29.07.10 - thu

Ministro defende redução de custos logísticos para aumentar investimentos

"Os EUA, que estão longe de ser um exemplo no setor de logística, como a Bélgica ou a Alemanha, gastam em torno de 8% com logística", disse o ministro. Com esse quadro, o Brasil figura, segundo estudo do Banco Mundial, no 41º lugar em funcionalidade portuária, após saltar 20 posições desde 2007. Mas o ministro espera que o país continue melhorando, com o PND.

A dragagem deixará o porto com capacidade para receber navios com 0,5 metro a mais do que o porto de Santos, quando passar dos seus atuais 14 metros para 17,5 metros de profundidade.

O PND abrange, por enquanto, 16 obras em portos de diferentes Estados. Os portos de Recife, Angra dos Reis e de Rio Grande são os únicos cujas obras já foram finalizadas, além da primeira fase o porto de Itaguaí.

No entanto, o porto de Santos, único com plano diretor desenhado até o momento, deverá triplicar de capacidade nos próximos 15 anos. Isso faz com que, segundo o ministro, haja necessidade de se modificar o seu entorno, já que não há estrutura para que o total de 15 mil caminhões que passam diariamente pelo local seja triplicado.

Com isso, há possibilidade que o Porto de Santos venha a receber um túnel, tanto para tráfego de caminhões como de trens. "O objetivo do túnel é vencer a Serra do Mar", disse o ministro. Ele espera que, dentro dos próximos 12 meses, sejam desenhados também os planos diretores dos portos do Rio e de Itaguaí.
28.07.10 - wed

Ainda desconhecido por chineses, Brasil vira oportunidade além do comércio

O Brasil passou a ser visto na China como um país de oportunidades para investimentos, não só comércio.
Há quatro explicações. A primeira é a percepção de que, no vácuo da crise, as economias maduras passarão por um longo período de incerteza. A China precisa abrir o leque de parceiros.
A segunda vem do acrônimo Bric. Sem conhecer bem a nossa realidade, os empresários chineses nos vêem como membros de um grupo que terá peso crescente. Percepção é tudo em suas decisões.
Eles não costumam valer-se de consultoria, nem se fiam em análises complexas sobre o local onde atuarão.
Em geral, têm dificuldades de entender as peculiaridades de uma economia de renda média como a nossa. Mas, se antes desanimavam, agora querem vencer obstáculos. A terceira razão é estratégica. A China precisa garantir o suprimento de bens que o Brasil tem em abundância, e considera não só comprar fazendas e minas mas investir em logística e infraestrutura.
Por fim, num país onde a taxa de poupança é da ordem de 50% do PIB, há mais recursos que projetos -ainda que as obras sejam muitas.
Os bancos e os fundos de investimentos estão sempre à caça de opções. Muitos poupadores desencantados com a poupança e as Bolsas querem alternativas.
O negócio Brasil passou a ser tão bem avaliado que grandes bancos estrangeiros estão fazendo esforço para mostrar que conhecem a nossa realidade e são os intermediários para ela. Alguns abriram mesas de operações em Xangai apenas para o Brasil.
Como até hoje só dois bancos brasileiros estão na China continental, com presença discreta, instituições estrangeiras com filiais ou subsidiárias nos mercados chinês e brasileiro simultaneamente aproveitam a deixa.
Nas próximas duas décadas, a China será uma economia industrial cada vez mais sofisticada e competitiva devido, sobretudo, ao fácil acesso a financiamento, à boa infraestrutura e ao esforço empresarial em inovação.
Os salários, ainda baixos em muitos locais, estão aumentando, e o yuan, no médio prazo, deve apreciar. As empresas brasileiras que souberem montar parcerias interessantes para operar na China, no Brasil e em terceiros mercados vão ganhar.
O mercado chinês seguirá tendo liquidez abundante.
Um país como o Brasil, que precisa de recursos externos para crescer a taxas altas, vai se beneficiar disso. O primeiro passo está dado, com acordos de cooperação como os do BB, Itaú, BNDES e Petrobras. Mas há mais adiante.
Exceto por atores grandes e politicamente fortes, as instituições chinesas autorizadas a investir no exterior ainda estão amadurecendo.
Se soubermos mostrar as oportunidades que nossas empresas oferecem, estaremos no caminho certo.
28.07.10 - wed

Brasil perde peso no comércio com a Ásia

Participação recua nas importações de 7 dos 10 maiores mercados asiáticos, os que mais compram do país. Para especialista, exportações brasileiras sofrem com deficiências na infraestrutura, como em portos e rodovias
As exportações brasileiras perderam espaço no comércio com a Ásia, a região que vem crescendo mais forte e liderando a retomada da economia global -e a que mais compra produtos do país.
Levantamento nos dez principais mercados asiáticos para o Brasil mostra que o país perdeu espaço em sete deles. Mesmo na China, que é o que mais importa do Brasil, houve perda de 8% no peso total das compras.
Com exceção da Coréia do Sul e da Indonésia, o Brasil vendeu mais agora do que no ano passado, mas o ritmo de crescimento das exportações foi inferior à média, o que explica a perda de participação.
Para Evaldo Alves, professor da Fundação Getulio Vargas, as exportações brasileiras enfrentam limitações, como em infraestrutura (rodovias e portos, por exemplo), que ajudam a explicar a perda de peso nesses mercados.
O mercado asiático, apesar da distância, é o principal para as exportações brasileiras. No primeiro semestre, o grupo de 26 países (do Japão ao Timor Leste, por tamanho do PIB) comprou 27% de tudo o que o Brasil vendeu - mais que EUA ou UE.
Essa perda de peso no comércio com os asiáticos, mais a invasão de produtos de lá, é uma das razões para a queda de 43% do superávit no primeiro semestre, para US$ 7,8 bilhões, o menor no período desde 2002.
De um saldo positivo de US$ 4,1 bilhões no primeiro semestre de 2009, a conta nas transações com a Ásia passou a ser negativa para o Brasil em US$ 481 milhões na primeira metade de 2010.
As vendas do Brasil para a Ásia são formadas principalmente por produtos básicos (como minério de ferro e soja) e semimanufaturados (couro, por exemplo).
Nos seis primeiros meses, os asiáticos, liderados pela China, compraram 45% dos itens básicos e 35% dos semimanufaturados brasileiros -em ambos os casos, o peso deles caiu em relação ao primeiro semestre de 2009.
Essa queda também ocorreu com manufaturados (com maior valor agregado, como avião), mas as compras da Ásia têm peso menor na exportação desses itens, representando 7% do total.

Mais Asiáticos


Na outra mão do comércio, os asiáticos continuaram aumentando a sua presença nas compras brasileiras. Elas cresceram 60,6% desde janeiro até junho -mais que a média geral de 45%- e representaram 30,6% dos produtos trazidos do exterior.
A Coréia do Sul, movida principalmente a carros, e a Índia, que tem combustível como carro-chefe, mais que dobraram as exportações.
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