News Archive: october - 2009

27.10.09 - tue

-Mesmo com IOF, mercado prevê queda do dólar

Uma pesquisa da Agência Estado com 20 instituições financeiras mostra que apenas uma alterou para cima a estimativa.
A cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% sobre o capital estrangeiro direcionado para bolsa de valores e renda fixa provocou mais polêmica do que efeito prático. Não bastasse o dólar ter voltado a cair depois do impacto inicial da medida, a maioria absoluta dos analistas de mercado financeiro não mudou suas projeções para a cotação da moeda americana para o fim deste ano e de 2010. Uma pesquisa da Agência Estado com 20 instituições financeiras mostra que apenas uma alterou para cima a estimativa. Houve até quem tenha revisado para baixo os números, apesar da taxação - como Bradesco e Bradesco Corretora.
"Não acreditamos na eficiência da medida para alterar os fluxos de capitais", disse o economista-chefe do Banco Santander e ex-diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman. "O câmbio vai continuar escorregando e pode chegar, no curto prazo, a R$ 1,60", completa o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. Depois de atingir R$ 1,74 na terça-feira, dia seguinte ao anúncio da nova regra, o dólar voltou a se desvalorizar ante o real. Sexta-feira, caiu 0,70%, e encerrou a semana valendo R$ 1,713.
O economista-chefe da Bradesco Corretora, Dalton Gardiman, lista três razões para justificar por que a cobrança do IOF não altera suas previsões. A primeira delas diz respeito às dúvidas sobre a efetividade, o que leva automaticamente para o segundo fator: a possibilidade de revogação. "Dado o efeito inicial, muitos se perguntam se o governo não voltará atrás."
Por fim, Gardiman lembrou que, nos dias de hoje, há muitas formais legais de o investidor driblar a restrição imposta pelo governo, conforme o Estado informou quinta-feira. Ele e sua equipe revisavam na sexta-feira as projeções para o valor da moeda americana. Para 2009, a cotação de R$ 1,70 foi mantida. Para 2010, porém, os R$ 2,00 seriam revistos para baixo.
O Bradesco também reduziu as estimativas para o câmbio. Para este ano, a taxa foi de R$ 1,80 para R$ 1,60. Para 2010, a previsão passou de R$ 1,75 para R$ 1,65. Os analistas da instituição atribuíram as mudanças, principalmente, ao comportamento das commodities (matérias-primas, com cotação no mercado internacional) exportadas pelo Brasil.
"Os preços de commodities, historicamente, ajudam a explicar a trajetória do real, ainda que nos últimos meses tenha ocorrido um descolamento entre eles, ou seja, o real apreciou mais do que os preços de commodities sugeririam", afirmaram, em relatório. "Mas, olhando para frente, ainda que a elasticidade histórica entre o real e as commodities tenha porventura tido alteração, persiste a máxima de que preços de commodities robustos fundamentam um real ainda apreciado." (Informações: Agência Estado/O Estado de S. Paulo).
 
fonte:netmarinha
27.10.09 - tue

Comex: Exportador mantém estratégia contra real forte

Apesar de não esperar alta do dólar, alguns deixam recursos lá fora; outros compram derivativos.
Os exportadores estão utilizando duas "armas" financeiras para reduzir a perda de rentabilidade provocada pela valorização do real: deixam seus dólares no exterior ou compram derivativos no mercado local.
O início da incidência de 2% do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) não deve mudar as estratégias, pois o mercado e os exportadores não acreditam que a medida vai alterar a tendência de queda do dólar. As saídas encontradas pelos exportadores estão em direções opostas. No primeiro caso, as empresas deixam seu dinheiro no exterior, em dólares.
Estimativas informais do mercado apontam que, no acumulado de 12 meses até setembro, os exportadores possuem US$ 16 bilhões lá fora. Essa é a diferença entre as exportações realizadas e o câmbio efetivamente contratado.
"É um represamento grande", disse o diretor da corretora NGO Câmbio, Sidnei Nehme. Esses recursos são uma garantia extra para o mercado de que o real vai seguir se valorizando, pois tem muito dinheiro ainda para entrar no País, e neutralizam os efeitos do IOF.
Analistas do mercado e fontes do governo, no entanto, não acreditam em um efeito brusco para o câmbio, porque o dinheiro dos exportadores deve entrar no País aos poucos, e o Banco Central (BC) segue comprando dólares no mercado.
Segundo José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), as empresas algumas vezes optam por deixar seus recursos no exterior para pagar insumos importados, ou são multinacionais que precisam fazer remessas de lucros para o exterior.
Já as companhias que deixam seus dólares no exterior esperando que a moeda americana se valorize em relação ao real podem estar fazendo mau negócio. Por exemplo, há companhias que deixaram de internalizar os seus recursos quando o dólar estava a R$ 1,90 e agora a moeda baixou para R$ 1,70.
A alternativa oposta é fazer hedge e ficar "vendido" em dólar, ou seja, garantir um preço em reais para a sua mercadoria. As empresas estão retomando lentamente as operações com derivativos mais ousados, após o trauma vivido na época da crise.
De acordo com um consultor do mercado, os bancos voltaram a oferecer opções de hedge com derivativo embutido, mas o risco é bem inferior àquele que provocou problemas financeiros significativos para Sadia, Aracruz ou Votorantim.
"Depois da crise, as empresas tinham orgulho de dizer que não fazem derivativos. Agora isso começou a mudar", disse Marcelo Maziero, diretor de derivativos do Itaú Unibanco.
Ele afirmou que, a partir do segundo semestre, as empresas começaram a procurar os bancos para derivativos, pois perceberam que a valorização do real veio para ficar e está cada vez mais difícil encaixar orçamentos que fizeram para 2010 com o dólar entre R$ 2 e R$ 2,10.
Segundo uma fonte do governo federal, os derivativos voltaram, mas não é um movimento coletivo, que represente um risco sistêmico. Os dados da Cetip - empresa que administra operações no chamado mercado de balcão organizado - ainda não apontam alta significativa nas operações de derivativos.
Em setembro, foram negociados US$ 211,8 bilhões em operações de derivativos na Cetip. O volume é superior aos R$ 200,5 bilhões de agosto e aos R$ 194,2 bilhões de julho, mas ainda está muito abaixo dos R$ 301,3 bilhões de setembro de 2009.
Segundo Eduardo Collor, da Ativa Corretora, as operações de derivativos tendem a voltar em cenários como o atual, em que não há sinais de mudança de tendência do câmbio, mas a crise ainda é recente e as empresas seguem traumatizadas.

fonte:revista global
27.10.09 - tue

FMI: A China será, em 15 meses, a segunda maior potência global

Fundo prevê que o país vai superar o Japão cinco anos antes do previsto.
Em algum momento dos próximos 15 meses, a China deverá ultrapassar o Japão e se tornar a segunda maior economia do mundo, no mais extraordinário processo de ascensão de um país na história da humanidade. A ultrapassagem ocorrerá pelo menos cinco anos antes do que se previa anteriormente e será acelerada pelo impacto da crise financeira que abalou o mundo a partir de setembro de 2008.
As previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o próximo ano colocam a China no segundo lugar do ranking de países por PIB (Produto Interno Bruto), com US$ 5,263 trilhões, acima dos US$ 5,187 trilhões do Japão.
Para alguns economistas, a troca de lugares só não ocorreu ainda em razão da persistente valorização do iene japonês, que infla o tamanho do PIB do país quando ele é convertido para o dólar. Na China, o yuan está no mesmo nível desde meados de 2008, o que limita o valor em dólar da economia.
A ascensão da China foi meteórica e levou a uma total transformação da ordem econômica existente na década passada, quando Estados Unidos, Europa e Japão tinham inquestionável ascendência na arena global. Também forçou a discussão sobre o redesenho de organizações multilaterais, como o FMI e o Banco Mundial, nas quais o poder de voto da China não reflete o tamanho de sua economia.
"O sistema internacional construído depois da Segunda Guerra Mundial será quase irreconhecível em 2025 por causa da ascensão dos países emergentes, da globalização da economia, da histórica transferência de riqueza e poder econômico do Ocidente para o Oriente e da crescente influência de atores não estatais", observa o documento "Global Trends 2025: A Transformed World", publicado pelo Conselho Nacional de Inteligência dos Estados Unidos em novembro.
A China está no centro das forças que estão moldando esse novo cenário. Há cinco anos, o país aparecia em sexto lugar no ranking dos maiores PIBs do mundo elaborado pelo FMI, atrás de Estados Unidos, Japão, Alemanha, Inglaterra e França. Desde então, começou uma rápida escalada, impulsionado por uma taxa média de crescimento anual de quase 11%.
Inglaterra e França já haviam sido deixadas para trás em 2006 e, no ano seguinte, foi a vez de a Alemanha abandonar o posto de terceira maior economia. O Japão está prestes a perder o lugar que ocupou nos últimos 40 anos, conquistado por seu espetacular crescimento no período pós-guerra.
Na avaliação de Stephen Green, economista-chefe do Standard Chartered para a China, o país provavelmente já tem o segundo maior PIB do mundo, já que 20% de sua economia está na informalidade e não aparece nas estatísticas oficiais.
Mas ele ressalta que o PIB per capita chinês continuará a ser muito inferior ao do japonês. "Isso é o que importa para a vida das pessoas e, nesse terreno, a China ainda é muito pobre", observa.
No próximo ano, de acordo com o FMI, o PIB per capita do país será de US$ 3,9 mil, um décimo dos US$ 40,7 mil previstos para o Japão. Nesse quesito, a China também está bem atrás do Brasil, que deverá alcançar US$ 8,9 mil em 2010.
ZONA RURAL
Essa é outra particularidade do processo de ascensão da China. O país que será o mais influente do mundo depois dos Estados Unidos nos próximos anos ainda está longe de ser rico e se inclui no time das nações em desenvolvimento. Apesar do espantoso crescimento industrial das últimas três décadas, 55% da população chinesa ainda vive na zona rural e tem uma renda per capita anual que ronda os US$ 800.
Os números da China melhoram quando são considerados em termos da Paridade do Poder de Compra (PPC), que considera o poder aquisitivo da moeda nacional dentro de cada país. Por esse critério, o FMI prevê que o PIB per capita chinês será em 2010 de 7,2 mil dólares internacionais, a "moeda" que permite a comparação dos valores. O Brasil estará em 10,9 mil e o Japão, em 33,9 mil.
Quando o PIB global de cada país é considerado em termos de PPC, a China ocupa o segundo lugar no ranking desde 2001, quando passou a ter uma economia de 3,34 trilhões de dólares internacionais, comparados a 3,29 trilhões de dólares internacionais do Japão.
A China possui o maior volume de reservas internacionais do mundo, de US$ 2,27 trilhões, e é detentora do maior volume de títulos do Tesouro americano, posição ocupada pelo Japão até o ano passado.
O país governado por um Partido Comunista também deverá se tornar a principal potência comercial do planeta em 2010, segundo previsão da Organização para a Cooperação Econômica e o Desenvolvimento (OCDE), com uma soma de exportações e importações superior à da Alemanha e à dos Estados Unidos.
As apostas agora são sobre quando os chineses vão ultrapassar os americanos e assumir o posto de maior economia do mundo. (Informações: O Estado de S. Paulo) 

fonte:revista global
 
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