15%, embora o BC exija o mínimo de 11%.
Na secundária serão vendidas ações da União e do BNDESPar, para aumentar o número de ações em negociação na Bovespa, de 21,9% para 25%.
Essa é uma exigência que o BB deve cumprir por fazer parte do Novo Mercado, segmento da Bolsa que fixa regras de transparência e proteção aos minoritários.
O analista da Lopes Filho & Associados João Augusto Sales considera que o banco tem bons fundamentos e pode ser um bom investimento de médio prazo.
No entanto, ele diz que há sempre o risco de o banco sofrer ingerência política, servindo de ferramenta para políticas públicas que comprometam sua rentabilidade.
"Em 2008 isso aconteceu, e o banco aumentou a oferta de crédito na contramão dos bancos privados. Mas acabou sendo positivo para o BB porque a crise foi rápida."
Luiz Miguel Santacreu, da Austin Rating, lembra também que a direção do BB pode sofrer mudanças no próximo governo.
Ontem a ação do BB terminou com forte alta, de 3,56%.
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