03.08.10 - tue

Todas as atenções voltadas para o câmbio

Passada a decisão do Copom e divulgada a ata, o mercado de juros futuros parece que já sacramentou
Na sexta-feira, a estrutura a termo sugeria que o BC já fez o que tinha de ser feito, ou seja, a Selic deve seguir em 10,75%.
Dito isso, todas as atenções se voltam para o câmbio, que se encontra em uma situação no mínimo peculiar.
O comportamento da moeda em julho não deixa dúvida de que existe um limite de baixa na linha de R$ 1,75. Sinal disso é que, enquanto o Ibovespa subiu 10,80%, marcando seu melhor mês desde maio de 2009, o preço da moeda americana caiu, apenas, 2,66%, para R$ 1,756. O Dollar Index, que mede o comportamento do dólar ante uma cesta de moeda, cedeu 5,21%, já o euro subiu 6,65% no mês passado. Ou seja, o real ficou devendo.
As razões para essa parada são técnicas, pois os agentes não acreditam que exista muito espaço para o real se valorizar, e também menos racionais, como o discurso da Fazenda e do Banco Central, que insinuam frequentemente maiores intervenções no mercado. Basta lembrar do swap reverso, que não saiu na semana passada, mas pode sair agora em agosto, segundo operadores de mercado.
Olhando para frente, o mercado já lista uma série de fatores que podem levar o real a perder fôlego.
O Barclays enfileira a incerteza quanto ao ritmo de recuperação da economia global, a piora nas projeções para as contas externas, o alerta das autoridades brasileiras sobre atuações no câmbio, a proximidade das eleições e as posições técnicas de bancos e estrangeiros nos mercados à vista e futuro.
Na visão dos economistas do Barclays, tudo isso somado deve levar a taxa de câmbio para o território de R$ 1,85 a R$ 2,0 nos próximos meses.
De fato, existem argumentos para um repique de alta no preço da moeda americana, mas, conforme notou o gerente da mesa de câmbio do Banco Prosper, Jorge Knauer, a chave para a movimentação do dólar é mesmo a posição dos bancos e dos estrangeiros.
A questão aqui é que, enquanto esses agentes mantiverem essa "exposição" ao real, com bancos vendidos em US$ 13 bilhões no mercado à vista e os estrangeiros com cerca de US$ 7,6 bilhões em dólar futuro e cupom cambial, dificilmente a taxa subirá muito. Salvo algum evento imponderável, claro.
"Não vejo estresse enquanto essas posições não estiverem zeradas", diz Knauer.
O fato é que tanto bancos quanto estrangeiros devem lutar para defender essa posição pelo simples fato de que um repique de alta no preço do dólar significaria se não prejuízo, pelo menos desconforto para esses agentes.
Ainda de acordo com o especialista, se os estrangeiros começarem a zerar a posição comprada, assim como os bancos, aí sim abre-se espaço para um movimento de alta, com dólar indo buscar preços entre R$ 1,85 a R$ 1,90.
Ainda sobre as posições vendidas, o Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco divulgou uma nota com o seguinte título: "Desmistificando a posição vendida dos bancos". O estudo mostra que essa ampliação de posição à vista é resultado das compras além do fluxo realizadas pelo BC no mercado à vista. Mostra também que esse tipo de operação é rentável para as instituições e defende que esse tipo de posição não é uma aposta direcional dos bancos na apreciação do real, mas sim uma arbitragem de taxa de juros, que também não configura uma pressão efetiva na moeda, pois tal operação não carrega exposição cambial.
03.08.10 - tue

País registra quase 20% de vôos atrasados nesta terça

País registra quase 20% de vôos atrasados nesta terça
Entre os 340 vôos programados para o período, 65 estavam atrasados e outros 13 foram cancelados; movimento das aeronaves está se normalizando aos poucos
Levantamento da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) divulgado às 7 horas desta terça-feira, 3, mostra que o movimento das aeronaves está se normalizando no país, após um fim de semana problemático com registros de vários atrasos e cancelamentos.
Até as 7 horas de hoje, entre os 340 vôos programados para o período, 65 (19,1%) estavam atrasados em todo o país. Outros 13 (3,8%) foram cancelados. Entre os vôos com atrasos, os da companhia aérea Gol eram a maioria. Do total de 148 vôos da empresa previstos para esta manhã, 57 (38,5%) registraram atrasos de mais de meia hora. Outros 19 (7,4%) foram cancelados.
No Aeroporto Tom Jobim, no Rio, quatro vôos estavam atrasados de um total de 14 e dois foram cancelados. No Santos Dumont, também no Rio, entre os 13 vôos previstos, apenas um foi cancelado e não havia atrasos.
Em São Paulo, a situação estava bem melhor para os passageiros. Dos 19 vôos previstos no Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital, um foi cancelado e não havia registro de atrasos. Já no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, sete vôos, de um total de 22, estavam atrasados e um foi cancelado.
03.08.10 - tue

Mercosul elimina dupla tributação de importados de fora do bloco

Depois de seis anos de negociações, os países-membros do Mercosul aprovaram ontem um cronograma para eliminar a dupla cobrança da TEC (Tarifa Externa Comum).
O acordo é o principal avanço anunciado no primeiro dia da cúpula do bloco, na cidade argentina de San Juan. O encontro termina hoje com o encontro de presidentes.
O acordo evitará que os produtos importados de fora do Mercosul paguem duas vezes o mesmo tributo ao circularem no bloco. A medida será implementada em três fases (a partir de 2012).
Hoje, os itens que chegam pelo litoral do Brasil e acabam consumidos no Paraguai, por exemplo, têm de pagar a TEC no porto e também na aduana paraguaia.
Também foi anunciado um acordo de livre comércio com o Egito, que deve zerar em dez anos as tarifas de 97% dos produtos comercializados entre o país e o Mercosul. No ano passado, o Brasil exportou ao Egito quase US$ 1,5 bilhão.
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