News Archive: june - 2010

23.06.10 - wed

Brasil é próxima potência mundial, afirma bilionário

O americano Sam Zell, do grupo Equity International, está no país até amanhã em busca de novos negócios. "Prefiro investir em um país quente", diz Zell, que já tem participações em brasileiras como Gafisa e BR Malls
O bilionário americano Sam Zell, 68, está no Brasil, hoje e amanhã, para expandir os investimentos do grupo Equity International no país que considera a próxima "potência mundial".
"O quanto vamos investir depende das oportunidades. Até hoje, nenhuma foi maior do que o nosso apetite por capital", afirmou Zell à Folha, por telefone, de Chicago.
O grupo de private equity já tem participações em cinco empresas brasileiras, entre elas a Gafisa e a BR Malls, que tem atualmente 35 shoppings em seu portfólio.
Entusiasta do Brasil, Zell atribui ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o reconhecimento do país como "uma das oportunidades mais atraentes do mundo".
O empresário americano minimiza o risco de superaquecimento da economia brasileira. "O país vai muito bem. Prefiro investir em um país quente demais a investir em um país frio", diz.
"Começamos a estudar o Brasil há quase 12 anos. Desde então, houve o reconhecimento [no exterior] da estabilidade fiscal do país", elogia.
""O Brasil elevou as taxas de juros antes de outros países, evitando a hiperinflação que o infestou no passado."
Para o americano, "o Brasil sempre foi reconhecido como tendo enormes recursos e oportunidades, mas, no passado, não soube tirar vantagem disso".
""Nos últimos oito, nove anos, tem havido um novo nível de disciplina, fazendo dele uma das oportunidades mais atraentes no mundo. O presidente Lula focou no crescimento enquanto manteve a disciplina fiscal, para evitar a hiperinflação."
Zell diz achar que, hoje, ""há menos obstáculos para investir no país". "O Brasil está se transformando de um país em desenvolvimento em um país desenvolvido."A eleição tampouco o preocupa -os dois principais candidatos à Presidência, diz, manterão a política econômica atual.

Conselhos


Ele dá dois conselhos para que o país continue no caminho para se tornar uma potência com liderança mundial: ""Manter a disciplina fiscal e continuar a desenvolver os seus recursos e a construir infraestrutura, facilitando os investimentos".
Apesar de o principal foco da sua empresa ser no setor imobiliário, Zell afirma não descartar nenhuma área. Mas, ao final da entrevista, o empresário responde com um rápido ""não" quando questionado se investiria na mídia brasileira.
Uma das grandes polêmicas que assombram sua carreira é a aquisição da Tribune Company, em 2007. No ano seguinte, o grupo, que publica o ""Los Angeles Times" e o ""Chicago Tribune", entre outros veículos, pediu falência.
Com o processo ainda em andamento, Zell recusa-se a comentar o assunto. Questionado se arrepende-se de ter investido em mídia nos EUA, diz apenas: ""Não tenho arrependimento nenhum".
22.06.10 - tue

BB sai em busca de investidor no mercado

Atuais acionistas têm preferência para reservar novas ações, cujo prazo para oferta primária termina amanhã. Oferta secundária, para qualquer investidor, vai até o dia 29; papel pode ser boa opção no médio prazo, afirma analista
Termina amanhã o período de reserva para a participação da oferta primária de ações do BB (Banco do Brasil), na qual os atuais acionistas têm preferência. Já a inscrição para a oferta secundária, aberta a qualquer investidor, vai até o dia 29.
Serão oferecidos 286 milhões de ações na oferta primária e outras 70.849.660 na secundária, que prevê também a possibilidade de oferta de mais 39.150.340 de papéis num lote suplementar, caso haja demanda.
Considerando a cotação da ação do BB no fechamento de ontem (R$ 28,19), a operação pode movimentar até R$ 11,16 bilhões.
O preço que será cobrado na oferta, no entanto, só será definido no dia 30 e dependerá da demanda, além da cotação na Bovespa.
O pequeno investidor terá preferência na aquisição de 10% a 30% das ações vendidas na oferta secundária. Nesse caso, o investimento mínimo possível é de R$ 1.000, e o máximo, de R$ 300.000. Para o grande investidor, não há limite.
Da oferta primária apenas investidores que possuíam ações do BB no dia 24 de maio e ainda detêm papéis do banco podem participar. Apenas se não houver demanda suficiente por parte dos atuais acionistas os papéis da oferta primária serão disponibilizados para outros investidores.
Na oferta primária serão vendidas novas ações da instituição, com objetivo de capitalizar o banco.
Isso é necessário para o BB continuar expandindo sua oferta de crédito sem comprometer seu índice de Basileia -que mede a relação entre o capital de um banco e seu volume de empréstimos.
O banco tem 13,7% de exposição. Com a operação deve atingir 15%, embora o BC exija o mínimo de 11%.
Na secundária serão vendidas ações da União e do BNDESPar, para aumentar o número de ações em negociação na Bovespa, de 21,9% para 25%.
Essa é uma exigência que o BB deve cumprir por fazer parte do Novo Mercado, segmento da Bolsa que fixa regras de transparência e proteção aos minoritários.
O analista da Lopes Filho & Associados João Augusto Sales considera que o banco tem bons fundamentos e pode ser um bom investimento de médio prazo.
No entanto, ele diz que há sempre o risco de o banco sofrer ingerência política, servindo de ferramenta para políticas públicas que comprometam sua rentabilidade.
"Em 2008 isso aconteceu, e o banco aumentou a oferta de crédito na contramão dos bancos privados. Mas acabou sendo positivo para o BB porque a crise foi rápida."
Luiz Miguel Santacreu, da Austin Rating, lembra também que a direção do BB pode sofrer mudanças no próximo governo.
Ontem a ação do BB terminou com forte alta, de 3,56%.
22.06.10 - tue

Capitalizações reforçam previsão de que real seguirá fortalecido

É notório que um dos elementos que limitaram os efeitos adversos da crise financeira global sobre a economia brasileira -permitindo que a atividade econômica aqui começasse a se recuperar já no 2º trimestre de 2009, de forma mais precoce do que na maioria das grandes economias- foi o fato de que os bancos públicos continuaram a expandir a sua oferta de crédito.
Isso contrastou com a atitude dos bancos privados: temerosos de que haveria uma recessão forte e prolongada, que provocaria sensível aumento da inadimplência tanto de consumidores como de empresas, eles adotaram grande cautela na concessão de crédito.
Não cabe dúvida de que os bancos públicos incorreram em riscos significativos, porque, a despeito da sua atuação, a incerteza global poderia preponderar, sufocando a atividade produtiva.
Tampouco cabe dúvida de que os bancos privados sofreram com a redução da sua participação no mercado de crédito -mas eles também se beneficiaram do fato de que a reativação da economia impediu uma deterioração generalizada da qualidade das carteiras de crédito dos bancos no país.
Passada a situação de emergência, o Banco do Brasil deixa claro que pretende continuar a expandir de forma agressiva as suas operações de crédito.
A capitalização é necessária para tanto, uma vez que a relação entre o patrimônio do banco e o total de ativos por ele detido já se aproxima do limite prudencial definido pelo Banco Central (que é de 11% -percentual maior e, portanto, mais cauteloso, do que o padrão internacional de 8% definido pelo Acordo da Basileia).
E essa operação se soma a outra, bem maior, da Petrobras. Um dos efeitos que se teme é o de que essas operações possam provocar é um estreitamento do espaço para emissões de ações por outras empresas.
Outro é um possível reforço das pressões de apreciação do real -já que as operações deverão redundar em grandes entradas de capitais.
Com relação a esse segundo aspecto, a avaliação da LCA é a de que a melhora de percepção de risco do Brasil e o crescente diferencial de juros, entre outros fatores, já têm se revelado suficientes para impedir que os repiques na cotação do dólar se revelem sustentáveis.
As operações de capitalização apenas reforçam a perspectiva de que o dólar feche o ano abaixo de R$ 1,80.
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